Público ou privado?

Para fazer valer a máxima que propaga no exterior sobre a vantagem comparativa do Brasil por manter parte dos seus bancos oficiais, o presidente Lula tem de mudar a orientação dessas instituições. Funcionários que ingressaram no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal quando estes ainda tinham um papel público mais demarcado se dizem confusos com as contradições entre o discurso presidencial e a manutenção de metas e tarifas de instituições privadas: “Afinal, somos banco público ou privado? Quando fiz concurso para o banco, não pensava em ser vendedora de produtos, como num banco privado”, desabafa uma funcionária de uma agência do BB no Centro do Rio.

Para sair da crise
As projeções que indicam o arrefecimento dos efeitos da crise no Brasil estão mais no campo dos desejos do que da realidade. O fato de alguns setores apresentarem melhoras pontuais, como as vendas do setor automobilístico, deve ser saudado como positivo, mas não para confundir análises mais amplas e de longo prazo. Como nem as condições que gestaram a crise lá fora nem as que a importaram para aqui foram removidas ou solucionadas, é mero polianismo apostar no seu fim iminente.
Lá fora, a insolvência do sistema financeiro continua sem perspectiva de solução, na medida em que os governos resistem à estatização do setor, única forma de retomar o controle sobre essa área-chave para o conjunto da economia.
No Brasil, a opção pelo crescimento dependente de exportação de commodities e, no mercado interno, pelo aumento do endividamento da população via crédito para manter intactos os mecanismos de concentração de renda se estiolou. Enquanto não for substituída por um efetivo mercado de consumo de massas, que, além de permitir uma distribuição real de renda, sirva de amortecedor para o encolhimento do comércio exterior, o país continuará destinado a repetir os eternos ciclos de stop and go, de maior ou menor fôlego, a depender da extensão das bolhas que os sustentam.
Como já dissemos desde o início da crise, a exemplo da Depressão de 1929, o Brasil tem todas condições para sair em melhores condições dessa página da História. Mas, para isso, vai ter de substituir o modelo que o empurrou para ela. Seja ousado, Lula!

Saúde
As crianças são o principal público-alvo da campanha de incentivo ao consumo de frutas que o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), em parceria com o Sebrae-SP e a distribuidora Benassi, inicia na Sexta-feira Santa. Utilizando o título “Saborosa Brincadeira”, a promoção será realizada durante dez dias em 20 lojas da rede Pão de Açúcar em São Paulo. Participam os produtos do projeto Fruta Paulista, que capacita 400 agricultores. O consumo de frutas por habitante no Brasil é baixo – 62 kg – se comparado com o de países europeus – 107 kg – e à grande diversidade disponível.

Crise de valores
Reflexão sobre os impasses provocados pela crise de valores em diferentes áreas, como Educação, dignidade e amor é o que pretende a filósofa e psicanalista Samanta Obadia no livro Pessoas, Palavras, Valores – Elos em Construção (Letra Capital, 96 páginas, R$ 25). O lançamento no Rio de Janeiro será dia 7 de maio, às 19h, na livraria DaConde (R. Conde de Bernadotte, 26, loja 135, Leblon).

Ação
Valeria Valenssa, a eterna Globeleza, fará doações, nesta quarta, às 15h, ao Hospital Mario Kroeff. Serão latas de leite que foram oferecidas por convidados à festa de aniversário de seus dois filhos, de cinco e seis anos, em substituição a presentes para os meninos. Quem desejar fazer doações ao hospital, o endereço é Rua Magé 326, Penha Circular, RJ, telefone (21) 2226-6332.

Cooperação
Pesquisas sobre equidade tributária e distribuição de renda; avaliação do Simples; desenvolvimento de modelos de previsão da arrecadação tributária; e análise sobre novas fontes de riqueza e tributação serão realizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pela Receita Federal, que assinaram acordo inédito de cooperação. Em 45 anos do Ipea, é a primeira parceria de com o Leão. Os primeiros resultados dos estudos serão divulgados ainda neste ano.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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