Racionamento de energia cairá no colo do consumidor

Se realmente acontecer, o racionamento de energia será ruim para a sociedade, mas não exatamente para as empresas do setor elétrico. “Embora o cenário de racionamento de energia possa impactar amplamente a economia brasileira, acreditamos que as empresas do setor elétrico devem passar praticamente indiferentes a este cenário, ou até mesmo ser beneficiadas”.

A análise compõe o atual relatório da XP sobre o impacto de um racionamento de energia no próximo trimestre (4T21), assumindo um corte obrigatório de 20% nos contratos das geradoras, tanto no mercado livre quanto no mercado regulado. O conteúdo foi divulgado nesta terça-feira.

De acordo com a análise, o impacto poderá ser diferente para cada ator da cadeia. “As transmissoras não seriam afetadas, as distribuidoras poderão ser ligeiramente afetadas e as geradoras poderão até ser beneficiadas”, diz o relatório. Na opinião dos autores do relatório – Victor Burke (analista de energia e saneamento) e Maíra Maldonado (analista de óleo & gás e saneamento) -, um racionamento de energia, embora improvável, é possível.

Segundo o relatório, as empresas de transmissão não teriam impacto. As transmissoras têm contratos de receita fixa, com base na disponibilidade da linha (geralmente maior que 98%), e a receita é corrigida pela inflação. Portanto, não há relação com consumo ou geração de energia. Dito isso, nada muda em caso de racionamento de energia.

Já as empresas de distribuição podem ter um impacto negativo de curto prazo, mas nenhum impacto sobre o valor das empresas. No caso de um corte obrigatório, embora estimemos que as empresas teriam um impacto negativo no resultado de curto prazo em torno de -18%, elas podem solicitar à Agência Nacional de Energia Elétrica  (Aneel) o reequilíbrio econômico-financeiro da concessão. Desta forma, acreditamos que um racionamento de energia desencadearia em um reequilíbrio do contrato de concessão e, como vimos em 2020 com a Conta-Covid, as distribuidoras estariam protegidas.

Empresas de geração podem ser beneficiadas dependendo das condições de mercado, mas isso não é trivial. Para as geradoras, um racionamento de energia pode ser benéfico para os resultados dependendo de quatro fatores: (i) nível de risco hidrológico (GSF); (ii) preços de energia de curto-prazo (PLD); (iii) configuração da matriz de geração da companhia; e (iv) nível de contratação do portfólio da companhia. Essas variáveis podem resultar em um impacto positivo ou negativo, conforme ilustramos ao longo deste relatório.

Conclusão

Para tornar o estudo mais tangível, os autores estimaram para o 4T21 um risco hídrico (GSF) de 60%, um preço de energia de curto-prazo (PLD) de R$ 300/MWh e uma redução de volume de -20% nas distribuidoras. Essa foi uma forma de estimar os impactos no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), indicador usado para avaliar as empresas de capital aberto.

“Notamos que a redução de demanda de energia deve impactar o Ebitda das distribuidoras em cerca de -18%, dado que as receitas caem -20%. Os custos de aquisição de energia também caem -20%, mas os custos fixos são menos diluídos, impactando negativamente o Ebitda. No entanto, dado que as distribuidoras devem ser reembolsadas como vimos em 2020 com a Conta-Covid, acreditamos que esse impacto deve ser mitigado pelo regulador (Aneel)”, disseram os autores.

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