Projeto de desmanche da Previdência pública esconde armadilha

A proposta de desmantelamento da Previdência enviada ao Congresso nesta quarta-feira traz uma armadilha, observa o economista e jornalista José Carlos de Assis, integrante do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL. “Qualquer deputado pode propor implantar imediatamente o sistema de capitalização, atendendo aos anseios imediatistas do setor financeiro”, alertou.

A proposta de capitalização, além de reduzir as aposentadorias e acabar com o sistema solidário consagrado no Brasil e na quase totalidade dos países, é recessiva, pois os 10% retirados dos salários dos trabalhadores não voltam para a economia real, explica Assis. Tal qual no Chile, o dinheiro fica circulando no mercado financeiro, nacional e estrangeiro, pouco contribuindo para financiar o investimento.

O economista diz que os cortes na Previdência são o resultado de uma visão neoliberal míope, pois o que solucionará os defeitos atuais no sistema é o crescimento econômico. “O problema é o comportamento da economia, voltando a crescer, o problema some”, analisa. Assis afirma que na Europa, a Previdência sempre foi vista como estabilizador automático da economia: em caso de retração, as aposentadorias pagas funcionam como um freio à queda. Os dogmas neoliberais, porém, estão exigindo cortes, o que só tem agravado os problemas.

 

Os podres de FHC

Sobre a nota “Privatizações: a história se repete”, publicada no final de janeiro, Maria Lucia Fattorelli, coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, entrou em contato com a coluna para fazer um adendo: os títulos podres usados na privatização durante o Governo FHC eram em grande parte os títulos Brady (títulos da dívida externa resultantes da troca feita em Luxemburgo pela comissão negociadora chefiada por Pedro Malan).

Esses títulos eram considerados podres porque eram resultantes da troca de dívida com forte suspeita de prescrição. Por isso, não eram aceitos em nenhuma bolsa de valores do planeta. Eram podres por isso, inegociáveis. O Brasil aceitou tais títulos como moeda para compra de empresas privatizadas”, critica.

 

Dinheiro na mão

Em países como Suécia e Noruega, o dinheiro vivo está se tornando coisa do passado, representando menos de 2% do PIB (Produto Interno Bruto). A média na União Europeia é de 10% do PIB. Nos Estados Unidos, a circulação em cash é pouco inferior a 8%. No Japão, chega a quase 18%.

A quantidade de dinheiro vivo em circulação afeta a eficácia de políticas monetárias com juros próximos ou até mesmo abaixo de zero. Quanto menos cash, melhor a resposta, afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

A voz da banca

Em relação a Bolsonaro, há um simulacro de oposição; mas quando o assunto é desmanche da Previdência, a grande mídia marcha unida com Paulo Guedes.

 

Rápidas

A Abimaq RJ realizará, dia 27, das 10h às 12h, a oficina “B2B Sales Academy Brazil”. O encontro pretende fazer com que os executivos se afastem do marketing focado em preço e trabalhem com mais ênfase na experiência do cliente. Será na Firjan *** O Torneio de Abertura do Circuito Caxiense de Judô será realizado dia 24, no Caxias Shopping, com apresentações de judocas entre 3 e 12 anos *** Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o Shopping Grande Rio, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de São João de Meriti, realizará, dias 27 e 28, uma ação social, em ritmo de pré-carnaval, onde serão oferecidos diversos serviços gratuitos e a realização do baile Respeita as Minas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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