Quem manda

Como diz o economista João Paulo de Almeida Magalhães, somente banqueiros e rentistas são contra à queda dos juros. Essa síntese da divisão nacional opõe uma casta restrita ao restante da nação e transforma a decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros engessados em 26,5% ao ano em decisão política da maior gravidade. Ao afrontar a opinião de empresários, trabalhadores, congressistas e até do vice-presidente da República, a nomenclatura do BC deixou o presidente Lula na incômoda posição de Rainha da Inglaterra que tantos constrangimentos provocou a seu antecessor FH. Por que se um candidato eleito presidente que prometeu gerar 10 milhões de empregos, distribuir renda, promover crescimento e reduzir as injustiças sociais, não manda na política monetária, afinal o que ele faz no Palácio do Planalto? Dá ordens aos contínuos?

E agora José?
A Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT)  promove, amanhã, no Sindicato dos Bancários de São Paulo, debate sobre a Previdência Social, com a presença do deputado federal José Pimentel (PT-CE), relator da Comissão Especial que analisa a proposta do governo na Câmara dos Deputados. Bancário licenciado do Banco do Brasil no Ceará, Pimentel foi um dos principais colaboradores na elaboração, em 1992, do projeto da CNB/CUT para a reforma do artigo 192 da Constituição, que trata do sistema financeiro. Agora no poder, terá a oportunidade de colocar em prática suas propostas. Ou não?

Precaução
A pneumonia asiática (Sars, na sigla em inglês) felizmente ainda não aportou no Brasil, mas já conseguiu dobrar a procura pela desinfecção de ambientes, segundo uma empresa especializada, responsável pelo Sterilizer, sistema de desinfecção que elimina e dificulta a proliferação de bactérias e vírus. A procura pelo serviço já havia aumentado após o ataque terrorista de 11 de setembro, com multinacionais preocupadas com ataques com antraz. A empresa promete proteção – também para residências – por até seis meses.

Nuclear
O conselheiro do Clube de Engenharia Paulo Metri, habitual colaborador da página de Opinião do MONITOR MERCANTIL, foi nomeado diretor de Finanças e Administrativo das Indústrias Nucleares do Brasil S/A, empresa ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A posse da nova diretoria será amanhã, às 15h, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Internacional
O banco Santander-Banespa vai destinar quase US$ 100 mil por ano no patrocínio das atividades das cátedras que a Unicamp passará a ter na Universidade de Buenos Aires (UBA) e em universidades de excelência da Espanha. O programa também prevê o funcionamento de cátedras da UBA e das universidades espanholas na instituição de Campinas, que tenta expandir o programa para Portugal e Itália, com apoio de empresas desse dois países.

“Back”
Os juros altos fizeram as contas CC-5, principal instrumento dos especuladores, terem saldo positivo em maio (US$ 23 milhões), até agora. É o dinheiro de brasileiros voltando para os ganhos fáceis no mercado financeiro. Seria mais barato para o país dar uma anistia.

Quarta-feira 13
Os escribas que se contorceram com a presença de políticos nos debates sobre juros não estranharam a presença no Brasil da vice-diretora gerente do FMI, Anne Krueger, dando palpites sobre o assunto. Coincidentemente, às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que manteve as taxas na estratosfera.

Decepção tardia
O ministro do Trabalho, Jacques Wagner, até 19h50 desconhecia a decisão do Copom. Informado, na Escola Superior de Guerra, por um repórter do MM, disse que esperava pelo menos o viés de baixa. Reconheceu que, a ser mantida a atual taxa de juros, o superávit primário será incapaz de manter a relação dívida pública/PIB.

Nero
Os radicais do BC tentam colocar fogo no Brasil.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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