Que responsabilidade?

As arapucas deixadas por alguns dos prefeitos que saem para os que entram não constituem apenas exemplo clamoroso de ausência de espírito público. Para além de práticas, não raro criminosas, servem ainda para reafirmar que a mal nomeada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) deveria ser urgentemente rebatizada, para algo como Lei Para Priorizar o Pagamento de Juros. Além de racionalizar o corte de investimentos prometidos ao eleitorado até poucos dias antes da posse, a LRF não permite o enquadramento em um só dos seus artigos de prefeitos de mentalidade patrimonialista e que confundem interesses privados com os interesses do público.

Anódino
Após 12 anos à frente da Prefeitura do Rio – 16, se na herança legada forem incluídos os quatro anos de Luiz Paulo Conde – Cesar Maia (DEM) deixa o Palácio da Cidade com uma marca difícil de ser repetida em mandato tão longo: a ausência de qualquer característica marcante pela qual seu governo possa ser lembrado, por exemplo, daqui a 50 anos, distante das paixões políticas.

Cartucho vazio
Na verdade, a grande novidade trazida por Cesar foi importar para terras tupiniquins o factóide como modus operandi, prática já amplamente utilizada no exterior. Tal forma de substituir ações e gestos por propaganda ilustrada por fotos e/ou imagens, porém, embute uma limitação de origem: a adesão acrítica da imprensa, que, no geral, deu ampla cobertura ao alcaide, o que lhe permitiu conciliar pedidos de sorvete em açougue com a ausência completa de críticas a um sistema de saúde já em pleno processo de sucateamento.
Rompida a aliança com a imprensa que o sustentou, Cesar, sem realizações e sem quem repercutisse os factóides que as substituíam, transita para o patético, como mostrou sua melancólica saída do cargo, fugindo, inclusive de participar da posse do seu sucessor, quando vaias, ou pior ainda, indiferença, emoldurariam seu medíocre e interminável governo.

No sangue
Eduardo Paes não disfarça seu DNA tucano e começou a gestão na Prefeitura do Rio arrochando o funcionalismo público. Resta agora ver o que ele vai tentar privatizar.

Tiro no pé
A investida do novo prefeito contra o funcionalismo mereceu comentário do ex, Cesar Maia, em seu – agora com nome ainda mais adequado – Ex-blog: “Servidor público é capital, não é custeio!” Filho de servidor “concursado para o Dasp em 1937”, Maia afirma que “os que, quando pensam em reduzir despesas, olham para a folha de pagamentos, equivocam-se redondamente, e sempre o que produzem é uma queda de produtividade e aumento do custo unitário”.

Futuro
A Nova Cedae, companhia de saneamento do Rio de Janeiro, inicia nesta segunda-feira as obras do Novo Sistema de Distribuição de Água de Marques Maneta, no Município de São Gonçalo, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “O mais importante é que a companhia estará atuando para resolver problemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário em áreas importantes do Estado do Rio, olhando 20 anos para o futuro”, enfatiza o presidente da Nova Cedae, Wagner Victer. Nesta primeira fase serão beneficiados aproximadamente 200 mil habitantes.

Residência
O Hospital Pró-Cardíaco oferece inscrições para duas vagas no Programa 2009 de Residência Médica em Medicina Intensiva e Cardiologia, que terá duração de dois anos. Médicos com residência completa ou com dois anos de residência comprovados podem inscrever-se, na Rua General Polidoro 192, Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, até dia 5, para o processo seletivo, que terá três fases eliminatórias. A taxa de inscrição custa R$ 150. Para se inscrever, é preciso levar um foto 3 x 4, cópia e original da carteira de identidade e do CPF; cópia e original do CRM; comprovante de pagamento da taxa de inscrição; cópia e original do certificado ou declaração de conclusão do Programa de RM, em instituição credenciada pela CNRM.

Leão folgado
Essa coluna recebeu reclamações de vários leitores sobre o fechamento dos postos da Receita Federal nos dias 29 e 30. Mesmo quem tinha consulta agendada bateu com a cara na porta.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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