Queda no preço da gasolina não chega ao motorista

Petrobras reduz preço da gasolina nas refinarias, mas motorista não vê: distribuidoras e postos elevaram sua fatia em mais de 10%.

953
Preço da gasolina - 25 a 31/1/2026 (elaboração Petrobras)
Preço da gasolina - 25 a 31/1/2026 (elaboração Petrobras)

A Petrobras reduziu o preço da gasolina nas refinarias em R$ 0,14 (queda de 5,2%) a partir de 27 de janeiro. Analistas, alegando a mistura de álcool e os impostos, calcularam que a redução dos valores na bomba ficaria na casa de R$ 0,08. Quando disso chegou ao consumidor? Por enquanto, nada.

Segundo o site da Petrobras, baseado em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio da gasolina ao consumidor final na semana de 18 a 24 de janeiro de 2026, antes da redução nas refinarias, era de R$ 6,33. Na semana de 25 a 31 de janeiro, após a diminuição dos valores nas bases da Petrobras, o preço médio nos postos continuava nos mesmos R$ 6,33.

A parcela da estatal caiu para R$ 1,80 (de R$ 1,90, preços arredondados); impostos federais e estaduais não mudaram (R$ 0,68 e R$ 1,57, respectivamente); o custo do etanol anidro, misturado à gasolina, caiu de R$ 1,06 para R$ 1,04. Por que os preços ao consumidor se mantiveram?

Aumentou a parcela da distribuição e revenda, que passou de R$ 1,12 para R$ 1,24 (+10,7%), saltando de 17,7% para 19,6% do valor final do combustível. Ou seja, distribuidoras e/ou postos se apropriaram da redução de preço praticada pela Petrobras.

Espaço Publicitáriocnseg
Preço da gasolina - 18 a 24/1/2026 (elaboração Petrobras)
Preço da gasolina – 18 a 24/1/2026 (elaboração Petrobras)

Em várias ocasiões, a presidente da estatal, Magda Chambriard, culpou a privatização da BR Distribuidora (herança do governo Bolsonaro) e as demais distribuidoras de combustíveis pelos altos preços dos combustíveis, por não repassarem aos consumidores as reduções feitas pela Petrobras. Isso afeta não só a gasolina, mas também o diesel.

De janeiro de 2025 a janeiro de 2026, a Petrobras reduziu o preço nas refinarias em pouco menos de 15%. O que aconteceu com os preços nas bombas? Segundo o Monitor de Preço de Combustível, estudo mensal elaborado pela Veloe em parceria com a Fipe, no recorte de 12 meses encerrados em janeiro de 2026, a gasolina comum ficou 2,3% mais cara. Nesse cálculo entram, além do valor cobrado nas refinarias, impostos (houve aumento do ICMS) e álcool (que também encareceu).

Quem roda pelo país percebe que os preços, deixados ao sabor do mercado e da concorrência, são cartelizados. Em bairros próximos ou pequenas cidades, os valores cobrados nos postos são absolutamente iguais (diferença, às vezes, só em postos de bandeira branca, não vinculados a uma distribuidora, que levantam preocupação sobre a qualidade do combustível).

Para mudar esse quadro, é fundamental a volta da Petrobras à distribuição (do poço ao posto), mas também é preciso parar de fingir que há livre mercado e estabelecer margens máximas para distribuidoras e postos.

China = EUA + UE

A corrente de comércio (importações + exportações) do Brasil com a China somou US$ 12,23 bilhões em janeiro de 2026. O valor é pouco inferior ao das transações com EUA e União Europeia somadas (US$ 13,01 bilhões).

Rápidas

A Fecomércio RJ e a Jucerja inauguraram posto de atendimento da Junta Comercial na Cinelândia, no Centro do Rio *** O artista carioca Pivetti participa da exposição Cromatismo: Alegoria das Cores, no Vogue Gallery BR, localizado no Vogue Square (RJ). A curadoria é de Fátima Simões *** A Strategy, empresa com 17 anos de atuação especializada em Gestão de Mudanças Organizacionais (GMO), anuncia a chegada de Augusto Archer como novo Chief Operating Officer (COO).

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg