Produtos plásticos aumentaram exportação na pandemia

No início de 2020, setor também enfrentou alguns problemas como falta de insumos, mas exportação atualmente está crescendo.

A indústria brasileira de produtos plásticos transformados se adaptou à nova realidade dos negócios imposta pela pandemia de Covid-19 e está conseguindo crescer como fornecedora global, apesar das condições mundiais adversas. Lideradas pelo Think Plastic Brazil, projeto de promoção internacional do segmento, as empresas se voltaram a uma agenda intensa de ações virtuais, o que vem impulsionando as vendas externas.

Segundo dados do Think Plastic, que é levado adiante pelo Instituto Nacional do Plástico (INP) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), de janeiro a maio deste ano as empresas apoiadas pelo projeto aumentaram suas exportações em 20% em valor e em 4% em volume, para US$ 136,5 milhões e 54,9 mil toneladas, respectivamente. Entre elas, 57 abriram novos mercados e 17 exportaram novos produtos. A indústria brasileira do setor como um todo também aumentou a comercialização internacional no período.

O gestor de Estratégia e Planejamento de Projetos do Think Plastic Brazil, Carlos Moreira, contou à ANBA o que essa indústria vivenciou nos últimos anos. Segundo Moreira, uma agenda de mudança foi iniciada já em 2016 com investimentos em tecnologia e digitalização.

“Por volta de 2018, começamos a fazer alguns eventos online”, relata. Mas foi a ida a uma feira internacional no começo de 2020 e a percepção de tudo mudaria com a Covid que fizeram o Think Plastic repensar a estratégia para ajudar as empresas a seguirem fazendo negócios no novo cenário.

Foi instalado um grupo de trabalho de crise. Em fevereiro, antes mesmo da Covid chegar oficialmente ao Brasil, já haviam sido elencados 23 projetos online, que começaram a ser colocados em prática em março. O Think Plastic atua com produtos plásticos transformados e uma boa parte deles se mostrou de uso essencial na pandemia, como as seringas, tubos plásticos para vacinas, luvas descartáveis, face shield, aparelhos respiradores e outros itens para ambiente hospitalar. Além desses, o setor engloba um diversidade de produtos, desde os voltados para construção civil, como canos, até embalagens para alimentos, brinquedos, utilidades domésticas, entre outros.

Esse movimento digital em busca da exposição internacional na pandemia chamou a atenção não só de importadores de plásticos transformados, mas também de vendedores estrangeiros de insumos. “Nunca vi tanto chinês atrás da gente para vender matéria-prima”, brinca Moreira. Muitas empresas do Think Plastic conseguiram um espaço de mercado que era de fornecedores chineses. “Houve uma mudança na cadeia de suprimentos, para países aos quais a gente não exportava, porque tinha China pesado, começamos a exportar”, diz.

As companhias do Think Plastic respondem por 42,4% das exportações do Brasil no setor em valores e por 63,3% do total em volume.

Para auxiliar o setor do plástico a integrar a transformação digital, enfrentando as mudanças e atualizações necessárias, o Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast) já investiu cerca de R$ 20 milhões em ações em prol da imagem do plástico e programas de capacitações. Pela Avantec, uma das empresas contratadas pela instituição para oferecer os programas, já foram formados 300 executivos de 39 empresas, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Devido ao sucesso da parceria, já está prevista a realização da quinta turma do Programa de Gestão da Inovação, no segundo semestre de 2021.

Além da mudança do mindset nos processos da empresa, é importante que o empreendedor se atente também para as oportunidades geradas por meio da economia de compartilhamento, procurando parcerias que possam melhorar as práticas comerciais.

De acordo com o PICPlast, o setor de transformação do plástico é diretamente impactado de forma positiva em relação à produtividade e redução de perdas, a partir do momento em que automatizam seus processos, já que o uso de tecnologia de ponta, a longo prazo, reduz os custos da produção. Mesmo que hoje essa seja uma realidade mais distante do pequeno e microempresário, que representa 94% da indústria de transformação plástica, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

 

Com informações da Agencia de Notícias Brasil-Árabe

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