Questão de estoque

Contrário à imposição de limite de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para o déficit em transações correntes, sugerida pelo ex-ministro da Fazenda Bresser Pereira, o economista Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, afirma que a tese, visa apenas à vulnerabilidade financeira conjuntural: “Dependendo do estoque do passivo externo, que no Brasil chega a R$ 1,3 trilhão, um déficit de 1% do PIB pode ser mais grave do que 3%”, pondera, lembrando que o ex-ministro da Fazenda Mario Henrique Simonsen “chutava”, de maneira “irresponsável”, um limite de 2% para esse tipo de déficit.

Dieta
Gonçalves cobra uma visão mais estruturalista dos keynesianos brasileiros: “Mais grave que o desequilíbrio de fluxo é o de estoque (passivo externo), que aumentou muito durante o Governo Lula. Por isso, o controle de capitais apenas não vai resolver. É uma dieta para alguém com 200kg. Ou seja, exige, além da dieta,  reeducação alimentar”, compara, cobrando uma estratégia nacional de desenvolvimento: “O Brasil tem um grau muito elevado de desregulamentação e liberalização nas esferas produtiva, comercial, tecnológica e financeira. As “raparigas em flor” do keynesianismo e os novos desenvolvimentistas se preocupam apenas com a questão financeira e, mesmo assim, de curto prazo”, dispara.

Caixa definha
A disposição da Prefeitura do Rio de Janeiro em reduzir os ganhos dos aposentados aumenta na mesma proporção em que crescem os problemas de administração no FunPrevi, fundo de pensão dos servidores cariocas. Mostra o ex-prefeito Cesar Maia que, em 31 de dezembro de 2002, o FunPrevi tinha disponibilidades de caixa (financeiras) no montante de R$ 1,020 bilhão. Em 2004, passaram a R$ 1,454 bilhão. Em 2008, último ano da administração Maia, as disponibilidades totalizavam pouco mais de R$ 2 bilhões, ou seja, praticamente dobraram em seis anos.
Em 2010, já com Eduardo Paes completando dois anos de mandato, as disponibilidades caíram para R$ 1,689 bilhão. “O que houve entre 2008 e 2010 para essa queda nominal de R$ 313 milhões?”, indaga o ex-prefeito, que cita “estranhas” aplicações noticiadas nos jornais. “O FunPrevi passou por três secretarias. Já são três seus presidentes. Terrenos seus cedidos sem pagamento. Atrasos na transferência da parte do empregador”, enumera Maia.

Sem tunga
É bom destacar que, se como prefeito Cesar Maia “pisou na bola”, especialmente nos últimos anos de mandato, nunca deixou que prosperassem na Prefeitura propostas neoliberais de tungar os aposentados, nem o servidores ativos.

Alegria, alegria
Nestas quarta-feira, o pesquisador e músico Getúlio Mac Cord lança o livro Tropicália: um caldeirão cultural (Editora Ferreira), coletânea de depoimentos com mais de 40 entrevistas dos personagens que viveram o movimento cultural, como Caetano Veloso e Jards Macalé. Ao todo foram mais de 50 horas de conversas gravadas em mais de 55 viagens e quase 5 mil shows. O lançamento será no Centro do Rio de Janeiro, na livraria Saraiva Ouvidor, às 17h

Frente têxtil
Transformar em superávit o déficit de US$ 6 bilhões do setor têxtil e de confecção, defender os empregos e a geração de novos postos de trabalho, o combate às importações desleais e a competição desigual são os destaques da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento da Indústria Têxtil e de Confecção, que será instalada nesta terça-feira. A Frente é liderada na Câmara por Henrique Fontana (PT-RS) e no Senado por Luiz Henrique (PMDB-SC). Mais de 250 parlamentares já aderiram ao movimento.
“Para alcançar novamente o superávit e manter os 1,7 milhão de empregos é preciso condições equilibradas em relação aos concorrentes, como redução da carga tributária, desoneração dos investimentos e exportações, juros menores”, defende o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Aguinaldo Diniz Filho.

Dois pesos
A decisão da Itália de reconhecer o Conselho Nacional de Transição (CNT), formado por líderes tribais e opositores de Muamar Kadafi, como único representante oficial da Líbia deveria, para a imprensa mundial, ter o mesmo valor de Kadafi reconhecer as multidões que protestam nas ruas da Itália contra Silvio Berlusconi, devido aos seus recorrentes envolvimentos com tipos variados de escândalos e a ausência de quaisquer punições judiciais, como o governo paralelo italiano.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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