Debêntures e fundos de investimento estão entre os 20 casos de uso
Após receber 39 propostas do mercado, das quais 20 foram selecionadas para aplicações práticas da tecnologia em debêntures e fundos de investimento, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) anunciou o início da fase de testes do projeto-piloto de tokenização.
A intenção é simular o ciclo completo de um ativo financeiro tokenizado, da estruturação à liquidação e encerramento, em uma rede blockchain dedicada e supervisionada. O objetivo é compreender, na prática, como cada etapa se comporta e quais ajustes são necessários em processos, infraestrutura e governança.
As iniciativas escolhidas foram apresentadas de forma individual ou em consórcio por mais de 50 instituições, entre bancos, gestoras de recursos e empresas de tecnologia. Será testado o uso da tecnologia blockchain na emissão e negociação de ativos do mercado de capitais. A fase de testes tem duração prevista de cerca de seis meses. A condução do projeto é coordenada pela Anbima em parceria com organizações que reúnem competências complementares em gestão, infraestrutura tecnológica, desenvolvimento e regulação.
Segundo a Anbima, o piloto acontece em ambiente controlado, sem movimentação de recursos reais e sem a participação de investidores, criando um espaço para experimentação em condições muito próximas à realidade, porém em um ambiente protegido. Os testes são realizados em uma rede DLT, pensada pelo mercado e para o mercado, com foco em troca de experiências e geração de aprendizados práticos. O piloto vai testar a tokenização “ponta a ponta” de debêntures e um fundo de investimento em um ambiente blockchain dedicado. A iniciativa busca gerar aprendizados sobre governança, interoperabilidade, infraestrutura e supervisão, conectando instituições do mercado e reguladores.
Os testes vão acompanhar todas as etapas do ciclo de vida dos ativos, como estruturação, emissão, transferência, eventos e liquidação. O projeto-piloto simulará, em ambiente controlado, o funcionamento completo de ativos tokenizados. “A expressiva participação do mercado, com 39 propostas inscritas, reforça a relevância dessa iniciativa. A fase de testes permitirá avaliar soluções na prática, mapear gargalos operacionais e apoiar a construção de referências comuns para o desenvolvimento da tokenização no mercado de capitais”, afirma Eric Altafim, diretor da Anbima.
O objetivo é gerar aprendizados práticos, a partir da reprodução de desafios reais do mercado, contribuindo para avaliar o potencial da tecnologia para a infraestrutura do mercado de capitais. “As propostas selecionadas refletem a diversidade de abordagens e de instituições envolvidas no desenvolvimento da tokenização no mercado de capitais”, acrescenta o diretor.

















