Rapidez súbita

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra  (MST) denuncia que, nos últimos dias, uma onda de despejos passou a rondar acampamentos do movimentos, alguns com mais de cinco anos de ocupação, inclusive áreas em negociação com o governo federal. O MST vê  nessa investida uma tentativa da campanha de José Serra de provocar um confronto entre os sem-terra e forças policiais para desgastar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

Continuísmo
A elevação da taxa básica de juros para 21% ao ano, um salto superior a 16%, é melhor síntese do que um virtual governo José Serra teria a oferecer ao país. Diante da escalada do dólar, em vez de medidas duras contra os especuladores e em defesa da produção e dos salários, mais recessão. Não por acaso, o presidente FH iniciou seu governo com o Brasil como oitava economia do mundo e o entrega em 11º lugar.

Fala, Serra!
Embora tenha transformado a defesa do debate no principal mote do seu início de campanha no segundo turno, José Serra se recolheu a silêncio tumular para não comentar a nova alta dos juros. Vai ver Serra só quer debater a situação do Palmeiras no Brasileiro.

Efeitos colaterais
Principal assessor econômico de Anthony Garotinho e agora eleitor de Lula, o economista Tito Ryff disse, ao comentar a elevação do depósito compulsório sobre depósitos à vista e a prazo, que nenhum país do mundo permite que os bancos especulem com recursos de terceiros. Segundo Ryff, a medida aponta para quem realmente especula com o dólar: “Antes de controlar o câmbio, o governo deve controlar os bancos”, defende. Essa ordem de prioridade, no entanto, tem como principal corolário o encarecimento do crédito e, consequentemente, o acirramento da recessão.

Ostracismo
As insistentes tentativas do presidente FH de participar do debate eleitoral são explicáveis pela irrelevância que lhe atribuem os eleitores. Segundo o Datafolha, apenas 13% votariam no candidato apoiado por FH, contra 36% que não cometeriam tal desatino. Mais revelador, no entanto, são os 45% que se declaram olimpicamente indiferentes à posição por ele tomada.

Papel e mandioca
Não é somente na panificação que os produtores de mandioca querem elevar a participação do amido.  A fécula de mandioca substitui o amido de milho, atualmente, em mais de 90% dos papéis de impressão (na colagem interna); 40% a 60% dos sacos/sacolas de papel; e em 30% das caixas onduladas. O uso de fécula de mandioca no setor papeleiro integra o 35º Congresso e Exposição Anual de Celulose e Papel, promovida pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), que acontece entre começou ontem e vai até quinta-feira, no International Trade Mart – Centro Têxtil, em São Paulo (SP). A possibilidade do uso do amido de mandioca no lugar do de milho ou de batata atraiu para o segmento grandes multinacionais, como a norte-americana Cargill, que entrou nesse mercado no ano passado, tornando-se associada da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam).

Espera
As viúvas dos 11 mortos no acidente com a plataforma P-36, que afundou em março do ano passado, continuam aguardando na Justiça uma indenização da Petrobras. A compensação pedida pelos familiares depende da comprovação de culpa da empresa. A Petrobras alega que não caberia indenização porque não houve dolo (intenção) no afundamento da plataforma, que ocorreu em março do ano passado. A única indenização que as famílias receberam até agora, segundo uma das viúvas, foi auxílio-escola para pagar a mensalidade dos filhos até 24 anos.  A Petrobras argumenta que as famílias estão recebendo pensão paga pela Petros, o fundo de pensão dos empregados da Petrobras.

Para baixo
Esta coluna descobriu, em furo de reportagem, o significado da letra “P” nas plataformas de petróleo em operação na Bacia de Campos: não se trata da inicial da Petrobras, como todos pensavam, ou abreviação de “plataforma”. Trata-se de “P” de Palace-34 e Palace-36.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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