Quatro em 10 brasileiros pretendem pedir crédito nos próximos 90 dias

Intenção atingiu maior patamar desde junho de 2021; dívidas são o principal motivo.

De acordo com a última edição do Índice FinanZero de Empréstimo (IFE), que entrevistou 500 pessoas com acesso a internet em todo o Brasil, no período de 29 de abril a 3 de maio, 46% dos entrevistados disseram que têm a intenção de solicitar empréstimo para os próximos 90 dias, porcentagem que atingiu o maior patamar dos últimos 11 meses. Desde o início de junho de 2021, essa é a maior intenção de pedidos de empréstimos. Além disso, quando comparado somente com o mês passado, a intenção de tomar empréstimo também cresceu e somou 47%.

Segundo pesquisa realizada em março pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), 77,5% das famílias possuem algum tipo de dívida, seja por conta de cartão de crédito, cheques, financiamentos ou carnês.

O impacto da inflação nas famílias brasileiras faz com que muitos peçam empréstimos para equilibrar o orçamento. De acordo com a Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), a taxa média de juros subiu para 114,59% ao ano em março de 2022. Em janeiro de 2021, essa mesma taxa era de 92,59%.

Ainda segundo o índice, 34,5% dos entrevistados revelaram que a quitação de dívidas é a principal razão para os pedidos de empréstimo.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o saldo total da carteira de crédito deverá seguir em expansão em abril, com alta estimada de 0,8%, melhor resultado para o mês desde 2013 (+0,9%). Com isso, o ritmo de expansão anual poderá chegar a 16,5%, mostra a Pesquisa Especial de Crédito da entidade. Mais uma vez, o crescimento no mês deve liderado pelas operações com recursos livres (+1,2%), com destaque para o crédito destinado às famílias.

A Pesquisa de Crédito da Febraban é divulgada mensalmente como uma prévia da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central e as projeções são feitas com base em dados consolidados dos principais bancos do país, que representam de 38% a 88% do saldo total do Sistema Financeiro Nacional, dependendo da linha, além de outras variáveis macroeconômicas que impactam o mercado de crédito.

De acordo com a pesquisa, a maior alta deve vir do crédito livre às famílias, que deve registrar expansão de 1,6% em abril, o melhor resultado para o mês desde 2009. Para as empresas, o crescimento deve ser de 0,7%, beneficiado pelas linhas ligadas ao setor externo, diante do maior volume de exportações (além da depreciação cambial do mês). Por outro lado, a sazonalidade negativa das linhas relacionadas ao fluxo de caixa (desconto de duplicatas) deve conter em parte a expansão da carteira. Com mais um bom resultado, o ritmo de expansão anual da carteira livre deve chegar a 21,2%.

A carteira direcionada deve ficar praticamente estável (+0,1%) em abril, novamente refletindo um desempenho desigual entre os segmentos. A carteira Pessoa Física (+0,4%) deve seguir impulsionada pelos créditos rural e imobiliário, enquanto a carteira Pessoa Jurídica (-0,4%) deve seguir perdendo tração na esteira de redução dos programas públicos de crédito.

Devido à sazonalidade negativa no mês de abril na carteira de crédito Pessoa Jurídica e ao menor número de dias úteis ante março, as concessões de crédito devem apresentar retração mensal de 13,5% em abril. Entretanto, quando ajustado por dias úteis, o volume de concessões deve ficar estável (+0,1%). Na visão acumulada em 12 meses, o crescimento das concessões deve mostrar ligeira acomodação ante a estimativa para março, de 26% para 25,4%, mas ainda permanecendo em um patamar bastante elevado, demonstrando resiliência do volume de novas concessões, mesmo com o aumento da taxa Selic. As concessões para as famílias devem avançar 8,5% na média por dia útil, com expansão liderada pelas linhas voltadas ao consumo, como o cartão de crédito e o crédito pessoal. Já o volume de concessões para as empresas deve retrair 8,3% (ajustado por dias úteis), com expectativa de desempenho negativo em ambas as fontes de recursos. As operações com recursos livres devem ser negativamente afetadas por questões sazonais (linhas relacionadas ao fluxo de caixa), enquanto as operações com recursos direcionadas devem seguir perdendo ímpeto com a redução dos programas públicos.

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