Prioridade do Brasil no Brics será pagamento em moedas locais

Ministro Mauro Vieira também destaca, além do uso de moedas locais, multilateralismo com reforma abrangente da ONU

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Mauro Vieira na reunião de ministros das Relações Exteriores do Brics em Nizhny Novgorod, Rússia
Mauro Vieira na reunião de ministros das Relações Exteriores do Brics (foto de Sergey Shinov, Brics Rússia)

Pagamento em moedas locais e fortalecimento do multilateralismo através da reforma da ONU. Estes foram os dois pontos destacados pelo ministro brasileiro Mauro Vieira em discurso na primeira sessão de trabalho da Reunião de Ministros de Relações Exteriores dos Brics, em Nizhny Novgorod, Rússia.

“Em primeiro lugar, os nossos líderes fizeram um apelo aos ministros das Finanças e aos presidentes dos Bancos Centrais para considerarem a questão das moedas locais, instrumentos de pagamento e plataformas. Este é um tema levantado pelo presidente Lula em Joanesburgo [na última reunião de cúpula dos Brics] e no qual o Brasil espera que os novos membros estejam totalmente engajados. Certamente também será um tema importante da presidência brasileira do Brics no próximo ano”, destacou o chanceler brasileiro.

Sobre o multilateralismo, Vieira destacou que é crucial o consenso sobre a reforma abrangente da ONU, incluindo o seu Conselho de Segurança. “Esta é uma questão fundamental, uma pedra angular dos Brics, por assim dizer. Deveríamos encontrar meios de colaborar mais para fazer avançar este tema nas Nações Unidas.”

O ministro também abordou a expansão do grupo que reúne os fundadores (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e que incorporou este ano cinco países: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia e Irã. “A chave é a coesão, que devemos nos esforçar para preservar. Isto significa aderir ao ‘espírito dos Brics’, que é respeito mútuo, compreensão dos interesses e aspirações de cada um, igualdade soberana, solidariedade, abertura, inclusão, fortalecimento da colaboração e consenso.”

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Países parceiros do Brics

Mauro Vieira abordou também o modelo de países parceiros. “Uma nova categoria de associação ao Brics responderia ao crescente interesse em aderir ao Brics por parte de muitos países do Sul Global. Nossos sherpas têm discutido possíveis princípios orientadores, padrões, critérios e procedimentos. Acreditamos que chegaremos a um consenso na Cúpula de Kazan [em outubro, na cidade russa]”.

“Neste momento, o nosso foco não deveria ser em listas de países específicos, mas em qual será o grau de participação dos países parceiros no Brics, se participarão apenas nas cúpulas do Brics e nas reuniões dos ministros dos Negócios Estrangeiros ou também em outras reuniões e atividades do Brics. Deveríamos também chegar a acordo sobre determinados critérios para os países parceiros, como o equilíbrio geográfico”, defendeu.

“O país parceiro será obrigado a aderir a todas as declarações e instrumentos do Brics? Ou exigiremos que cumpram alguns entendimentos básicos do Brics? Estou confiante de que poderemos chegar a um acordo, a ser decidido pelos nossos líderes em Kazan. Para isso, é importante reconhecermos que o Brics precisa de tempo para se ajustar ao seu formato ampliado. Temos de garantir que os novos membros da família sejam totalmente acomodados no vasto conjunto de instituições do Brics, incluindo o Novo Banco de Desenvolvimento”, assegurou Vieira.

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