Rebelião

Os nove governadores de estados nordestinos resolveram criar um bloco para atuar em defesa dos interesses da região “porque não estão percebendo claramente uma política de desconcentração de renda regional nos projetos estruturantes e no Programa Plurianual de Ação, anunciados para o Brasil para os próximos quatro anos.” A crítica foi feita por um dos maiores aliados de FH, o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), e mostra a quantas anda a imagem do Governo na região. Além de atuar em conjunto, os estados do Nordeste decidiram reforçar a reunião que está sendo convocada para o próximo dia 15 por Albano Franco (PSDB), de Sergipe, com todos os governadores do País. O encontro marcará o protesto contra a falta de propostas do tucanato para aliviar a crítica situação financeira dos estados.

Só os meus
Em sua entrevista ao Roda Viva, o senador Antônio Carlos Magalhães revelou sua concepção flexível sobre o combate ao nepotismo. Depois de criticar duramente essa prática no Judiciário, ACM foi perguntado sobre a nomeação de mais de uma dúzia de parentes no governo da Bahia e saiu-se com essa pérola: “O importante é que trabalhem. Meus parentes são competentes.”
Invertebrado
No mesmo programa, ACM mostrou que, quando se trata de defender de maneira altiva os interesses do país, está mais para um tigre à beira da aposentadoria num circo do interior que para o Leão da Bahia, como o trata a imprensa subserviente. Para ACM, os Estados Unidos têm de ser o parceiro preferencial do país – noves fora a principal corrente de comércio do Brasil se dar com a Europa e o movimento para o Mercosul ter sido o que mais cresceu no últimos anos. Depois, racionalizou sobre uma suposta inferioridade do país que o impediria de ter posições mais autônomas nas negociações internacionais. Em outras palavras, não tem estatura para presidir o Brasil.

Lenda tucana
O presidente FH atacou ontem os empresários de seu próprio país que reclamaram contra novas concessões do Mercosul à União Européia. Segundo FH, “assim como os políticos, os empresários estão sempre precisando chorar um pouquinho”. E defendeu que toda negociação é “dá lá toma cá”.  Por enquanto, porém, o Mercosul está só dando, sem tomar nada. Entre 1991 e 1997, as exportações da UE para o Mercosul cresceram de US$ 11 bilhões para US$ 24,6 bilhões, enquanto as importações desabaram de US$ 32,3 bilhões para US$ 23,2 bilhões. Mas isso, como dirigia Jacques Chirac, deve ser só lenda.

Suspenso
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo suspendeu por três anos os direitos políticos de Paulo Maluf (PPB), ex-prefeito de São Paulo. Maluf também foi condenado a devolver aos cofres públicos um valor ainda não estipulado pelo TJ. A condenação foi pelo envio de cartas a cerca de 1 milhão de cidadãos paulistanos informando sobre um projeto de lei que previa a isenção do pagamento de IPTU para a população de baixa renda. O TJ considerou que Maluf tomou a atitude em benefício próprio. Os advogados de Maluf disseram que vão recorrer, alegando que a correspondência tinha o objetivo de informar o contribuinte.

Bodas de prata
Marcando o 25º aniversário da lei que permite a intervenção do Banco Central no sistema financeiro, a editora Texto Novo está lançando o livro Intervenção e Liquidação Extrajudicial no SFN – 25 Anos da Lei 6.024/74 (319 páginas, R$ 29,80). Organizado pelo advogado e professor Jairo Saddi, o livro reúne análises de especialistas em direito bancário no país. Pode ser uma luz para quem quer entender a atuação do BC nos casos Marka, Econômico, Nacional e outros. O lançamento acontece hoje, às 19h, na Livraria Saraiva Megastore do Shopping Eldorado, em São Paulo.

Rei morto
FH não parece estar sentindo saudades do real. Ontem, em seu programa semanal de rádio, ao falar dos financiamentos virtuais a pequenas e médias empresas, citou todos os valores em dólares.

Pré-apagão
Mostrando espantosa insensibilidade com o quadro de desemprego no país e as crescentes queixas da população contra seus serviços, a Light prepara novas demissões em massa. A mira da empresa está voltada, principalmente, para funcionários com mais de 43 anos de idade e/ou 20 anos de casa, todos sendo tentados a aderir a um plano de demissão voluntária. O objetivo da Light, que tinha cerca de 12 mil funcionários antes de ser privatizada e fechou 98 com 6.833 empregados, é reduzir seu quadro a apenas 3.700 pessoas.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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