Queda em vendas do varejo paulistano em maio é de 67%

Apesar da alta sazonal de 5% puxada pelas vendas do Dia das Mães, medidas restritivas derrubaram o movimento.

São Paulo / 18:03 - 3 de jun de 2020

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Em maio, a queda média no movimento do comércio paulistano foi de 67% comparada a igual mês de 2019, de acordo com dados do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Pelo levantamento, o sistema de vendas a prazo teve queda de 57,5% no período. Já às vendas à vista registraram recuo ainda mais expressivo, de 76,4%.

Na comparação com abril, o resultado foi positivo, com alta média de 5%, sendo 7,6% no movimento de vendas a prazo, e 2,4% no de vendas à vista. 

A alta sazonal, comum à data, foi puxada pelo Dia das Mães, registrou um resultado um pouco melhor que a Páscoa, já que o consumidor teve a opção de comprar presentes em super e hipermercados e pelo comércio eletrônico.

Mas na comparação com maio de 2019, a queda foi brutal, segundo Marcel Solimeo, economista da ACSP, já que as lojas que tiveram que permanecer fechadas vêm perdendo sucessivamente as datas promocionais.

"E agora, com o início da flexibilização, elas estão tentando pôr a cabeça para fora para faturar um pouco no Dia dos Namorados, mas, no ritmo em que está, com o aumento do desemprego e a queda na renda, talvez nem isso."

Pesquisa da Kantar mostra que enquanto o brasileiro se aproxima do fim do terceiro mês da pandemia, a instabilidade da economia e o consequente efeito da crise impactam diretamente na renda e os hábitos de consumo são proporcionalmente afetados. À medida que a pandemia avança cresce a preocupação da população e, no caso do Brasil, a situação política e econômica faz com que os índices sejam maiores que a média global.

Com menos dinheiro para gastar, o planejamento financeiro se faz cada vez mais necessário, assim como o interesse pelos preços, descontos e promoções.

Desde o início do isolamento social, o varejo eletrônico tem apresentado crescimento entre os consumidores, com destaque para os domicílios com crianças. A realidade de uma quarentena com filhos em casa cria necessidades específicas que o e-commerce pode atender em diversos aspectos, fazendo desse público o mais inclinado a aumentar ainda mais as compras online no futuro. Esse comportamento indica uma oportunidade para as lojas virtuais, mesmo depois da pandemia.

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