Quase 50% dos internautas busca informações online antes de comprar em loja física

Dados de pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional...

Conjuntura / 15:22 - 29 de ago de 2017

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Dados de pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais do país mostram que 47% dos consumidores com acesso à internet assumem o costume de sempre fazer pesquisas online antes de concretizar uma compra em loja física. Os tipos de informações mais buscadas são os preços (30%), os detalhes e as características dos produtos ou serviços (12%) e a opinião de outros clientes (5%). Apenas 13% dos entrevistados compram em lojas físicas sem fazer qualquer consulta prévia no ambiente online. Outros 40% recorrem à consulta eventualmente, a depender do tipo de produto ou serviço a ser adquirido.

Os celulares (59%) são os que mais geram pesquisas eventuais na internet antes de se efetivar a compra na loja física. Em seguida aparecem os eletrodomésticos (54%), eletrônicos (50%) e acessórios para celulares, tablets e computadores (25%). Os livros são citados por 19%, assim como as viagens. Itens de vestuário, calçados e acessórios, como bolsas e cintos têm 17% de menções.

Os sites que oferecem ferramentas de comparação de preços e de características dos produtos são os mais procurados pelos internautas (62%) nessas horas, seguidos pelos sites que mensuram o índice de reclamação de determinada marca ou produto (54%). As lojas online de grandes varejistas e os sites ou aplicativos de marcas concorrentes são consultados por 50% e 35%, respectivamente. As redes sociais (23%) e os blogs especializados (20%) completam a lista dos mais acessos na busca por referências.

Se consultar a internet antes de realizar uma compra em lojas físicas tornou-se um hábito do internauta brasileiro, o inverso também acontece, embora em uma proporção menor. Quase um quarto dos internautas (23%) sempre visita uma loja física antes de adquirir um produto pela internet. Nesses casos, os itens que os entrevistados mais procuram ver presencialmente são eletrodomésticos (48%), eletrônicos (47%), celulares (44%), vestuários e calçados (25%) e perfumes e cosméticos (18%).

- Cada vez mais os consumidores se utilizam da internet não apenas para adquirir produtos e serviços, mas também para comparar, informar-se e buscar a opinião de outros compradores, pesquisando a reputação das marcas e lojas. Esse processo vem ocorrendo já há algum tempo e já alterou profundamente o equilíbrio de forças entre lojistas e clientes. As lojas físicas precisam ficar atentas as necessidades dos clientes, que são multicanais. Ou seja, transitam simultaneamente por plataformas virtuais e físicas - afirma o presidente do SPC, Brasil Roque Pellizzaro Junior.

O estudo revela também, em detalhes, em que circunstâncias as lojas físicas ganham a preferência do consumidor e em quais momentos a compra virtual se sobressai. No geral, a internet é o meio preferido de 60% dos internautas na hora de fazer compras, enquanto 14% ainda preferem as lojas físicas e 26% se dizem indiferentes.

Dentre os que tem preferência pelo ambiente online para fazer compras, mais da metade (55%) justificam ter a impressão de que os produtos tendem a ser mais baratos na internet do que nas lojas físicas. Outras razões ainda mencionadas são a comodidade (51%) e a rapidez (26%). Já os que preferem comprar em lojas físicas argumentam que, dessa maneira, evitam, decepções com o produto, pois veem tudo pessoalmente (49%). A satisfação de ter o produto em mãos imediatamente após a compra é citada por 43% desses entrevistados e 35% gostam de aproveitar a compra como momento de lazer.

Para 79%, preços das lojas virtuais são melhores do que os das físicas e 79% disseram que há mais comodidade quando se comprar pela internet. O ambiente online também se sobressai quando os entrevistados respondem sobre a maior variedade de produtos (70%), disponibilidade de informações (61%), possibilidade de personalização da compra (61%), rapidez na aquisição (60%), facilidade para escolher produtos (60%) e melhores formas de pagamento (47%).

O quadro, contudo, se altera no momento em que os consumidores refletem sobre a segurança e o pós-venda. Neste caso, 38% apontam o predomínio das lojas físicas quando se analisa a qualidade do relacionamento que se estabelece entre lojistas e clientes (38%) e a facilidade de realizar eventuais trocas (69%). Além disso, 50% se sentem mais seguros e menos ansiosos quando fazem compras físicas do que virtualmente.

- As lojas físicas precisarão investir cada vez mais na qualidade do tempo que o cliente passa dentro delas, oferecendo meios mais criativos de testar os produtos, por exemplo. O grande diferencial ainda é o aspecto material e sensorial. Ou seja, a possibilidade de ver, trocar, experimentar. Ao mesmo tempo, o atendimento deve ser de qualidade, com vendedores tecnicamente bem preparados, capazes de aconselhar e tirar dúvidas dos compradores - afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

A pesquisa ouviu 673 internautas de ambos os gêneros, acima de 18 anos e de todas as classes sociais das 27 capitais. Em seguida, continuaram a responder o questionário 611 casos, que fizeram alguma compra ao longo dos últimos 12 meses. A margem de erro é de 3,4 pontos a uma margem de confiança de 95%.

 

Mobiliário é o item mais procurado nas compras do setor de eletros via consórcio

Outro estudo, feito pela Assessoria Econômica da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), com suas associadas que atuam no setor de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, apontou que a utilização dos créditos em mobiliários, como sofás, camas, jogos para cozinhas e armários, é a mais procurada por 39% dos contemplados.

Na sequência, vieram os eletrodomésticos da linha branca, como lavadoras de roupas, refrigeradores e fogões, com 28%. Logo após, com 21%, ficaram os eletroeletrônicos como notebooks e aparelhos celulares de última geração. Os restantes 12% incluíram outros tipos de bens como, por exemplo, bicicletas elétricas e instrumentos musicais.

Ao analisar o cenário de 24 meses, de julho de 2015 a junho de 2017, período em que a forte crise econômica provocou reformulação e reavaliação nas decisões do consumidor, foi possível observar que seu comportamento apresentou novas preferências de compra.

Se há pouco mais de dois anos, os eletrodomésticos tinham 36,5% de presença e há um ano mantinha-se em 36,3%, em junho último caiu para 28%. No sentido inverso, o mobiliário, que tinha 24,9% em julho de 2015 e há 12 meses havia crescido para 30,6%, neste último levantamento atingiu 39%.

Paralelamente, os eletroeletrônicos mostraram reduções seguidas, retraindo-se de 29,8%, em julho de 2015, para 22,8% há um ano e chegando aos 21% recentemente. Os demais produtos, incluídos no item "outros" oscilou positivamente, partindo de 8,8% (jul de 2015) para 10,3% 12 meses depois e atingiu 12% este ano.

Vale notar que a comercialização de novas cotas cresceu nesse período. Se em 2015 totalizou 13,05 mil e no ano passado chegou aos 15,08 mil, só em seis meses deste ano já acumulou 8,9 mil, com projeção para 17,8 mil até dezembro, mantendo-se o mesmo ritmo das vendas.

- As razões para essas mudanças na escolha de tipos de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis prenderam-se a várias situações pessoais e familiares que incluíram os remanejamentos orçamentários levando, assim, o consorciado a priorizar um ou outro produto, de acordo com seu novo perfil de consumo. Porém, ficou claro que o consórcio, com o crescente número de adesões, continua sendo o mecanismo escolhido quando o objetivo é adquirir bens dessa natureza, com planejamento financeiro, que é a essência do consórcio, parcelas acessíveis ao orçamento mensal e a certeza do cumprimento das obrigações assumidas, com foco nos conceitos da educação financeira - diz Paulo Roberto Rossi, presidente-executivo da Abac.

 

Homens x mulheres - Dos pouco mais de 26 mil participantes ativos registrados em junho, a pesquisa destacou 47% de presença masculina contra 44% da feminina. As pessoas jurídicas totalizaram 9%.

Em outra pesquisa, feita pela Quorum Brasil a pedido da Abac no início deste ano, foi possível observar o quanto as mulheres representam para a modalidade, face o conhecimento que têm sobre educação financeira. Entre as particularidades femininas estão o hábito de poupar mais que os homens, investir em longo prazo, gostar de coisas simples e claras, além de se comprometer com marcas.

Por serem responsáveis pela economia doméstica em 32% dos lares e empreendedoras de negócios em casa, elas buscam o crescimento do nível de educação, voltando a estudar em maior número que os homens. Ao mostrarem aversão ao risco, justificam o equilíbrio de presença no consórcio, especialmente no de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis.

Com custo menor, parcelas acessíveis ao bolso e prazos mais longos, o consórcio confere ampla liberdade e flexibilidade, quando da contemplação, de escolha e aquisição de bens e produtos nessa categoria.

Um aspecto respeitável, destacado pela pesquisa da Quorum Brasil, foi o percentual de consorciados que programaram suas compras no setor de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis: 62%. Este percentual é a comprovação de que a compra por impulso foi substituída pelo planejamento e consumo consciente.

- “A crescente procura demonstra que o consumidor, com foco na cidadania financeira, tem gerido seu orçamento com prudência e responsabilidade - diz Rossi.

Os créditos e as parcelas são corrigidos de acordo com as regras estabelecidas no contrato de adesão.

- Isto permite ao consorciado manter seu poder de compra e, após a contemplação e com o crédito em mãos, usar seu poder de barganha e obter de descontos de quem paga à vista.

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