ProUser: mobile learning, efetividade e bootstrapping

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eduardo kaizer (foto divulgacao prouser apps)
Eduardo Kaizer (foto divulgação ProUser Apps)

Conversamos sobre a ProUser Apps com Eduardo Kaizer, chief revenue officer da startup responsável pelos aplicativos educacionais Reforça e Taplingo.

O que faz a ProUser Apps?

A ProUser Apps não nasceu como uma Edtech, mas como uma empresa vendendo conteúdos dentro de uma plataforma de telecomunicações (serviço complementar oferecido pelas operadoras de telefonia aos seus clientes). A partir do momento em que fomos picados pelo mosquito da educação, nós passamos a nos especializar em conteúdos educacionais e começamos a nos transformar numa edtech.

Essa transformação se deve muito a pandemia, ou seja, a questão do déficit educacional e das crianças ficando em casa. Foi assim que surgiu o Reforça, o nosso primeiro produto da linha educacional, que ajuda no reforço escolar.

O Reforça não substitui o ensino tradicional, apesar de termos a leitura de que ele segue o mesmo modelo no qual eu, você, nossos pais e nossos avós estudaram, o que faz com que se ignore toda a questão tecnológica que está nos impactando ao longo dos anos.

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A nossa missão é criar uma plataforma de mobile learning, e aqui não estamos falando de reforço escolar, mas de uma série de conteúdos, como ensino de idiomas e educação financeira.

A ProUser começou com conteúdo, criou o Tô Aqui (geolocalização) e depois o Reforça. Como surgiu o Taplingo (idiomas)?

Tela de smartphone com o aplicativo  de mobile learning Reforça, da ProUser Apps
App Reforça, da ProUser

O Taplingo surgiu na esteira da plataforma que criamos. Nós trouxemos a metodologia de flashcards, fizemos a sua digitalização e criamos uma jornada que fizesse sentido. Isso possibilitou a criação de filhotes dessa plataforma, sendo o Reforça o primeiro deles.

Quando vimos que conseguíamos entregar todos os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que são 14 matérias, vindo desde a 6ª série até o 3º ano do segundo grau, passando pelo preparatório para o Enem e pela educação de jovens adultos, nós decidimos trabalhar com idiomas. No Taplingo, nós ensinamos sete línguas, desde o básico até o avançado.

Como vocês montaram a estrutura de criação de conteúdo?

Além do time técnico, o nosso maior time é o de conteúdo. Nós temos professores para cada uma das matérias e uma coordenação pedagógica em cima disso.

No caso do Reforça, nós olhamos para o que a BNCC solicita e tentamos entender o que é extremamente importante para o aluno do ponto de vista de reforço escolar, pois não temos como pegar todo o conteúdo e colocá-lo dentro de uma jornada mobile, que, por definição, é curta e contundente. Existe todo um trabalho de curadoria para trazer o que de fato é mais importante.

Há algum tempo, nós entramos no programa de aceleração de um grande sistema de ensino e disponibilizamos todo o nosso conteúdo para que o seu corpo pedagógico avaliasse a forma como ele era entregue.

Eles nos disseram que nós conseguíamos fazer o que eles tentaram e não conseguiram, que era pegar um conteúdo superdenso, sintetizá-lo e colocá-lo de uma maneira fácil e adaptada para uma nova geração que quer consumir conteúdos curtos.

Como os vídeos são de até 30 segundos, você precisa ser muito direto na mensagem que está sendo entregue. Para isso, nós tivemos que criar e educar um time que entendesse que não estamos entregando o mesmo conteúdo que é utilizado nas escolas e no sistema de ensino, mas que temos uma linha pedagógica diferente, que complementa o que já existe.

Existe diferença de efetividade entre o mobile learning e a sala de aula?

Para dar essa resposta, eu vou contar um caso bem interessante. Nós fizemos uma parceria com a escola Francis Hime, no Rio de Janeiro, para abordarmos, especificamente, alunos que estavam com baixo rendimento nos anos finais, algo em torno de 150 alunos em um universo de 400.

Como essa geração nasceu com a tela pequena, você tem que se apoderar desse fato e trazê-lo para dentro da sua dinâmica escolar. Foi isso que propusemos à escola para rodarmos esse teste.

Nós liberamos os acessos para esses alunos, e os professores passaram a dedicar um ou dois horários, ao longo da semana, para que eles pudessem estudar através do Reforça. Um mês depois, 52% dos alunos melhoraram a nota global e o rendimento em várias matérias.

Além disso, nós acabamos impactando em situações que nem imaginávamos, como o aumento da frequência escolar, já que esse ambiente híbrido se tornou muito mais favorável e atrativo a eles, pois acabou falando uma linguagem que eles sentiam falta.

A ProUser adotou a estratégia de bootstrapping, com o seu crescimento sendo financiado pela sua própria operação. O que vocês fizeram para que isso desse certo? Outra coisa: vocês chegaram a buscar investimento em algum momento?

Desde o início, a opção foi por ser bootstrapping. Se dermos alguns passos para trás na linha do tempo, vamos ver que, inicialmente, os negócios surgiam assim. Não havia uma farra de dinheiro, quando o pessoal começou a trazer recursos de tudo que é lado para aportes e muitas rodadas. Com a questão dos juros, os recursos acabaram minguando, o que fez com que fosse necessário ter um plano de negócio que parasse de pé.

A nossa receita é trabalhar o mais enxuto possível e validar a hipótese. Não imediatamente, o que é muito difícil de ser feito, mas trabalhar de forma controlada na medida em que o seu comercial ande para que você venda e valide a tese. Para isso, é preciso ter os passos planejados e o business parando de pé. Essa estratégia vem dando certo, pois não contamos com o amanhã, e sim com o que temos agora.

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