Qual a letra da crise: V, U, L...?

Roubini analisa que, se não forem tomadas as medidas necessárias, será ladeira abaixo.

Fatos e Comentários / 17:47 - 3 de abr de 2020

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Economistas debatem qual a profundidade da atual crise econômica e qual será a velocidade em que o mundo sairá dela. Há os que acreditam no gráfico em V (forte queda, seguida de rápida recuperação). Há os que apostam no U (forte queda, seguida de um tempo no fundo do poço, para posterior saída em igual velocidade). Há os que preveem uma crise em forma de L (forte queda, seguida de um bom tempo de estagnação).

Pois Nouriel Roubini, economista norte-americano, professor na Stern School of Business da Universidade de Nova York, o cenário se apresenta como um I: uma linha vertical em que os mercados financeiros e a economia real estão em forte queda.

Roubini – que ganhou o apelido pejorativo de “doutor catástrofe”, quando falava da quebra dos mercados, e reconhecimento após 2008, pois estava certo – lembra que, na Grande Depressão e na Crise de 2008, as bolsas de valores caíram 50% ou mais, os mercados de crédito congelaram, as grandes falências se seguiram, as taxas de desemprego subiram acima de 10%, e o PIB se contraiu a uma taxa anualizada de 10% ou mais. Mas tudo isso levou cerca de três anos para acontecer. Na crise atual, tudo ocorreu em três semanas.

Uma crise ainda pior que a de 1929, porém, não é uma certeza. O professor lista três pontos que são fundamentais:

Controlar a crise de saúde

Forte atuação dos governos e bancos centrais, com medidas “fora da caixa”: juros zero ou negativos, dinheiro e crédito fartos

Estímulos fiscais, inclusive “jogando dinheiro de helicóptero”, levando os déficits fiscais de 2%-3% para 10% ou mais (com a ressalva de que o déficit deve ser monetizado, ou seja, dinheiro na praça; se virarem dívida pública, os juros vão subir, e a recuperação será estancada)

Roubini elege também um trio de riscos:

Pandemias não contidas

Arsenais de política econômica insuficientes

Cisnes brancos geopolíticos (oposto aos “cisnes negros”, eventos imprevisíveis, os “brancos” são o resultado previsível de vulnerabilidades econômicas e financeiras acumuladas e erros de política)

O trio seria suficiente para levar a economia global a uma depressão persistente e a um colapso descontrolado do mercado financeiro. “Após o crash de 2008, uma resposta forte (embora atrasada) afastou a economia global do abismo. Podemos não ter tanta sorte dessa vez”, finaliza Roubini.

 

Socialismo de mercado

Com desvios de materiais médicos em troca de pagamentos 3 a 4 vezes maiores que os acordados, a China está ajudando os EUA a dar uma aula de capitalismo selvagem.

 

Turismo

O professor Bayard Boiteux lançou em sua página no Facebook a versão digital de seu novo livro: Opiniões e pensamentos de um sonhador. A obra traz artigos publicados nos últimos seis 6 anos em vários veículos que podem servir como subsídios para políticas públicas e privadas de turismo e uma série de pensamentos que podem nos ajudar a refletir sobre sentimentos como amor, amizade, felicidade, melhor idade, entre outros.

Boiteux diz que é a primeira vez que mistura num livro razão e emoção. A publicação pode ser adquirida na página da CRV Editora. Trata-se do 36º livro de Bayard, e os valores das vendas serão destinados a entidades sociais. O lançamento do livro impresso – se a quarentena do coronavírus deixar – deve acontecer no segundo semestre.

 

Gripezinha

O presidente disse que a pandemia não seria tão ruim porque estamos acostumados a doenças, porque é quente, porque nossa população é jovem. No Equador. Onde corpos estão sendo largados ou queimados nas ruas por falta de capacidade de enterrar.

 

Rápidas

Idealizado por Ediana Avelar, coordenadora de Publicidade da UVA, Campus Tijuca, profissionais e estudantes da área da comunicação terão acesso, até o final de junho, a lives dentro do projeto Media Lab Talks, produzido pelo professor Carlos Eduardo Ribeiro e apoiado pelo Laboratório de Promoção, Eventos e Live Marketing, coordenado pela professora Ana Cristina Rosado. É só acessar o canal no YouTube *** Um grupo de mais de 70 autores participa da manifestação antifascista Ato poético - Poemas pela democracia, livro lançado pela editora Oficina Raquel.

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