Proletarização

O número de pessoas de classe média que procura os serviços jurídicos gratuitos do escritórios-modelo da Universidade Cândido Mendes (Ucam) deu um salto significativo ano passado. Essa procura chama a atenção, porque, para ter acesso aos serviços da Ucam, é preciso comprovar a incapacidade de custear o processo, condição que os tribunais já entendem ser possível para pessoas de classe média. Esse reconhecimento é mais freqüente nos casos de doença, especialmente aids.

Identidade
Em entrevista à última edição eletrônica do Correio da Cidadania, o senador Roberto Freire (PPS-PE) faz um malabarismo retórico para justificar uma aproximação mais aberta do PSDB. Ao mesmo tempo em que descarta qualquer identificação com as transformações na Venezuela comandadas pelo presidente Hugo Chávez, Freire flerta com os novos Governos da Argentina e do Chile, por ele, identificados com integrantes da “onda rosa”. Como em ambos se trata de aprofundamento raivoso dos projetos neoliberais em vigor, com corte de direitos sociais e prosseguimento do desmantelamento do Estado, o daltonismo de Freire deve estar confundindo desbotamento político com novas alternativas de transformação. Em todo caso, totalmente coerente com o apoio de Freire e seu agrupamento à aprovação do direito da reeleição de FH no Congresso.

À cubana
Os espectadores que comparecerem hoje à pré-estréia de Buena Vista, de Win Wanders, poderão esticar a noite mantendo o clima caribenho do filme, que conta a vida dos veteranos músicos cubanos. Na madrugada de hoje para sábado, o cantor cubano Sérgio Jerez se apresenta na Giraldia – Rua Maria Angélica 37, no Jardim Botânico –  apresentando sucessos da Ilha de Fidel Castro. As dez primeiras pessoas com ingressos do filme não pagam couvert. A casa, que está comemorando um mês, reunindo uma tabacaria e um palco de MPB e jazz, apresenta na mesma noite a cantora Leila Maria.

Forma e conteúdo
Quem ainda têm paciência de ler o que o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco escreve na esperança de encontrar alguma linha de autocrítica já começa a perder as esperanças. E já começa também a duvidar da opinião de alguns importantes economistas de que Franco reveste a pobreza das suas teses com uma bela retórica. Em artigo em revista semanal sobre investimento estrangeiro no Brasil, o principal defensor da política de câmbio, além de alinhavar ultrapassadas idéias sobre o assunto, ainda disparou a frase “tem que a ver” que mereceria reprovação de qualquer professora de português do ensino fundamental corrigindo a redação de um aluno.

Cena de cinema
Essa coluna não quer se meter em assuntos da classe cinematográfica, mas só quer entender: produtores que assumem riscos para fazer filmes, como Norma Bengell, são os bandidos, e os mocinhos são todos os demais que participaram do dispendioso convescote promovido pelo Ministério da Cultura?
Rambo
Matéria em uma revista semanal sobre a polêmica que envolve o financiamento ao cinema brasileiro começava com a frase: “O cinema brasileiro não produz apenas filmes ruins…” Com tal preconceito, não fica difícil deduzir de onde vem o cinema que agrada à publicação.

Discurso vazio
Na mensagem de abertura do ano legislativo, FH garantiu que seu Governo aumentará o gasto na área social. Ao mesmo tempo, fez elogio à aprovação, durante a convocação extraordinária do Congresso, do projeto de desvinculação orçamentária. O objetivo do projeto é exatamente possibilitar ao Governo retirar verbas destinadas preferencialmente à saúde e educação, sobrando mais dinheiro para pagar os elevados juros da dívida.

Quintal
Doze países da América Latina já assinaram o acordo de “céus abertos” com os Estados Unidos, o que representa quase 30% dos 42 que aderiram à proposta norte-americana de liberar o número de vôos internacionais. Apesar do peso numérico, alguns países latinos responsáveis por grande parte do tráfego com os EUA estão arredios em aceitar o acordo, que beneficia as poderosas empresas do Norte. Em janeiro, a Colômbia encerrou conversações. O novo governo argentino também avisou que não irá ratificar o acerto assinado em novembro do ano passado, para permitir a recuperação da Aerolineas Argentinas. Aos EUA, por enquanto, resta comemorar a adesão da República Dominicana e outros.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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