Questionada a política econômica, tira-se da manga uma operação

Bolsonaro tenta sair das cordas, mas contra-ataque não tardou.

A ida da Polícia Federal à residência oficial e à antiga casa do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi, admitamos, um belo lance dos Bolsonaro na estratégia de confronto permanente. Não é novo: a Operação Lava Jato sempre utilizou do expediente, mais ainda quando a política econômica fundamentalista era questionada.

Bolsonaro marca três pontos:

1 – Passa a mensagem de que estava “certo” ao trocar o comando da PF, que fica com a imagem de que estava represando operações, e desgasta o ex-ministro Sergio Moro, usando as mesmas armas que o ex-juiz se acostumou a usar em Curitiba;

2 – A “indiscrição” da deputada Carla Zambelli leva o público bolsonarista ao delírio e toca terror nos inimigos, mostrando “quem está no comando”;

3 – Isola Witzel, um de seus principais críticos, porque ninguém vai defender um acusado de corrupção – ainda mais com provas que parecem “robustas”; especialmente a esquerda, que não tolera o governador que “dá tiro na cabecinha”.

Mas Bolsonaro não escapa do contra-ataque:

1 – Do outro lado do balcão, deixa claro para não terem ilusões: quem se encolher, está liquidado.
Witzel reagiu, dizendo que Flávio Bolsonaro deveria estar preso. Muitos poderiam esperar que João Dória Jr. fizesse uma declaração genérica sobre o perigo de usar aparatos do Estado contra inimigos políticos, mas o governador paulista foi enfático e mostrou que não vai esperar calado ser o próximo alvo;

2 – De certa forma, reforça o discurso de Moro de que o presidente queria controle da PF – e não só para proteger os seus, mas para atacar adversários;

3 – O ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, agora presidente do TSE, disse que pautará o julgamento da cassação da chapa Bolsonaro–Mourão, lance que tensiona e abre uma frente de saída da crise.

A operação desta terça-feira joga para escanteio questionamentos que vinham se avolumando em cima das declarações de Paulo Guedes na reunião de 22 de abril, tornadas públicas sexta-feira passada. O ministro reforça seu desprezo pelo Estado e pelas pequenas empresas e a ideia de que aproveita a crise para passar uma política econômica falida. Deste ponto de vista, foi uma ação conveniente. Como diz Eduardo Moreira, não existe Bolsonaro sem Guedes, nem vice-versa.

 

Impostos em dia

Impostos adiados, problemas aumentados. Esta é a visão de sócios de clínicas e consultórios médicos, principal motivo para 90% decidirem não optar pelo benefício dado pelo governo. A maioria também não reduziu os encargos trabalhistas. Apenas 17% dos consultórios e clínicas adotaram alguma redução da carga horária ou encerramento do contrato de trabalho. A decisão está relacionada à expectativa de que o movimento retorne ao normal gradativamente e à dificuldade de realizar novas contratações. Os dados são da pesquisa realizada pela DOC Concierge, empresa de serviços financeiros para médicos, que abrangeu mais 200 clínicas e consultórios de todo o país.

 

Caso em casa

Está marcado para esta quarta-feira, no STJ, o julgamento da federalização da investigação do Caso Marielle. Pelos acontecimentos desta terça, é compreensível o interesse da Família Bolsonaro.

 

Rápidas

Nesta quinta, às 16h, será transmitida uma live com tema “Saúde e gestão de pessoas pós-pandemia”, no Youtube e no Facebook da ABRH Brasil. Participarão Paulo Sardinha, presidente da ABRH Brasil, e Gilberto Ururhay, criador da Med-Rio Check Up, tendo como mediador José Carlos Tedesco, diretor da EuroCom *** O LIV – Laboratório Inteligência de Vida, do grupo Eleva Educação, realizará nestas quinta e sexta, das 14h às 18h, o Congresso LIV Virtual, versão online do Congresso Socioemocional LIV, que acontece anualmente. O evento, gratuito, é voltado a gestores educacionais, educadores, alunos e famílias. Destaque para o sociólogo italiano Domenico De Masi *** A Aasp realiza nesta quarta-feira dois webinar gratuitos: às 14h, sobre o tema “Direito do Consumidor: danos no confinamento”; e às 17h, “Os efeitos da pandemia nas recuperações judiciais” *** O Fonajem (Fórum Nacional de Juízes de Competência Empresarial) realizará nesta sexta seu 1º Congresso Virtual para debater temas atuais da área de falências e recuperações judiciais, a partir das 14h no YouTube.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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