Racismo no Brasil, Bolsonaro e Mourão

‘Parece que os mandatários é que agridem a história’.

O depoimento a seguir é de Luiz Antônio dos Santos, jornalista, ex-redator do Monitor Mercantil, do qual se mantém colaborador frequente, negro, cidadão consciente, ativista e militante:

“Após a onda de protestos surgida em decorrência do assassinato violento de inspiração racista de João Alberto Silveira Freitas, em uma loja do Carrefour, em Porto Alegre (RS), o presidente Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão afirmaram que não existe racismo no Brasil. Os mandatários alegam que quem denuncia racismo no país desrespeita a história. Bolsonaro ainda classifica manifestantes que estão indo às ruas como ‘lixo’.

“Na cidade do Rio de Janeiro, na década de 1830, portanto quase 200 anos antes, negros que haviam sido escravos, e depois conseguiram se libertar, começaram a lançar jornais que exigiam o fim da escravidão e denunciavam o racismo no Brasil. Alguns daqueles jornais não passavam de duas ou três edições, mas o número de veículos de comunicação foi enorme. A população, inclusive os brancos, chamava o movimento de ‘Imprensa mulata’. O historiador Nélson Werneck Sodré escreveu nos anos 1980, no O Estado de São Paulo, um artigo intitulado ‘Imprensa mulata’, no qual apresentou com riqueza de detalhes aquele processo jornalístico.

“Outro registro a ser considerado ocorreu em 1911. Naquele ano, em Londres (Inglaterra), no Congresso Universal das Raças, o representante da delegação brasileira, João Baptista de Lacerda, afirmou que, por conta da imigração de brancos e da mestiçagem, em um século não haveria mais negros no Brasil, e depois, os índios e os próprios mestiços iriam desaparecer. Para boa sorte nacional a profecia não se concretizou e a população negra e parda hoje é 53% do total.

“Vale lembrar que uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que resultou no livro O lugar do Negro na força de trabalho, apurou que, no mercado de trabalho do Brasil, as negras e os negros recebem remuneração menor do que as brancas e os brancos para realizar a mesma atividade. A lei determina salário igual para trabalho igual. Prova de que existe racismo estrutural no Brasil.

“Parece que os mandatários é que agridem a história.”

 

Apagão

As empresas comercializadoras de energia reunidas na Abraceel divulgaram nota, sexta passada, ao tomarem conhecimento da decisão da Justiça Federal do Amapá que afastou os diretores da Aneel e do ONS (a medida foi derrubada), criticando o afastamento.

Esta coluna procurou alguma posição oficial ou declaração da Associação sobre o drama dos amapaenses submetidos a um apagão que já dura 21 dias. Nem uma palavra.

 

Estatização

O livre mercado descarta, João Dória intervém. Diogo Mainardi, ferrenho defensor do fim das TVs públicas, levará o Manhattan Connection pra Cultura, sustentada pelo contribuinte paulista. Diz que não terá patrocinadores estatais. Então por que não foi para uma TV privada?

 

Rápidas

O Foro Inteligência realizará nesta quarta, 19h, o debate “Desafios dos Bancos de Varejo Brasileiros”, com o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior. Inscrições aqui *** Será nesta quarta o “Encontro de Negócios em Oil, Gas & Energy” do Ibef-Rio, a partir de 16h30, com Márcio Félix, CEO da Energy Platform (EnP). Informações: (21) 2217-5555 *** Também nesta quarta o FGV Ibre realizará, a partir das 10h, o webinário “Reduzindo as incertezas: Radiografia da atividade econômica”. Inscrições aqui *** Nesta terça, 11h, “Perspectivas do setor energético no pós-pandemia”, webinário do IAB no canal TVIAB no YouTube *** O escritório Crivelli Advogados realizará nesta quarta, 17h, seminário virtual sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o dia a dia dos sindicatos e ONGs. Inscrições aqui *** A DFL reunirá nesta terça, 19h, especialistas para falar sobre clareamento caseiro e de consultório. Informações aqui *** Nesta terça, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, participará do painel “Situação da Covid-19 no mundo e desafios para a Saúde Pública”, organizado pela Abrasco.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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