Queda

A participação do Brasil no comércio mundial caiu de forma acentuada, especialmente na década passada. As exportações brasileiras chegaram a representar 2,37% das vendas do Mundo em 1950; em 1968 atingiram a participação mais baixa nas últimas cinco décadas (0,83%). Na década de 80 registraram recuperação, com taxas acima de 1%, abortada pelos anos neoliberais, quando voltaram a ficar abaixo de 0,9%. No ano passado, a participação das vendas brasileiras nas exportações do Mundo ficou em 0,88%.
As importações atingiram seu pico igualmente na década de 50: em 1952 representavam 2,33% das compras mundiais. Com a política de substituição de importações, a relação caiu para abaixo de 1% e atingiu seu nível mínimo (0,60%). A desastrada abertura collorida levou as compras brasileiras novamente para mais de 1% das importações do Mundo. A desvalorização do real em 1999 contribuiu para baixar a relação para 0,88%; ano passado subiu novamente, para 0,94%.

Líder
Imaginem os leitores desta coluna se um órgão do governo – digamos, o Ministério da Saúde – decidisse fazer uma licitação para compra de milhares de lanches para serem distribuídos aos pacientes nos hospitais. Imaginem que uma comissão técnica chegasse à conclusão de que o lanche ideal seria pão de forma com presunto; e, após ouvir os representantes da Saúde nos estados, optasse por fixar, na licitação, que o presunto teria de ser da marca Sadia. Imaginem ainda que a escolha da marca foi feita por um singelo critério: é campeã de consumo e portanto seria a mais aceita pelos doentes. Um absurdo?
Agora, substitua o Ministério da Saúde pelo da Educação, acrescente a Anatel e troque o objeto da licitação – em vez de lanches, micromputadores; no lugar da Sadia (que só entrou na história porque é líder de mercado) coloque a Microsoft. Pois é, a licitação fictícia existia, só que em outra área. Os responsáveis pela concorrência tentavam se cercar de pseudo-argumentos e jargões técnicos para esconder uma licitação dirigida que, em outros setores, seria um escândalo puro e simples.

ABC
A participação do Grande ABC no Valor Adicionado do Estado de São Paulo em 1994 era de 13,89% e caiu para 9,35%, no final de 2000, ou seja, tombou 32,69%, segundo a revista Livre Mercado, que circula há 11 anos na região. A publicação, com base em dados estatísticos e análises históricas, tem afirmado que o Grande ABC sofreu sério processo de desindustrialização nas duas últimas décadas, inclusive desde o lançamento do Plano Real. Um dos dados baseia-se nas pesquisas da Target, empresa especializada em medir potencialidades de consumo de todas as localidades brasileiras: entre 1991 e 2001, o Grande ABC perdeu R$ 2,5 bilhões de Potencial de Consumo, o que equivale a toda a riqueza acumulada pelo Município de Santo André.

Promessas…
E pensar que a segurança era um dos cinco dedos do outdoor manual de FH em sua primeira campanha para a presidência.

2001
Um combate mais que tecnológico será travado no próximo dia 13 entre robôs criados por alunos da Unicamp, USP, ITA e Efei. Na Guerra dos Robôs, as máquinas combaterão umas às outras até a destruição ou a inutilização da carcaça e dos sistemas computacionais. O último dos 12 rounds só terminará com um robô de pé. Por trás da guerra, o desenvolvimento da tecnologia de robótica e mecatrônica. O ringue será montado no Teatro de Arena da Unicamp e a luta começa às 16h30m.

Custo tucano
O mercado ainda não calculou o impacto sobre o déficit público da ação do governo para evitar a vitória do grupo de Itamar Franco na convenção do PMDB.

Primeira classe
Enquanto o salário do andar de baixo desaba ladeira abaixo, os rendimentos da turma de cima vai às alturas. Nos últimos 12 meses, o salário dos executivos brasileiros subiu quase três vezes mais que a inflação do período. Segundo pesquisa do grupo Catho, os diretores de empresas tiveram reajuste de 34,8% entre maio de 2000 e maio de 2001. Com isso, seu salário médio saltou de R$ 11.148 para R$ 15.026 no período. No mesmo intervalo, os salários dos gerentes subiram 17,35%, com o salário médio indo de R$ 5.974 para R$ 7.010. Os supervisores foram contemplados com aumento de 10,51%, vendo seu salário médio subir de R$ 3.987 para R$ 4.406. Já os analistas e engenheiros tiveram reajustes salariais médios de 9,45%, o que elevou o salário médio de R$ 1.992 para R$ 2,2 mil.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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