Produção de minério em 2019 caiu, mas faturamento cresceu

Dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Mineração, aue representa as maiores empresas do setor no país.

Conjuntura / 11:44 - 13 de fev de 2020

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Apesar dos impactos decorrentes da tragédia de Brumadinho ocorrida em janeiro de 2019, o faturamento do setor de mineração no Brasil cresceu 39,2% no ano passado. O salto foi de R$ 110,2 bilhões em 2018 para R$ 153,4 bilhões no ano passado. Os dados constam em balanço divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que representa as maiores empresas do setor que atuam no país.

A produção de minério de ferro, no entanto, caiu. Os números oficiais de 2019 só devem ser conhecidos quando a Agência Nacional de Mineração (ANM) divulgar o Sumário Mineral, mas o Ibram estima que a queda foi de 8,8%. Segundo a entidade, a produção saiu de 450 milhões de toneladas em 2018 para cerca de 410 milhões de toneladas em 2019.

Flávio Ottoni Penido, diretor-presidente do Ibram, admitiu que a produção do setor foi impactada pelo rompimento da barragem em Brumadinho. A estrutura pertencia à Vale, uma das associadas ao Ibram. A tragédia, que deixou mais de 200 mortos, teve como consequência um pente-fino nas minas operadas por diversos empreendedores. Como resultado, dezenas delas foram paralisadas por decisões judiciais ou por determinações da Agência Nacional de Mineração (ANM).

"Quando houve o rompimento em Brumadinho, logo em seguida várias minas da Vale foram paralisadas. Algumas delas, até por decisão espontânea da mineradora. Embora uma parte da queda dessa produção tenha começado a ser suprida nas minas da Vale no Pará, esse processo não avança de um dia para o outro", disse Penido.

Se houve queda na produção de minério de ferro, por outro lado, houve aumento de 3,5% nos agregados de construção civil e de 17,4% no manganês. Esses índices contribuíram com o crescimento do faturamento do setor. Mas o desempenho das empresas também foi favorecido pela variação do preço do minério de ferro. Segundo Penido, a flutuação foi influenciada pela tragédia de Brumadinho. O valor médio da tonelada em 2018 no mercado internacional foi de US$ 69. Em 2019, ele saltou para US$ 93. Assim, apesar da queda na produção, as empresas faturaram mais.

A capacidade do setor de superar os prejuízos econômicos absorvidos após a tragédia de Brumadinho já havia sido indicada pelos balanços da Vale. Após apresentar saldos negativos nos dois primeiros trimestres, a mineradora compensou todas as perdas no terceiro trimestre ao registrar lucro líquido de R$6,5 bilhões. O balanço financeiro do quarto trimestre está previsto para ser divulgado no dia 20 deste mês.

O balanço do Ibram mostra ainda que a elevação do preço do minério de ferro no mercado internacional permitiu que as exportações, mesmo em volume inferior a 2018, tenham rendido mais em 2019. O setor mineral brasileiro registrou no ano passado uma alta de 9,73% no valor obtido com a exportação do produto. Em 2018, os negócios com países estrangeiros renderam US$ 20,21 bilhões. Já no ano passado foram US$ 22,18 bilhões. Em volume, no entanto, a exportação caiu 12,6% de 2018 para 2019.

O Brasil é o segundo maior exportador global de minério de ferro. Também ocupa a segunda posição no ranking de reservas. Debaixo do solo brasileiro há pelo menos 29 bilhões de toneladas. Esse número tende à crescer na medida que forem realizadas pesquisas em áreas ainda não estudadas. As maiores reservas atualmente estão nos estados de Minas Gerais e do Pará.

O Ibram também apresentou dados de exportação envolvendo outros minerais. O Brasil registrou alta de 27,73% nos valores obtidos com exportação de ouro e de 18,92% com manganês. Por outro lado, houve queda de 14,64% com o cobre. Em volume, o maior aumento foi registrado no manganês. Em 2018, foram 2,61 milhões de toneladas. Com uma alta de 45%, 2019 fechou com 3,79 milhões de toneladas. De outro lado, o volume de exportação de bauxita caiu 16,1%. Ao todo, as exportações minerais renderam US$ 32,5 bilhões em 2019. Trata-se de um crescimento de 8,49% na comparação com 2018.

 

Com informações da Agência Brasil

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