Privatizar é…

Apenas 36% dos habitantes da América Latina consideram que as privatizações foram benéficas para seus países. No Chile, a percepção positiva é compartilhada por 34%, percentual que recua ainda mais para Chile (31%) e Argentina (30%). Os dados constam da edição relativa a 2010 da consultora Latinobarómetro, que publica pesquisa anual sobre opiniões e atitudes políticas e sociais da população de 18 países da região. Na mesma pesquisa, ao serem interrogados sobre sua satisfação em relação aos serviços públicos privatizados, apenas 30% dos latino-americanos responderam que sim; percentual que recua para 27% no Chile e no Peru e apenas 30% na Argentina.

Concentração
Quando a pesquisa é sobre “quão justa é a distribuição da riqueza”, o país com a maior proporção de pessoas que dizem que é “justa ou muito justa” é a Venezuela (38%), contra 14% no Peru e 12% na Argentina e no Chile, país incensado pelos neoliberais como paradigma de conquistas econômicas e sociais a serem imitadas pelos demais países latinos. Para 88% dos chilenos entrevistados, porém, a distribuição de riqueza no país é “injusta”.

Medievais
Em tempo, a Latinobarómetro é uma instituição tão conservadora que, em edições anteriores do seu relatório anual, como lembra, com ironia, o sociólogo argentino Atilio Borón, “esqueceu-se de mencionar que, em 2002, tinha havido um golpe de Estado na Venezuela.”
Ex-secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), Borón, que analisou os dados da pesquisa em artigo reproduzido na edição eletrônica do Correio da Cidadania, destaca que os números revelam a profunda insatisfação com os resultados das políticas neoliberais na América Latina, sem, porém, que isso mude a visão dos propagandistas do neoliberalismo.
“Assim como os teólogos medievais insistiram em que a Terra era plana, enquanto contemplavam as esferas do Sol e da Lua, esses anunciantes modernos estão fazendo seu trabalho, sem se intimidarem com os dados da experiência empírica. A sua missão é propagar estas “mentiras que parecem verdade”, para usar uma frase incisiva do escritor e notável publicista do império, que com a sua florida e precisa prosa teve a delicada tarefa de dar credibilidade a um golpe que os nossos povos pagam com a sua dor e, muitas vezes, com suas vidas”, observa.

Regressiva
A carga tributária incidente sobre as pessoas que ganham até dois salários mínimos é de 53,9% da renda. Entre dois e três SM, a carga é de 41,9%; de três a cinco SM, cai para 37,4%; de 15 e 20 SM, para 31,3%; entre 20 e 30 SM, é de 31,7%. Quem ganha mais de 30 SM é “mordido” em 29%. Os dados são do Panorama Tributário Brasileiro, de José Roberto Afonso.

Divisão do bolo
A carga tributária brasileira em 2010 foi distribuída, depois das transferências entre União, estados e municípios, da seguinte forma: União ficou com 57,1%, estados, com 24,6%, e municípios, com 18,3%. Na carga tributária global, as contribuições participam com 47% e os impostos, com 49%. Considerando apenas os tributos da União, as contribuições ficam com a maior fatia disparado: 67%. Os impostos ficam com 31%.

Agenda
O presidente da Alemanha, Christian Wulff, participa de reunião-almoço nesta sexta-feira, a partir das 11h, na sede da Câmara Brasil-Alemanha em São Paulo. Wulff vem ao Brasil acompanhado de uma delegação integrada por empresários, políticos e representantes dos meios de comunicação. São Paulo é a segunda etapa da viagem, que inclui passagens por Brasília (dia 5), onde participará de um encontro com a presidente Dilma Rousseff, e pelo Rio de Janeiro, no sábado.
Na capital paulista, o presidente alemão conhecerá as obras do Centro Alemão de Inovação e Ciência São Paulo (DWIH), que abrigará, a partir do segundo semestre, escritórios de instituições de pesquisas e universidades daquele país.
Wulff, que pela primeira vez visita a América Latina, irá também ao México e à Costa Rica.

Atraso
Os tribunais de Justiça em todo o Brasil têm 60 dias para atender ao público, pelo menos, das 9h às 18h. Se a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) for cumprida, somente os bancos continuarão abrindo em horário menor que o expediente comercial.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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