Queda nas importações garante superávit na balança comercial

Operações com plataformas de petróleo não influenciaram os resultados em agosto.

Negócios Internacionais / 16:25 - 21 de set de 2020

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O saldo da balança comercial de agosto somou US$ 6,6 bilhões, elevando o superávit acumulado no ano para US$ 36,3 bilhões. O resultado positivo, como tem ocorrido ao longo do ano, é explicado pela acentuada queda nas importações que somaram US$ 102,040 bilhões (28,5% entre os meses de agosto de 2019 e 2020) e não por uma melhora nas exportações US$ 138,321 bilhões, que recuaram 9,8%. O resultado está bem longe do verificado em agosto de 2017, quando o superávit atingiu a US 48,085 bilhões.

No mês de agosto, as operações com plataformas de petróleo não influenciaram os resultados, mas, na análise do acumulado do ano, é importante separá-las. No caso das importações, a variação no acumulado até agosto em relação a igual período de 2019 registrou uma queda de 6,6% (com plataforma) e de 9,4% (sem plataforma). Para as exportações, a diferença é menor. Observa-se que o ritmo de crescimento no volume exportado desacelerou (2,2%) na comparação interanual do mês de agosto em relação aos resultados dos meses de junho e julho, quando os percentuais na variação ficaram ao redor de 11%.

O recuo nas importações entre agosto de 2020 e 2019 foi de 21,7%, menor do que o da comparação interanual do mês de julho (queda de 28%), mas mesmo assim foi alto e não permite concluir que os efeitos da desvalorização cambial estejam começando a ter um impacto significativo na queda das importações.

Os preços das commodities mantiveram o mesmo comportamento na série de comparação interanual mensal e recuaram 15,6% no mês de agosto. O volume exportado das commodities cresceu 14,3%, menos do que foi registrado na comparação dos meses de junho (30,2%) e julho (29,7%) entre 2019 e 2020. As exportações de não commodities continuaram em declínio e agosto registrou a segunda maior queda na comparação interanual (22,5%) após julho (27,4%). A desaceleração no ritmo de crescimento das exportações está associada, portanto, ao comportamento da commodities, que explicaram 67% das exportações brasileiras em agosto.

Em agosto, todos os 10 principais produtos exportados pelo Brasil foram commodities e explicaram 60% da pauta brasileira. Cinco produtos registram variação positiva: açúcar (107%); ouro não monetário (35%); soja (25%), carne bovina (16%); e farelo de soja (5,4%). A predominância dos produtos agropecuários está refletida nos resultados das exportações por setor de atividade.

O volume exportado da agropecuária cresceu (13,8%) na comparação entre os meses de agosto e 20,1%, entre o acumulado do ano. O setor extrativo registrou queda em agosto (1,1%), mas, entre o acumulado do ano até agosto de 2019 e 2020, aumentou 2,0%. O pior desempenho continua sendo o da indústria de transformação com queda de 5% na comparação interanual dos oito primeiros meses dos anos de 2019 e 2020. Após ter crescido 1,8% na comparação mensal de julho, o resultado do setor foi de estagnação em agosto. Ressalta-se que 45% das exportações da indústria de transformação são commodities.

 

Melão brasileiro é exportado para a China

O setor de frutas enviou a primeira carga de melão brasileiro para a China. Este é um dos destaques do boletim semanal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) no período de 14 a 18 de setembro, que traz o comportamento das principais atividades agropecuárias no período de pandemia.

De acordo com a publicação, as exportações de frutas nas primeiras semanas de setembro tiveram uma média diária de 5,9 mil toneladas, 42% a mais em relação ao mesmo período de setembro de 2019. O resultado é reflexo da demanda aquecida, câmbio favorável e retomada de voos.

Nos primeiros 15 dias deste mês, o estoque de Créditos de Descarbonização (CBios) na bolsa aumentou em 1,11 milhão e já são 8,10 milhões disponíveis, recorde de negociação com os distribuidores de combustíveis. A CNA divulgou nesta semana mais uma estimativa de Valor Bruto da Produção (VB), prevendo uma receita de R$ 823 milhões em 2020, alta de 13,7% em relação a 2019.

De acordo com o boletim divulgado pela CNA esta semana, o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária deve alcançar R$ 823 bilhões em 2020, um incremento de 13,7% frente a 2019. Tal resultado reflete um salto de R$ 81 bilhões (+18%) no VBP agrícola, e um crescimento de R$ 17,9 bilhões (+6,6%) no VBP pecuário. Tais estimativas estão baseadas nos dados de preço e produção disponíveis até agosto de 2020.

 

Apex organiza degustação virtual de vinhos

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) organiza, em parceria com a Vinexpo NY, o evento virtual “Brazil, a Sparkling New World”, no dia 1° de outubro de 2020. Os participantes do webinar poderão degustar diferentes estilos de espumantes brasileiros produzidos pelada Casa Valduga, Miolo, Garibaldi e o suco de uva da Organovita.

A degustação virtual será conduzida pelo especialista em vinhos Maurício Roloff, jornalista brasileiro que acompanhou de perto o desenvolvimento da indústria vinícola brasileira ao longo dos últimos 15 anos. E será moderada por Mary Lou Cummings, da equipe da Vinexpo New York.

A Vinexpo New York é o maior evento dedicado a vinhos e bebidas alcoólicas na América do Norte. A última edição, em 2020, contou com 275 expositores de 30 países e 2.200 profissionais do setor de vinho, principalmente importadores, distribuidores, vendedores, compradores e especialistas de e-commerce de 40 estados dos Estados Unidos e 7 províncias do Canadá.

O Brasil se destaca na produção de espumantes por ter um terroir e características de produção únicas que só se encontram no seu território devido ao clima e altitude. Esse ano, por exemplo, o país teve uma colheita histórica que certamente terá repercussões tanto no mercado interno como no externo”, comenta o gerente de Agronegócios da Apex-Brasil, Igor Bandão.

De 2015 a 2019, o Brasil exportou anualmente uma média de 3,1 milhões de litros de vinhos para o mundo, equivalentes a US$ 7,2 milhões. Nesse período, as exportações brasileiras de vinhos cresceram em média 12,4% por ano, principalmente para o Paraguai (64%), Estados Unidos (9%), Colômbia (6%), Reino Unido (4%) e China (3%).

Mais informações: portal.apexbrasil.com.br

 

Exportação de carne suína cresce 54,5%

Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que as exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 98,5 mil toneladas em agosto. Com este número, os embarques do setor superam em 89,2% o volume registrado no mesmo mês de 2019, com 52 mil toneladas.

A receita em dólar do setor também é positiva, com US$ 209,2 milhões, número que supera em 90,7% o saldo obtido no mesmo período de 2019, com US$ 109,7 milhões.

No saldo do ano (janeiro a agosto), as vendas de carne suína totalizaram 678,3 mil toneladas, volume 44,37% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, com 469,8 mil toneladas.

No mesmo período, a receita de exportações totalizou US$ 1,488 bilhão, número 54,5% superior ao registrado no mesmo período de 2019, com US$ 963,2 milhões.

A alta nas exportações é compensada com uma elevação prevista na produção interna de carne suína, mantendo em patamares estáveis a oferta para o mercado interno. O ganho em receita cambial reduz os fortes impactos causados pela alta dos grãos e pelos investimentos feitos para o enfrentamento da pandemia. As perspectivas positivas para o setor devem se manter nos próximos meses”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

A Ásia segue como carro-chefe das exportações do setor de suínos. Principal importadora da carne suína do Brasil, a China importou em agosto 50,7 mil toneladas, volume 168% maior em relação a embarcado no mesmo mês de 2019. Outro destaque foi Hong Kong, com 14 mil toneladas (+48%). No comparativo mensal, Vietnã assume o terceiro posto entre os importadores do produto brasileiro, com 9,5 mil toneladas em agosto (no ano anterior, importou menos de 800 toneladas no mesmo período). Cingapura também elevou suas compras, com 4,4 mil toneladas (+166%).

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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