Quebra de contrato

A revelação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que é contrário à devolução aos correntistas brasileiros do dinheiro que lhes foi tungado pela não-correção devida pelo Plano Bresser contraria documento emblemático do governo ao qual pertence: A carta aos brasileiros. Nele, o então candidato Lula prometia com todas letras respeitar contratos. Falta, agora, o presidente e o ministro esclarecerem se tal profissão de fé se restringe ao capital, sendo vedada ao trabalho.

Atração
Um mantra do “mercado” é repetido constantemente nestes tempos de real turbinado: o governo não pode intervir na queda do dólar, o câmbio é livro, “flutua mesmo”. A realidade não é bem assim. O governo já intervém no câmbio – só que para manter o real artificialmente valorizado. A ação do BC e da Fazenda se dá em pelo menos duas frentes: ao manter os juros reais entre os mais altos do planeta e ao isentar os especuladores que falam inglês de impostos cobrados de quem tem o azar de morar e manter seu dinheiro em Pindorama.
O resultado dessa intervenção do governo é de rios de dólar correndo para o porto (ainda) seguro dos títulos e ações brasileiros, com a garantia de que não haverá qualquer controle – além da ausência de reservas – quando alguém gritar que é hora de fugir.

Jogo
O Brasil perde quando paga juros estratosféricos; perde (ou deixa de arrecadar) quando concede isenções fiscais a estrangeiros; e perde novamente quando financia apostas contra o dólar via swap cambial. Algum sortudo deve ganhar.

Reprise
O filme do populismo cambial passou no Brasil não faz muito tempo; aliás, não se passou nem uma década. No final, todos já sabem, o mocinho perde.

ISO
A saúde dos brasileiros vai mal, mas pelo menos a administração do setor é reconhecida no exterior. A Pronep, empresa brasileira de soluções em saúde, é a primeira de internação domiciliar fora dos Estados Unidos a receber a certificação de qualidade pela Joint Commission International. O selo, chamado “Acreditação”, equivale a um ISO para as empresas de saúde. Para comemorar, a Pronep lança o livro Governança Corporativa em Saúde – receita de qualidade para as empresas do setor, pela editora Mauad.

Nada a declarar
Em depoimento nesta quarta-feira na Assembléia Legislativa do Rio, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, cujo escritório atuou na recuperação da Varig Logística (VarigLog), disse desconhecer o assunto e alegou sigilo profissional para não responder grande parte das perguntas feitas pelo presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o processo de venda da Varig, deputado Paulo Ramos (PDT).
Informações sobre a venda da Varig para a Gol, tais como o valor da transação e o uso de informações privilegiadas, eram respondidas quase da mesma forma: “Ainda que todos os jornais noticiem, que todos saibam, eu não direi nada que esteja vinculado ao meu dever de sigilo”, dizia Teixeira.

NY
Embora sua posse ainda não tenha sido marcada, o futuro ministro do Futuro, Mangabeira Unger, pediu ao economista Mauricio Dias David, professor do doutorado em Ciência Política e Estudos Estratégicos da UFF, para representá-lo em seminário internacional da Organização das Nações Unidas, em Nova York, nos próximos dias 5 e 13. Na pauta, a discussão de estratégias nacionais de desenvolvimento.

Tropa de choque
A tentativa da mídia tucana de desqualificar as reivindicações dos estudantes que ocupam a USP não se limita ao recorrente papel de apagamento do contraditório. Ao epitetar os integrantes do movimento de “baderneiros”, “corporativistas” e “rebeldes sem causa”, esse tipo de imprensa busca mitigar o inevitável desgaste que se abaterá sobre o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), se enviar a tropa de choque para invadir o campus da USP.

Passado
Aliás, por seus atos como presidente da UNE, Serra recebeu qualificativos, da mesma imprensa que o hoje o protege, perto dos quais os hoje ocupantes da USP seriam considerados quase mauricinhos.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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