Quem define a credibilidade do governo?

Mercado se apega ao inexistente conceito de credibilidade do governo para tutelar eleitos e manter linha neoliberal

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Roberto Campos Neto (foto de Marcelo Camargo, ABr)
Roberto Campos Neto (foto de Marcelo Camargo, ABr)

Em evento no final da semana passada, o presidente do Banco Central, Roberto Campos, fez lobby pela manutenção do suicídio primário – digo, superávit primário, ou déficit zero, batendo na tecla que é preciso garantir a credibilidade do governo.

Credibilidade para quem, cara-pálida? (ops, será que este substantivo ainda pode ser usado?) Quem define a credibilidade do governo? O Ualter Mercado? Que tem seu dinheiro em jogo?

Qual a credibilidade do governo diante de seus eleitores? Porque o superávit primário não é um lançamento contábil ou um caminho técnico a ser seguido. Representa uma definição da política econômica, com forte impacto na economia e, portanto, na vida das pessoas.

Em um momento em que a economia começa a – novamente – patinar em meio aos maiores juros reais do planeta, com promessa de que cairão para módicos 8,75% daqui a 2 anos, a opção por um déficit primário igual a zero pode representar o suicídio político.

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Como essa coluna falou há alguns dias, a manutenção da agenda neoliberal, além de ser trágica para a economia, aprofunda o abismo político, reforçando o poder de Arthur Lira e do Centrão.

Se a pergunta sobre a credibilidade do governo for feita a seus eleitores – e mesmo aos que não votaram em Lula – a provável resposta seria: credibilidade garante quem cumpre as promessas de campanha e coloca o Brasil de volta ao caminho do desenvolvimento.

Renúncias fiscais crescem com liberal

Em 2022, ocorreu um aumento significativo de renúncias fiscais da União em relação a 2021. Foram R$ 581,5 bilhões, sendo R$ 461,1 bilhões de benefícios tributários e R$ 120,4 bilhões de benefícios financeiros e creditícios. O total registrado corresponde a 31,3% da receita primária líquida e 5,9% do PIB, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU).

O forte aumento ocorreu com Paulo Guedes, o liberal, na pasta da Economia (atual Fazenda). Quando assumiu o cargo, Guedes prometeu reduzir os benefícios fiscais.

‘Don’t cry for me’

A analogia não bebe na criatividade, mas não há como escapar: à beira do abismo, os argentinos deram um passo à frente. Não há como dizer que foi um passo no escuro; Milei já deixou claro que pretende destruir a Argentina que se conhece, e seus aliados de última hora só pioram a receita.

A reação do mercado financeiro também deixou bem claro com quem as elites estão.

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