Prioridades

Somente o superávit primário (corte de investimentos para pagar juros) do governo central acumulado em 2004 – quase R$ 50 bilhões – seria suficiente para construir 11 milhões de casas populares com 50m², o que eliminaria todo o déficit habitacional brasileiro; ou assentar 1 milhão e meio de famílias sem-terra, ou seja, quase a metade de todos os sem-terra do Brasil; ou ainda gerar 2,8 milhões de empregos na agricultura; pagar R$ 95 mensalmente, por um ano, de Bolsa Família para 50 milhões de famílias brasileiras; dar 1 salário mínimo (R$ 260) por mês, no período de um ano, para 18 milhões de brasileiros. O Fórum Brasil do Orçamento (FBO) analisa e debate esse tema hoje, no V FSM.

Caco
Exemplo prático e recente dos efeitos do superávit primário é a queda da ponte na BR-116, uma das mais importantes rodovias brasileiras. Apesar das denúncias sobre problemas na construção, nada foi feito para consertá-la. A mesma falta de dinheiro que deixa aos pedaços as demais rodovias federais.

Os deuses devem estar loucos
Depois de quatro apagões provocados – diz a versão oficial – por raios, a queda da ponte devido às chuvas não deixa dúvidas: São Pedro está sabotando o governo Lula.

Juros baixos
Para cada real gasto com equalização das taxas de juros do crédito rural (subsídio para tornar o crédito compatível com as taxas cobradas num país normal), há um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) equivalente a R$ 1,75 na agricultura familiar e R$ 3,57 com as operações na agricultura comercial. A pesquisa foi desenvolvida pela Universidade de Viçosa e mostra que há também aumento na arrecadação de impostos, permitindo ao governo recuperar parcialmente os gastos com as operações.

Transferência
A exemplo de seu antecessor FH, o presidente Lula continua pródigo em fornecer estudos de caso para a psicanálise. Ontem, ao discursar no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre,  trocou o nome do presidente da Argentina, Nestor Kirchner, pelo do “companheiro Menem”: “Há pouco mais de dois anos um país importante como a Argentina sequer tinha visão de eleger um presidente da República, porque se imaginava que o Menem voltaria a ser presidente. O que aconteceu na Argentina é que o companheiro Menem assumiu a presidência da Argentina e está mudando não apenas a relação do governo com seu povo, mas está contribuindo para mudar a relação entre os Estados da América Latina.”
Como a troca de nomes ocorreu pouco depois de criticar Menem, psicanalistas consideram que o brasileiro pensava em Lula e FH, ao se referir aos presidentes argentinos. Outra abordagem complementar vê na fusão dos antípodas Menem/Kirchner uma justificativa para o continuísmo FH/Lula. Nos dois casos, a transferência presta serviços autojustificatórios ao fatalismo e à suposta ausência de alternativas.

Fogo amigo
Apesar de filiado à CUT, o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio realiza hoje seu congresso com pesadas críticas à política econômica do governo federal, sobretudo à elevada taxa de juros básicos. O encontro, que termina amanhã,  tem como patrono o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa. Segundo o presidente do sindicato, Maurício Ramos, o endurecimento da crítica não significa que os metalúrgicos romperam com o Governo Lula: “Estamos empenhados, isto sim, em apontar alternativas para a geração de trabalho e renda. Somos contra as altas taxas de juros que impedem o crescimento do País e a atual política econômica conservadora e submissa ao capital internacional e especulativo.” Ah, bom.

Lula Barrichello
Para fugir das vaias no Fórum Social Mundial (FSM), o presidente Lula resolveu contornar as instalações do fórum à beira do Rio Guaíba. Com isso, o percurso do seu hotel ao auditório em que, enclausurado, discursou, levou em vez dos 10 minutos previstos, meia hora. Pelo visto, Rubinho Barrichello ganhou um parceiro mais simétrico do que o elétrico Michael Schumacher.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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