Quem dá mais

A grande imprensa argentina acusa a presidente Cristina Kirchner de querer influir no resultado eleitoral ao apresentar proposta de reforma política que inclui a realização de eleições primárias, abertas e simultâneas para eleger candidatos presidenciais e deputados nacionais, além de restringir as pesquisas eleitorais. A crítica é cortina de fumaça para esconder a verdadeira causa da chiadeira da mídia: o projeto impõe a proibição de gastos de campanha privados nos meios audiovisuais.

Imoral
A taxa de juros para pessoas físicas atingiu seu menor nível em 15 anos, caindo ao – apenas extorsivo – patamar de 43,6% ao ano. Todavia, os juros cobrados pela indústria de cartões de crédito, no rotativo, são pornográficos: podem chegar a dez vezes mais que aquelas taxas. Na visão do presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, “os cartões de crédito estão tirando liquidez excessiva do mercado, levando uma enorme quantidade de consumidores à categoria de inadimplentes. Ou seja, extraindo preciosos recursos e tirando cidadãos do consumo”.
Pellizzaro acusa as empresas de cartão de terem “olhos somente para elas próprias, numa visão de curto prazo, e não com base em plano de sustentabilidade dos agentes consumidor, varejo, credenciadoras, bandeiras e emitentes”. Ele ressalta que limites precisam ser impostos e o modelo todo revisto.

Medalha de lata
Entre as muitas dúvidas que assaltam os cariocas em relação à realização das Olimpíadas na cidade em 2016, pelo menos uma não deveria esperar nove anos para ser respondida pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB): será que a Guarda Municipal voltará às ruas do Rio até o fim do ano? Ou será preciso esperar até 2016? Desde que substituiu a PM no controle do trânsito da cidade, a GM continua a praticar a modalidade “presença invisível”.

Acesso universal x lucros
Temas polêmicos como o patenteamento de biotecnologia, a relação entre propriedade intelectual e competição, qualidade versus trivialidade em patentes e conflitos entre o sistema de patentes e o acesso da população a medicamentos serão discutidos por especialistas brasileiros e estrangeiros no IV Seminário Internacional Patentes, Inovação e Desenvolvimento (Sipid), em 5 e 6 de novembro, em Brasília. Apoiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Agência Brasileira para o Desenvolvimento Industrial (ABDI), o evento é uma realização da Associação Brasileira da Indústria de Química Fina (Abifina). Detalhes sobre a programação podem ser obtidos em www.abifina.org.br

A culpa é do sistema
Foi parar na diretoria de Mercado de Capitais do Banco do Brasil o caso narrado aqui na véspera do cliente do Banco do Brasil que, após converter sua conta corrente e conta-salário, não consegue mais receber dividendos relativos a ações do BB, do qual é acionista, numa novela surreal que se estende há três meses. Apesar do mudança de hierarquia, o culpado habitual continua o mesmo: é o sistema. Espera-se que, em breve, quem manda no sistema consiga enquadrar esse recalcitrante.

“Viúvas” da Alca
Coincidência emblemática, os opositores mais renitentes do ingresso da Venezuela no Mercosul, com a consequente consolidação do bloco, são os mesmos que acalentavam o desejo de ver o Brasil anexado à finada Alca.

A esperança é paraguaia
Por isso, é significativo que, após anos desqualificando o Paraguai, apontado como uma espécie de peso morto do Mercosul, os ativistas contra o ingresso da Venezuela no bloco se apeguem ao fato de que o Parlamento paraguaio é o único ainda não ter aprovado a entrada do novo sócio rico em petróleo.

Timoneiro Jereissati
Para dar coerência a seu argumento de que, entre outras razões, é contrário ao ingresso da Venezuela no Mercosul porque aquele país mantém um sistema de câmbio centralizado, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) deveria propor o rompimento de relações com a China. Ainda que com outra nomeação, o gigante asiático também mantém o câmbio determinado pelos interesses econômicos do país, sem seguir a orientação do “mercado”. Jereissati, porém, correria o risco de ouvir que países com câmbio flutuante estão mais sujeitos a instabilidade externa e, et por cause, seguram a laterninha no ranking de crescimento dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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