Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados hoje mostram que os desdobramentos da tragédia de Brumadinho (MG) influenciaram o recuo de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre de 2019, na comparação com o último de 2018.
Após o rompimento da barragem da Vale, na Mina do Feijão, um pente fino nas mineradoras tem levado à paralisação das operações em diversas estruturas.
O levantamento revela ainda uma produção 6,3% menor do que a registrada no último trimestre de 2018 pela indústria extrativa, que é responsável pela retirada de matéria-prima da natureza para ser utilizada em outras indústrias. Na relação com o primeiro trimestre de 2018, a queda do setor foi de 3%.
O IBGE aponta que o desempenho foi impactado principalmente pela queda na extração de minérios ferrosos.
"A maior redução da indústria extrativa é a maior registrada desde o quarto trimestre de 2008, quando também houve recuo de 6,3%. A situação tem relação com a tragédia de Brumadinho e com a consequente paralisação de outras barragens", disse a gerente de contas nacionais do IBGE, Claudia Dionísio. A extração de petróleo e gás também teve desempenho negativo, embora menos expressivo do que a extração de minérios ferrosos.
Desde o rompimento da barragem em Brumadinho, a Vale já teve mais de 30 barragens interditadas em todo o estado de Minas Gerais. As paralisações ocorrem tanto por determinações judiciais como por decisões da Agência Nacional de Mineração (ANM) e da própria empresa. A revisão das condições de segurança das estruturas também tem levado a suspensão das operações em complexos de outras mineradoras.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Os dados do primeiro trimestre de 2019 apontam que, além da queda de 0,2% na comparação com o último trimestre do ano passado, houve um leve crescimento de 0,5% na comparação o primeiro trimestre de 2018.
Na perspectiva da produção, a indústria respondeu pela queda mais significativa. Houve uma recuo de 0,7% na comparação com o último trimestre do ano passado. Já são dois trimestres seguidos em queda. "Além da indústria extrativa, a indústria da transformação também teve desempenho negativo e é a que mais pesa dentro do total da indústria", disse gerente de contas nacionais do IBGE.
A agropecuária também teve recuo de 0,5%, enquanto os serviços cresceram 0,2%. "A parte dos serviços mais relacionada com a indústria como comércio e transportes tiveram efeitos negativos: ou desaceleram na comparação interanual ou ficaram em patamar negativo. Os destaques mais positivos ficaram por conta dos serviços mais correlacionados às famílias, como serviços imobiliários de aluguel e serviços de informação", acrescentou Claudia.
Crescimento depende de reformas e não de truques, diz Guedes
Ao comentar a queda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o desempenho negativo já estava previsto e que a volta do crescimento depende de reformas econômicas, e não de medidas de estímulo pontuais.
"Nós não vamos fazer truques ou mágicas", afirmou.
"As pessoas têm que entender que nós precisamos das reformas exatamente para retomar o crescimento", disse o ministro, na porta do ministério, após uma reunião com a bancada do partido Novo na Câmara. "Nós não vamos fazer truques nem mágicas, vamos fazer reformas sérias, com fundamentos econômicos", acrescentou.
Ao comentar as revisões para baixo sobre o crescimento do PIB para 2019, que vêm sendo feitas por economistas desde o início do ano, Guedes disse que após a eleição houve "um otimismo" em relação ao crescimento, devido à "potência da plataforma liberal", mas que houve a necessidade de ajustes devido à demora na aprovação da reforma da Previdência, que deve abrir caminho para outras mudanças estruturais.
"Esse sonho do crescimento está ao alcance das nossas mãos. É só implementar as reformas. Como demorou um pouco a implementação das reformas, as previsões foram revistas para baixo", disse.
O ministro se disse confiante de que a reforma da Previdência será aprovada ainda no primeiro semestre, o que deve dar um "horizonte fiscal de 10, 15, 20 anos", incentivando a volta dos investimentos.
Estímulos – Uma vez aprovada a nova Previdência, o governo deve trabalhar em prol da reforma tributária, afirmou Guedes, e também lançar uma série de medidas de estímulo para a economia.
Entre as medidas está o que chamou de "choque de energia barata", um novo pacto federativo para distribuição de recursos a estados e municípios e a liberação de saques no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
"Mas isso tudo exige reformas antes. Você não pode fazer voluntarismo com política econômica e levar o Brasil para o buraco", afirmou o ministro. "Nós temos que começar pelas coisas mais importantes. O voo da galinha nós já fizemos varias vezes", completou.
Com informações da Agência Brasil
















