PSL: Bolsonaro discute pedido de prestação de contas

O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se na manhã desta segunda-feira, no Palácio do Planalto, com os advogados eleitorais Karina Kufa e Admar Gonzaga para discutir o pedido de prestação de contas direcionado ao PSL. Na sexta-feira (11), Bolsonaro e mais 21 parlamentares da legenda requereram que o diretório nacional apresente informações sobre as contas da sigla.

Por sua vez, o líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir (GO), disse que os parlamentares aliados de Jair Bolsonaro “estão atrás da chave do cofre”, em referência ao fundo partidária que a agenda tem direito. Na sua opinião não haverá saída jurídica para os deputados que decidirem sair do PSL escaparem de uma punição, ou seja, da perda do mandato.

Não temos uma janela partidária agora, então, se sair, há o risco de perda de mandato, e nós não queremos isso, mas também não vamos ser submissos a um desejo de uma ala ligada ao presidente que quer tomar conta do pote de ouro do partido”, disse ele, em entrevista ao colunista do G1, Valdo Cruz.

No mesmo dia, mais cedo, a advogada eleitoral Karina Kufa afirmou que há desgaste na relação entre o presidente e dirigentes nacionais do PSL. Ela e o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga também participaram da reunião de Bolsonaro comparte dos parlamentares do PSL e disseram que estudam uma forma de os deputados deixarem a sigla sem serem punidos com a perda de mandato por causa da regra sobre infidelidade partidária. No caso do presidente e outros integrantes do PSL com cargo majoritário (governador, prefeito e senador), uma eventual troca de partido não é vedada pela legislação.

Ao defender pedido de auditoria nas contas do partido, o presidente tenta se antecipar a possíveis problemas nas finanças do PSL. Para evitar possíveis processos no TSE foi buscar ajuda do ex-ministro do tribunal, o advogado Admar Gonzaga, o mesmo que foi um dos votos decisivos para a absolvição da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, julgada em junho de 2017 por acusação de abuso de poder econômico na eleição de 2014. Na ocasião do julgamento, o presidente era Temer, empossado depois do impeachment de Dilma.

 

Fundo partidário

 

O momento agora é esse de tomar ciência de onde os recursos do PSL estão sendo empregados. Houve uma mudança muito grande da legislatura passada para a dimensão do partido nessa legislatura. Um partido que só tinha um deputado federal no começo da legislatura passada para mais de 50 agora. Então o Fundo Partidário aumentou, o Fundo Eleitoral vai aumentar”, disse o deputado majorVitor Hugo, líder do governo na Câmara.

Dias antes, o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, indagara: “Como você fala do quintal alheio se o seu quintal está sujo?” Em seguida, afirmara: “As candidaturas em Minas Gerais e Pernambuco estão sendo investigadas. Mas o filho do presidente também”. O deputado referia-se a Flávio Bolsonaro, investigado por suspeita de peculato e lavagem de dinheiro.

 

Cartão corporativo

 

O líder do PSL na Câmara dos Deputados, delegado Waldir (GO), cobrou do governo federal, nesta segunda-feira, maior transparência em relação aos gastos de cartão corporativo. “Por questão de transparência e combate a corrupção acho que devemos abrir também o cartão corporativo da Presidência, ministros.. Ninguém deve ser imune”, disse ao Congresso em Foco.

Os cartões corporativos existem desde 2001 e servem para a equipe do governo pagar despesas urgentes. Os valores desembolsados estão disponíveis no Portal da Transparência, mas muitas informações como data e nome do favorecido são classificadas como sigilosas.

No primeiro semestre deste ano há sigilo no total de R$ 5,8 milhões de valores usados por membros do governo com cartão corporativo.

Na sexta-feira (12) Bolsonaro e um grupo de 21 congressistas do partido insatisfeitos com o presidente da sigla, Luciano Bivar, entre eles Flávio e Eduardo Bolsonaro, filhos do presidente, assinaram um documento solicitando auditoria externa das contas do partido.

Waldir afirma que o PSL é transparente e completa: “temos que abrir todas contas de todos diretórios..Inclusive RJ, SP e RN…Controlados por conservadores”.

O diretório estadual do PSL no Rio de Janeiro é comandado pelo senador Flávio Bolsonaro, o de São Paulo pelo deputado Eduardo Bolsonaro e o Rio Grande do Norte tem como vice-presidente o deputado General Girão, próximo do presidente da República.

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