Quarta-feira foi promissora

Reino Unido vendeu títulos com taxa de juros negativa pela primeira vez; BoE não descarta adoção de juros negativos.

Opinião do Analista / 10:15 - 21 de mai de 2020

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Em dia de feriado prolongado em São Paulo, até que os mercados se comportaram de forma brilhante, até por conta do espectro da divulgação da ata da última reunião do Fed, que contaria com a visão dos membros sobre os problemas introduzidos pela Covid-19 se alastrando pelo mundo. A isso temos que juntar todos os problemas relacionados ao Brasil e suas confusões políticas e o depoimento de que a família Bolsonaro teve informações antecipadas da Polícia Federal.

No mercado externo, o Reino Unido vendeu títulos (GILTs) com taxa de juros negativa pela primeira vez, ao mesmo tempo em que o BoE (o BC inglês) não descarta a adoção de juros negativos, dizendo estar estudando o que aconteceu em outros países. O BoE também anunciou que vai expandir a flexibilização monetária em 100 milhões de libras, após dado de inflação baixa. A Alemanha anunciou que vai comprar 25% da aérea Lufthansa para salvar a empresa, e na Coreia do Sul o governo e o banco central vão comprar US$ 8,16 bilhões em dívida corporativa.

Nos EUA, vários dirigentes falaram ao longo do dia e todos reforçando a necessidade de mais medidas fiscais para a economia, e mais atuação também do Fed. Segundo Kaplan do Fed de Dallas, a taxa de desemprego deve chegar no final do ano em 10%, mas pode atingir em 2020 cerca de 20%. Já James Bullard, do Fed de St. Louis, declarou que a quarentena prolongada pode causar crise financeira e aumenta o risco de depressão. Bullard não acredita em recuperação em "V" para a economia americana.

O Senado americano votou lei que pode forçar empresas chinesas a saírem do mercado americano e o Alibaba Group registrou queda. Além disso, o secretário de Estado, Mike Pompeo, disse que vão responder apropriadamente aos chineses sobre o risco que o Partido Comunista representa, enquanto a China pediu que os EUA rompam laços com Taiwan e não interfira nos assuntos da China.

A Ata do Fed esgotou o tema da crise da Covid-19 dizendo que isso causa tremenda dificuldade humana e econômica com forte declínio da atividade afetando as condições financeiras. Bateu forte também sobre a atividade, emprego e nível de preços. Segundo avaliação a queda de PIB do segundo trimestre será sem precedente e reforça mais medidas fiscais para apoiar a economia. A ata indica que os programas implementados ajudaram no mercado de crédito e mercado de capitais, mas identificam forte contração da atividade e dos investimentos.

Os mercados não reagiram muito à divulgação da ata, mas mantiveram o processo de alta. Ainda nos EUA, os estoques de petróleo encolheram na semana passada, o que garantiu a manutenção do rali de preços do óleo no mercado internacional e ajudou na alta da Petrobras. O petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 4,91%, com o barril cotado a US$ 33,53. O euro era transacionado em alta para US$ 1,098 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,69%. O ouro e a prata operando em alta na Comex e commodities agrícolas com comportamento mais para positivo na Bolsa de Chicago.

No cenário doméstico, tivemos as declarações trágicas de Bolsonaro e também do ex-presidente Lula sobre a Covid-19, com piadas do Bolsonaro justamente no dia de recorde de óbitos. Já a Câmara votou o adiamento das provas do Enem, mesmo com o Inep dizendo que vai adiar por 30-60 dias. Rodrigo Maia disse que não pode acreditar nesse ministro.

O BC anunciou que o fluxo cambial até dia 15 ficou positivo em US$ 2,3 bilhões (fluxo financeiro negativo em US$ 0,9 bilhão), acumulando em 2020 fluxo ainda negativo em US$ 10,4 bilhões. As perdas com operações de swap cambial no período estão em R$ 27,7 bilhões e a posição cambial líquida em US$ 300,6 bilhões.

No mercado, dia de DIs com comportamento de alta e dólar com desvalorização de 1.17% no encerramento, cotado a R$ 5,689. Na Bovespa, na sessão de 18 de maio, mas saída de recursos de investidores estrangeiros no valor de R$ 110,5 milhões, deixando maio negativo em R$ 8,4 bilhões e o ano também com saídas liquidas de R$ 77,8 bilhões.

No mercado acionário, dia de alta de 1,08% em Londres, Paris com +0,87% e Frankfurt com +1,34%. Madri e Milão com altas de respectivamente 1,13% e 1,05%. No mercado americano, o Dow Jones com +1,52% e Nasdaq com +2,08%. Na Bovespa, dia de alta de 0,71% e índice em 81.319 pontos.

Na agenda desta quinta, aqui teremos a confiança da indústria em maio pela FGV e muitos indicadores nos EUA. O índice de atividade industrial de Filadélfia, índice de indicadores antecedentes, PMI da atividade e os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior, além de vários discursos de dirigentes do Fed.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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