Professor FH

A política do tucanato de desresponsabilizar o Estado de tarefas até então consideradas irrenunciáveis resultou  na transformação do ensino universitário num grande negócio. Segundo o Censo Escolar de 2001, o setor privado detém 87% das instituições e 69% das matrículas. Enquanto, de 1994 a 2001, o número de alunos em instituições privadas cresceu de 970.584 para 2.091.529 (115%), nas instituições públicas as matrículas passaram de 690.450 para 939.225 (36%). Tal processo inverteu a tendência do período 1990-1994, quando o setor privado crescera apenas 0,9%, e o público, 19,3%.

PesquisaDOR
O aumento do número de mestre e doutores durante o governo FH, saudado inclusive aqui nesta coluna, foi obtido à custa da desidratação das bolsas concedidas aos pesquisadores brasileiros. Estudo da Associação dos Pós-Graduandos da USP-Capital revela que a inflação acumulada pelo IGP-DI desde o último reajuste das bolsas Capes e CNPq (principais agências de fomento brasileiras), em 1994, chega perto de 180%. O mesmo indicador acumula inflação de 108% desde o último reajuste das bolsas da Fapesp, em 1996.
Nos últimos oito anos, o poder de compra das bolsas de Capes e CNPq caiu a menos da metade. A associação calcula que, já corrigido pela inflação, a bolsa atualmente paga a um doutorando é menor a que era paga a um mestrando em 1994 (quase a metade), inferior a que era destinada a um bolsista de aperfeiçoamento e não muito mais do que se pagava a um aluno de iniciação científica (60% a mais, ou seja R$146 à época). Ou seja, quem defendeu sua tese em janeiro de 2003 deixou de receber em quatro anos, por sua bolsa não ter sido corrigida pela inflação, R$ 50.918,41.

Índice
Esse número significa que este aluno deixou de receber cerca de 98,8% do que teria direito se o valor da sua bolsa fosse corrigida pela inflação. A associação conclui que um doutorado defendido em janeiro custou metade do valor 1994: “Se houve aumento do número de bolsas, quem pagou pelo custo destas bolsas foram os alunos que deixaram de receber os valores projetados para serem pagos”, salienta a entidade, para a qual o governo FH criou mais um índice: o de doutores.

Carteira
O Detran-RJ reativou a Comissão Cidadã, para julgar motoristas acusados de acidentes graves no estado. Parada desde março do ano passado, a comissão foi criada em 2000 para agilizar o cumprimento da medida de suspensão do direito de dirigir, prevista no artigo 160 do Código de Trânsito Brasileiro. Segundo o presidente do órgão, Hugo Leal, uma parceria com as polícias Militar e Civil permitirá que a comissão seja informada rapidamente sobre casos de acidentes com vítimas.

Nova direção
O Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-RJ) está sob nova direção. Tomaram posse ontem a nova diretoria da entidade. O presidente é o diretor geral do Ponto Frio, Conrado Gruenbaum. A vice-presidência ficou com Aldo Carlos de Moura Gonçalves, vice-presidente da Silhueta Infantil. A diretoria financeira ficou com o dono da Temper Roupas, Szol Mendel Goldberg, o diretor de Administração é Roland Khalil Gebara, dono das Casas Gebara, e a diretoria de Operações está sob a responsabilidade de João Baptista Magalhães, diretor da H Stern. Sylvio Cunha, presidente da entidade durante os últimos anos, deixou o cargo por problemas de saúde.

Pré-Vargas
A denúncia é de um escrevente de um dos cartórios mais movimentados do Rio. Segundo ele, o depósito para seu fundo de garantia é feito com dinheiro do seu próprio bolso, embora, oficialmente, o recolhimento seja atribuído ao dono do cartório. De acordo com a fonte, esta prática se estende há 12 anos e não se restringe ao cartório para o qual trabalha.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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