Realismo fantástico

               
O jornalismo crítico não pode engolir sem cobrar esclarecimentos de várias ordens a rocambolesca história que debita às costas de um “jihadista solitário” a responsabilidade exclusiva pela sequência de assassinatos em Toulouse, na França. A ação repete padrão com roteiro e beneficiários idênticos, como o atentado na Espanha, em 2004, significativamente também às vésperas de eleições e cuja apuração visava a resultados que beneficiavam o candidato do partido da direita local. A forte mobilização, principalmente, da juventude, via torpedos por celulares, implodiu a farsa, resultando na derrota de Jose Maria Aznar. No Líbano, o mesmo tipo de ação impulsionou a pressão pela retirada da Síria, em conforme com interesses estadunidenses e israelenses.

Faça o que eu digo
A bordo do navio Rainbow Warrior, em Manaus, o Greenpeace lançou projeto para coletar 1,4 milhão de assinaturas e engessar o país: definir a taxa de desmatamento no Brasil como zero. O projeto, que navega nas águas do Ficha Limpa, guarda com este uma semelhança: para um problema complexo, uma solução simples – porém equivocada.
Noves fora o fato ser inexequível, com grande chance de o tiro sair pela culatra, a proposta leva uma carga de hipocrisia, a partir do momento em que os financiadores da ONG, na maioria europeus, há muito embarcaram no “floresta zero”: a cobertura de árvores nativas na Europa é de 2%.

Acabou
Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional, sustenta que a aprovação da lei colocará o Brasil em uma posição privilegiada. “Há vários países do mundo que pararam de desmatar suas florestas faz mais de um século”, disse. Esqueceu de completar: por falta de árvores a derrubar.

Verba
Para garantir a face midiática da campanha do Desmatamento Zero, foi enviado ao Brasil o Rainbow Warrior – lançado no ano passado com o que há de mais moderno -– e caro  – em navegação. O gasto não pára aí: cada vez que uma pessoa convidar amigos a assinarem o projeto ou compartilha-lo nas redes sociais, acumula pontos que podem virar prêmios como camisetas, ecobags ou bonés do Greenpeace.

Maré vazia
A Operação Maré Vermelha da Receita Federal, iniciada esta semana, não ataca as principais irregularidades na importação de pneus, reclama a Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip): “É chover no molhado”, critica Rinaldo Siqueira Campos, presidente da entidade, afirmando que 70% dos pneus importados para o Brasil contêm irregulares no processo de importação.
Um dos problemas é o subfaturamento dos produtos. Outra questão apontada pela Abidip é a triangulação que está sendo feita via Uruguai e Paraguai, reduzindo os tributos cobrados sobre o frete, o que reduziria o custo final em cerca de 8%.

Imobiliária Cabral?
Em seu blog, o ex-governador Anthony Garotinho denuncia que o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), pretende vender os postos de vistoria do Detran, do Catete, do Largo do Machado e da Hadock Lobo (Tijuca): “Aos motoristas da Tijuca e da Zona Sul restarão como opções os postos da Barra e da Rua Santa Luzia (Castelo)”, acrescenta Garotinho.

A queda é livre
A fábula de que a crise na Grécia estaria debelada e o pior da crise na Zona do Euro teria passado lembra a história do homem que caiu do 20º andar e, ao passar pelo 15º, assegurou: “Até aqui tudo bem.” A diferença é que este tipo de personagem não aposta nos mercados futuros e, portanto, seu otimismo vazio não se traduz nos lucros robustos dos especuladores financiados pelo Banco Central Europeu (BCE).

Pelo ladrão
Mar de lama na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Esgoto vaza a “céu fechado” na entrada da galeria A. Isso está ocorrendo há mais de um mês, garantiu a esta coluna uma testemunha do descaso.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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