Rainha da Inglaterra

A decisão da nomenclatura enquistada no Comitê de Política Econômica (Copom) de congelar o já modorrento processo de queda dos juros, acompanhada de tímida redução no percentual do compulsório sobre depósitos a prazo, teve uma única virtude: desnudar com a intensidade que nenhum oposicionista fora capaz o caráter virtual e marketeiro do Plano Plurianual (PPA).
Um dia antes, a pantomina ensaiada pelo terminal governo FH, com a devida repercussão da mídia “chapa branca”, prometera para ano que vem um país com juros reais de 8%, inflação máxima de 6% e desvalorização cambial de apenas 3%. Para isso, comenta-se, sem desmentidos, foram torrados US$ 16 milhões, pagos a consultoria norte-americana que confirmou o adágio popular de que o papel aceita tudo.
Quando da Marcha dos Cem Mil à Brasília, governistas à beira de um ataque de nervosos urravam contra um suposto golpismo dos manifestantes por esse pedirem a renúncia de FH. A deliberação do Copom, menos de dez após o FMI exigir  aumento dos juros no Brasil,  mostra que, de fato, a palavra de ordem oposicionista era desfocada. Afinal, são raros na História os clamores pela renúncia da rainha da Inglaterra.

Desrespeito
O presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), Renato de Oliveira, reagiu com indignação ao arquivamento do pedido de abertura de CPI para apuração do processo de venda das empresas do sistema Telebrás: “Não se desrespeita a vontade de mais de um milhão e trezentos mil cidadãos impunemente. Contrariamente ao que talvez pretenda o deputado (Michel) Temer, sua atitude só reforça a marcha do país para uma crise institucional de consequências imprevisíveis.”

Pára-quedas
Um dia depois do trágico acidente que vitimou terça-feira, na Argentina, entre 70 e 80 pessoas – os números variam de acordo com as fontes – a mídia “chapa branca” simplesmente deletou do noticiário o nome da empresa aérea. Talvez por ilações incômodas, as Linhas Aéreas Privadas Argentinas viraram simplesmente Lapa, nome que também lembra outro tipo de malandragem.

Bode expiatório
Coincidência ou não, quanto mais se aproxima o dia da devolução do Canal do Panamá a seu verdadeiro dono, crescem os ataques ao governo Hugo Chávez.

Bico
Afinal o que faz no governo, além de empregar o motorista no Ministério do Trabalho, o secretário de Política Econômica, Edward Amadeo?

Pró-banca
Aparecendo cada vez  mais nos noticiários, o ministro Pedro Malan garantia ontem que a estabilização de preços é fundamental para preparar o crescimento econômico. E aproveitou para ensinar que não se pode financiar desenvolvimento com endividamento do Estado. Em tempo: com o tucanato no poder, a dívida pública interna saltou de menos de R$ 60 bilhões para  mais de R$ 450 bilhões, enquanto o PIB do país patinava em taxas medíocres de crescimento. Aumento de dívida, na gestão de Malan e cia., só para engordar os lucros dos financistas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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