Rali de alta tem interrupção

Ontem, mercados de risco seguiram em alta e Bovespa emplacou o quarto pregão de valorização.

Opinião do Analista / 10:43 - 4 de jun de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Ontem os mercados de risco prosseguiram em seu rali de alta e a Bovespa emplacou o quarto pregão seguido de valorização acumulando já no mês de junho +6,4%. Ontem, a valorização na Bovespa foi de 2,15%, com o índice em 93.002 pontos e o dólar em nova queda de 2,28 e moeda cotada em R$ 5,09, depois de atingir R$ 5,01. O Dow Jones teve alta de 2,05% e o Nasdaq com +0,78%. O CDS do Brasil (espécie de seguro de crédito em queda abaixo de 225 pontos, quando na semana passada estava acima de 300 pontos. O apetite por risco seguiu forte na sessão de ontem.

Hoje mercados pausam esse rali aguardando decisão do Banco Centra Europeu (BCE) sobre política monetária antes de 9h, seguida de coletiva da presidente Christine Lagarde. As bolsas asiáticas operaram em alta (exceto Xangai com -0,14%) com reabertura das economias, Europa iniciando o dia em queda, mas afastada das mínimas e mercados futuros dos EUA operando no campo negativo. Aqui, certamente há espaço para realizações de lucros de curto prazo depois de ter conseguido vazar faixa de 92 mil pontos, mas ficamos na dependência do fluxo carreado para o mercado.

Na China durante a madrugada tivemos relatos de que empresas estatais cancelaram remessas de exportadoras americanas, ao mesmo tempo, em que o presidente Donald Trump diz não considerar impor sanção ao presidente chinês Xi Jinping. Trump acrescenta que provavelmente não utilizará forças militares contra protestos que já duram nove dias nos EUA. Ontem mais três policiais foram acusados formalmente pela morte de George Floyd.

Na Alemanha, partidos que apoiam o governo chegaram a acordo sobre pacote fiscal de 130 bilhões de euros contra a Covid-19 e o ministro das finanças disse que a recuperação deve ocorre no segundo semestre. Já a Holanda fez moção contra as negociações de acordo entre o Mercosul e a União Europeia, e isso certamente será grande obstáculo. Na Zona do Euro, as vendas no varejo de abril tiveram queda história, desacelerando 11,7%.

No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 1,72%, com o barril em US$ 36,65 esperando também decisão dos membros da Opep+ sobre extensão de cortes. O euro era transacionado em queda para US$ 1,12 e notes de 10 anos americanos com taxa de juros de 0,75%. O ouro e a prata tinham altas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago.

Aqui, o presidente Jair Bolsonaro disse que o auxílio emergencial pode ser estendido por mais duas parcelas (mais déficit) e o presidente do BNB recém-empossado foi destituído por investigação de desvio de bilhões de reais quando de sua gestão na Casa da Moeda. O Brasil também anunciou captação externa de US$ 3,5 bilhões, com taxas cadentes para vencimento em 2025 e 2030, com a demanda atingindo cerca de US$ 18 bilhões.

Já o BC em seu relatório de economia bancário mostrou a concentração do sistema, com BB, Caixa Econômica, Itaú, Bradesco e Santander com 79,2% do total dos ativos, 80,7% das operações de crédito e 82,3% do volume de depósitos.

Expectativa para o dia é com Bovespa podendo realizar, dólar mais fraco e juros ainda em queda. Porém, a decisão do BCE pode mudar o comportamento, junto com os pedidos de auxílio-desemprego na semana anterior nos EUA.

.

Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor