Queda de braço: Bradesco X Itaú

Duas instituições sólidas e proposta de valor similares. Decidir investir em ações do Itaú (ITUB4) ou do Bradesco (BBDC4) não é simples. Os dois apresentam sólidos resultados nos últimos anos e os mesmos riscos. Mas quem performou ou irá performar melhor? Para auxiliar o leitor a escolher sua carteira na hora de investir, o Monitor Mercantil, em parceria com a Sabe Invest, lança a coluna Queda de braço, que apresentará quinzenalmente os dados de duas empresas do mesmo segmento.

O setor bancário no Brasil ainda é bastante concentrado. Os cinco maiores bancos detêm 81% dos ativos do sistema financeiro, enquanto em países desenvolvidos, esse percentual não passa de 35%. As expressivas quedas de lucros observadas no último balanço, refletem os impactos da pandemia e da entrada de fintechs e bancos digitais no mercado.

Levantamento da Akamai Technologies com mais de mil correntistas de diversos bancos brasileiros constata que, em média, cada usuário tem conta em 2,3 instituições e hoje, 43% dos entrevistados possuem conta em bancos digitais, mais que o dobro dos 18% em 2019. Os bancos digitais são a conta principal de 14% dos entrevistados em 2020.

De acordo com os balanços de 2020, o Itaú tem ativos totais de R$ 2,0 trilhões, já o Bradesco possui R$ 1,4 trilhões. Em relação ao lucro líquido o Itaú ganhou R$ 19 bilhões contra R$ 17 bilhões do Bradesco. Olhando o ROE (retorno do acionista) há uma pequena diferença: Itaú com 13,9% e Bradesco com 11,5%. Os gráficos abaixo ilustram os desempenhos dos dois bancos.

Fonte: SABE

Fonte: SABE

Fonte: SABE

Raio-X

 

Tomando como base as ações preferenciais dos dois bancos: BRADESCO PN (BBDC4) e ITAU PN (ITUB4), o comportamento semelhante, tendo ambas se valorizado de forma expressiva no longo prazo (5 anos): BBDC4 com 179% e ITUB4 com 145%. Ambos os papéis ficaram abaixo do Ibovespa que valorizou 192% no mesmo período.

No curto prazo (1 ano), ambas as ações tiveram variações negativas: BBDC4 com -11% e ITUB4 com -12%, enquanto o Ibovespa variou positivamente 3%, bem acima dos dois bancos. Confira os desempenhos das ações no gráfico abaixo:

Em síntese, Bradesco e Itaú são duas sólidas instituições que competem há mais de 50 anos no mercado brasileiro com estratégias distintas, oferecendo bons retornos aos seus acionistas, embora em queda recente. Entretanto, pensando num cenário mais a longo prazo, apesar desse histórico de sucesso, a baixa histórica dos juros, que deve permanecer em patamares semelhantes no cenário brasileiro, deve impactar o desempenho dos bancos para frente. Entretanto, acreditamos que é muito cedo para decretar a extinção dos bancões brasileiros.

Luiz Guilherme Dias –  CEO da SABE Invest

[email protected]

Leia mais:

Apesar de lucros menores, analistas apostam em Itaú e Bradesco

Ford é proibida de alienar bens e maquinário em Taubaté

 

Artigos Relacionados

BTG reporta um primeiro trimestre forte

OBTG Pactual reportou nesta terça-feira seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2021. A instituição financeira apresentou lucro ajustado de R$ 1,197 bilhão, com...

Nos EUA, empresas mudam regras para beneficiar CEOs na pandemia

Executivos ganharam 29% mais, enquanto trabalhadores perderam 2%.

Teles investiram R$ 31 bi em 2020 e aumenta em 4,4% número de empregos

Grande parte do investimento é aplicada na instalação de fibra óptica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Conteúdo online voltado para o ensino e para ganhar dinheiro

Cada vez é mais possível aproveitar o conteúdo online para avanços desde a fluência do inglês das crianças a até aprender a operar como trader na bolsa.

Queda de faturamento atinge 82% dos MEI

Em Minas, 60% dos microempreendedores individuais formalizados na pandemia abriram o negócio por oportunidade.

Inflação oficial fica em 0,31% em abril

Grupo com alta relevante no mês foi alimentação e bebidas (0,40%), devido ao comportamento de alguns itens.

Manhã de hoje é negativa em quase todo o mundo

Em Nova Iorque, Dow Jones e S&P futuros cediam 0,10% e 1,04%, respectivamente.

Projeção da Selic é de 5% no final deste ano

Para o ano que vem, analista projeta 6,5%, dado o alerta do Copom sobre o ritmo de normalização após reunião de junho.