Queda generalizada na indústria, no comércio e nos serviços

Crise só poupa agropecuária, com projeção de alta recorde no ano.

Conjuntura / 21:09 - 13 de jul de 2020

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Em relação a um ano atrás, os três grandes setores da economia – indústria, comércio e serviços – permanecem no vermelho. A indústria caiu 21,9%, o setor de serviços, 19,5%, e o varejo ampliado, 14,9%. Os cálculos foram feitos pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

A entidade também comparou o nível de atividade de maio com a de fevereiro, isto é, antes do impacto da Covid-19. Os percentuais de queda se mantêm nos dois dígitos: 21,2% na indústria, 18,8% nos serviços e 15,1% no varejo ampliado. “Isso mostra também que a pandemia tem efeitos intensos e disseminados, atingindo todos os setores, aqueles mais diretamente afetados pelo isolamento ou não”, analisa o Iedi.

Entre os ramos mais afetados, segundo dados do IBGE, a maior queda em maio frente a fevereiro, na série livre de efeitos sazonais, foi registrada pelo transporte aéreo: 78,6%. Em seguida vem a produção da indústria de bens de consumo duráveis, com uma retração de 69,5%. Serviços turísticos (queda de 66%) e vendas reais do comércio varejista de tecidos, vestuário e calçados (64,1%) completam os quatro piores.

Apenas um ramo conseguiu ficar no azul, o do varejo de supermercados, alimentos, bebidas e fumo. Em maio encontrava-se em um nível de receita real 8% acima daquele de antes do início da pandemia no Brasil.

A procura por alimentos, não só no Brasil, acelera o Produto Interno Bruto do (PIB) do agronegócio, que teve alta de 3,3% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2019, puxado principalmente pela alta de preços e por expectativas de maior produção, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Em março, com os primeiros impactos do confinamento, o PIB do agronegócio teve alta de 0,94%. Segundo o estudo CNA/Cepea, “a pandemia gerou um comportamento de alta nos preços de diversos produtos agropecuários” com “picos de demanda que impulsionaram os preços do arroz, da banana, do café e dos ovos”.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2020, dados atualizados em maio, está estimado em R$ 703,8 bilhões, 8,5% acima do obtido em 2019. O valor previsto é recorde desde que iniciou a série, em 1989.

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