Produção industrial surpreende mas ainda está aquém de setembro

Indústria avançou 1,8% em janeiro de 2026, após uma queda de 1,9% em dezembro de 2025. Produção industrial surpreende mercado.

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Indústria têxtil (foto de José Paulo Lacerda, CNI)
Indústria têxtil (foto de José Paulo Lacerda, CNI)

A produção industrial avançou 1,8% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro de 2025, segundo o IBGE. O resultado vaio muito acima do esperado pelo mercado (0,7%). Na comparação anual, o crescimento foi de 0,2%, enquanto era esperada uma queda de 0,7%.

“É, portanto, um resultado robusto, mas há um senão. A base de comparação de janeiro de 2026 é baixa, dado que dez/25 registrou recuo acentuado de 1,9%, após um período de virtual estagnação. Deste modo, o nível de produção de jan/26 seguiu 0,3% aquém daquele de set/25, desconsiderados os eventuais efeitos sazonais”, destaca o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Dos 25 ramos acompanhados pelo IBGE, 19 apontaram ampliação de produção. Ou seja, uma parcela majoritária de 76% deles. É um perfil favorável porque mostra que a alta não foi produzida por casos isolados.

Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, ressalta que “do ponto de vista qualitativo, a recuperação mensal foi relativamente disseminada entre os grandes grupamentos industriais. Bens de capital avançaram 2%, bens intermediários cresceram 1,7%, e bens de consumo registraram alta de 1,8%, com destaque para os bens duráveis, que saltaram 6,3% no mês, refletindo sobretudo recomposição após retrações observadas no fim de 2025”.

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“Apesar desse movimento positivo na margem, o desempenho interanual evidencia fragilidades importantes na dinâmica da indústria. O grupo de bens de capital apresentou retração de 11,8% frente a janeiro do ano anterior, sinalizando enfraquecimento do ciclo de investimento produtivo e menor demanda por equipamentos voltados à ampliação da capacidade instalada”, afirma Benedito.

Outro ponto relevante destacado pela economista é a baixa difusão do crescimento industrial. “Apenas 37,9% dos produtos investigados registraram avanço frente a janeiro do ano anterior, indicando que a recuperação da produção permanece concentrada em segmentos específicos e ainda não se dissemina de forma mais ampla pela estrutura produtiva. A leitura de tendência também reforça esse quadro de moderação. A média móvel trimestral da indústria recuou 0,1% no trimestre encerrado em janeiro, com desempenho negativo em três das quatro grandes categorias econômicas, sugerindo perda gradual de tração do setor.”

Para 2026, o PicPay projeta crescimento de 1,8% da produção industrial, com recuperação gradual ao longo do ano. “A expectativa é que a melhora das condições financeiras, impulsionada pela desaceleração da inflação e pela perspectiva de queda da taxa de juros, contribua para reativar gradualmente os segmentos mais cíclicos da indústria, especialmente aqueles ligados ao investimento e ao consumo de bens duráveis”, finaliza Ariane Benedito.

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