Ranking mensal de criptomoedas – outubro de 2025

Pelo ranking da QR Asset Management, em outubro as cinco criptomoedas com maior valorização foram ZCash, Dash, Bittensor, Monero e Official Trump.

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QR ASSET MANAGEMENT

Métrica: Foram analisadas as top 150 moedas por capitalização de mercado de acordo com a Coingecko. Qualquer ativo que começou ou terminou o mês no top 150 foi considerado, não sendo incluídos os ativos que começaram o mês no top 150 e terminaram fora do top 150. Em seguida, aplicamos um filtro que eliminou ativos que possuíam valor de mercado inferior a um bilhão de dólares no final do período.

O mês de outubro ficou marcado por um cenário inédito nos mercados globais: Bitcoin, ouro, Nasdaq e S&P registraram novas máximas históricas no mesmo período — algo nunca antes visto. O Bitcoin atingiu US$ 126.000, o ouro chegou a US$ 4.381 e o índice Nasdaq alcançou 26.000 pontos, refletindo o otimismo generalizado que tomou conta dos investidores no início do mês. Ainda assim, a tradicional narrativa de “Uptober” não se confirmou integralmente: após as máximas, o mercado cripto enfrentou forte correção, resultando em um raro mês de queda.

No dia 10 de outubro, o setor viveu um dos episódios mais intensos de volatilidade já registrados, com mais de US$ 19 bilhões em posições sendo liquidadas em menos de 24 horas. A diferença de preços entre corretoras gerou um breve caos operacional, mas os protocolos de DeFi e os oráculos se mostraram resilientes, operando com precisão durante todo o evento. O movimento foi potencializado por novas tensões comerciais entre Estados Unidos e China, após ameaças de tarifas entre Trump e Xi, que fizeram o Bitcoin despencar de US$ 113 mil para US$ 106 mil em poucas horas.

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A correlação de seis meses entre os principais ativos mostra que o Bitcoin segue alinhado ao comportamento dos mercados tradicionais, com coeficiente de 0,73 em relação à Nasdaq e 0,32 em relação ao ouro. O resultado reforça o papel da criptomoeda como uma espécie de “proxy” de risco, reagindo rapidamente às expectativas do mercado em meio à temporada de balanços das big techs.

Nos EUA, o CPI de setembro avançou 0,3% no mês e 3,0% em 12 meses, enquanto o núcleo do índice subiu 0,2% m/m e 3,1% a/a, em linha com o consenso. Apesar do cenário macroeconômico ainda desafiador, o setor de criptoativos demonstra resiliência estrutural: volumes de stablecoins, protocolos DeFi e iniciativas de tokenização voltaram a crescer no ciclo 2024–25. As stablecoins, inclusive, já movimentam mais valor on-chain do que gigantes de pagamentos como PayPal e Visa.

O ecossistema segue em expansão. A integração entre finanças tradicionais e ativos digitais avança com a presença de ETFs de BTC, ETH e SOL, enquanto agentes de inteligência artificial passam a utilizar infraestrutura on-chain para pagamentos e validação de dados. Mesmo após dois ciclos de preço, o número de desenvolvedores ativos permanece elevado, indicando que o avanço tecnológico do setor continua sólido.

Nos Estados Unidos, o shutdown ainda em curso adiciona um elemento de incerteza fiscal. Historicamente, períodos como o atual costumam favorecer os criptoativos, o que pode abrir espaço para uma recuperação mais sólida ao longo de novembro.

A seguir, analisamos seis projetos de destaque em outubro. Três deles se sobressaíram pelo desempenho positivo, enquanto outros três chamaram atenção pelos desafios e retornos negativos.

Destaques do Top 10 – Outubro

Zcash (ZEC) – A Zcash foi o destaque de outubro, com alta de 312%, impulsionada pela demanda por privacidade após o anúncio de tarifas dos EUA. Em meio ao pânico, o token ZEC se consolidou como refúgio, enquanto o mercado cripto enfrentava forte correção. O roadmap da Electric Coin Co., divulgado em 15 de outubro, apresentou avanços em zk-SNARKs e integração cross-chain, dobrando o número de endereços ativos. Já o anúncio de um trust da Grayscale, em 22 de outubro, captou US$ 50 milhões e atraiu capital institucional. Durante o crash do dia 10, o token chegou a subir, com 65% das transações em modo protegido e hashrate recorde de 8,5 GH/s. Nas redes sociais, dominou as buscas e atingiu 78/100 no LunarCrush.

Bittensor (TAO) – O token TAO avançou 43% em outubro, mesmo com o mercado em queda, impulsionado pela narrativa de IA descentralizada. O lançamento do ETP Staked TAO na bolsa suíça SIX, em 29 de outubro, trouxe mais de US$ 100 milhões em entradas e gerou uma alta imediata de 20%. As rodadas de captação da TAO Synergies (US$ 11 milhões) e da xTAO (US$ 7,3 milhões) reforçaram o caixa para validação de sub-redes. Com 75% da oferta em staking, o ativo reduziu a pressão vendedora e elevou o rendimento para até 10% ao ano. Durante o crash, chegou a cair 16%, mas recuperou impressionantes 59% nas semanas seguintes.

Monero (XMR) – A Monero (XMR) subiu 9% em outubro — desempenho modesto em números absolutos, mas relevante diante da queda média de 20% nas altcoins. A rede surfou o “Privacy Rally” entre 1º e 15 de outubro, após o lançamento da L2 Tari, voltada a carteiras móveis privadas. No dia 20, esclarecimentos da MiCA sobre exceções às moedas de privacidade impulsionaram uma alta diária de 9%. O upgrade no algoritmo RandomX elevou o hashrate em 12%, reforçando a segurança da rede. Durante o sell-off, o token XMR caiu 12% — uma queda expressiva, mas quase metade do recuo de outras L1s, como AVAX. A recuperação veio rápida: o ativo retomou as perdas em poucos dias.

Destaques do Bottom 10 – Outubro

Avalanche (AVAX) – A Avalanche (AVAX) despencou 39% em outubro, refletindo a fuga de capital das L1s de alto beta durante o pânico de 10 de outubro. O colapso liquidou posições DeFi fortemente alavancadas em sub-redes, evidenciando fragilidades estruturais. Relatos de queda intradiária de até 69% expuseram problemas de liquidez, enquanto analistas apontaram saturação na oferta de novas L1s. A recuperação foi limitada, com o token incapaz de retomar o patamar de US$ 20, indicando perda de momentum.

Story Protocol (IP) – O token IP desabou 50% em outubro, tornando-se símbolo do excesso de hype em torno da combinação entre IA e tokenização de propriedade intelectual sem entregas concretas. A queda foi agravada após uma auditoria em 16 de outubro apontar falhas em oráculos, minando ainda mais a confiança no projeto. Com baixa liquidez, o volume diário caiu para menos de US$ 500 mil, e o número de endereços ativos recuou 55%.

Worldcoin (WLD) – O token Worldcoin (WLD) caiu 35,7% em outubro e ampliou as perdas após novas batidas regulatórias na Tailândia em 3 de novembro. O crash do dia 10 expôs a fragilidade do projeto diante das polêmicas sobre coleta biométrica, levando a uma queda adicional de 28% em apenas dois dias. Mesmo com a listagem na Gemini, em 30 de outubro, o fluxo positivo foi insuficiente para conter a pressão vendedora provocada pelos desbloqueios futuros do token. O setor de identidade cripto sofreu rotação negativa, com investidores migrando para stablecoins em meio ao aumento do risco regulatório.

Melhores Desempenhos (vs BRL) – Outubro
NomeTickerRetorno 30 dias
ZCashZEC312..95%
DashDASH89.2%
BittensorTAO43.41%
MoneroXMR9,93%
Official TrumpTRUMP9.12%
BNBBNB7.72%
Tether GoldXAUT3.35%
Pax GoldPAXG3.30%
MemecoreMCORE2.53%
Leo TokenLEO0.15%
Piores Desempenhos (vs BRL) – Outubro
NomeTickerRetorno 30 dias
Story ProtocolIP-50,61%
AsterASTER-41,44%
AvalancheAVAX-39,15%
FlareFLR-35.92%
WorldcoinWLD-35.71%
Internet ComputerICP-30.77%
World Liberty Financial WLFI-30.44%
ArbitrumARB-30.01%
PepePEPE-29,52%
KaspaKAS-28,72%

Glossário

Altcoins – Criptomoedas alternativas ao Bitcoin, como Ethereum (ETH), Solana (SOL) e Avalanche (AVAX), geralmente associadas a projetos específicos ou inovações tecnológicas.

Uptober – Termo usado na comunidade cripto para se referir ao histórico de altas do mercado em outubro (“Up + October”).

DeFi (Finanças Descentralizadas) – Conjunto de aplicações que oferecem serviços financeiros (como empréstimos e negociações) sem intermediários, utilizando contratos inteligentes em blockchain.

Oráculos – Protocolos que conectam dados externos do mundo real a contratos inteligentes, permitindo que eles reajam a informações fora da blockchain.

Stablecoins – Criptoativos com valor atrelado a um ativo estável (geralmente o dólar), com o objetivo de reduzir a volatilidade das criptomoedas tradicionais.

On-chain – Expressão que se refere a dados ou operações registradas diretamente na blockchain, sem intermediários externos.

Tokenização – Processo de representar ativos do mundo real (como ações, imóveis ou commodities) em formato digital dentro de uma blockchain.

zk-SNARKs – Tecnologia criptográfica que permite validar transações sem revelar informações sobre elas, garantindo privacidade e segurança.

Cross-chain – Integração entre diferentes blockchains, permitindo que ativos e informações sejam transferidos de forma interoperável entre redes distintas.

Hashrate – Medida da capacidade de processamento de uma rede blockchain; quanto maior o hashrate, maior a segurança da rede.

Staking – Processo de bloquear criptoativos em uma rede para ajudar a validar transações, recebendo recompensas em troca.

Sub-redes – Estruturas independentes dentro de uma blockchain principal (como na Avalanche), usadas para escalar a rede ou personalizar funcionalidades.

L2 (Layer 2) – Solução construída sobre uma blockchain principal (Layer 1) para aumentar a velocidade e reduzir custos de transação.

MiCA (Markets in Crypto-Assets Regulation) – Regulamento europeu que estabelece regras para o mercado de criptoativos, incluindo stablecoins e moedas de privacidade.

RandomX – Algoritmo de mineração da rede Monero, projetado para resistir a ASICs e manter a descentralização.

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