Recado

O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) frisou ontem que o governador do Rio, Anthony Garotinho, sofreu uma dupla derrota com a vitória do ex-prefeito César Maia (PTB) sobre Luís Paulo Conde (PFL) à sucessão municipal. “Sem dúvida nenhuma, foi uma derrota grande derrota política. Garotinho, como governador, não deveria se envolver com tal magnitude na campanha de um candidato que não é de seu partido. Penso que a experiência sirva para ele. A população vê as coisas e manda seu recado nas urnas e ele deve entender esse recado e se dedicar mais as questões administrativas do Estado do que a candidaturas e projetos políticos futuros”.
Troca-troca
O deputado federal Vivaldo Barbosa (PDT-RJ) foi outro parlamentar que qualificou a vitória de César Maia como uma dupla derrota do governador Garotinho. Garotinho, segundo ele, além de perder a eleição, perdeu também no campo político. Todos os candidatos que foram apoiados pelo governador perderam a eleição. “Só lamento o Edson Ezequiel (PDT) ter perdido em São Gonçalo. Temos que aguardar para ver o impacto. Ainda é muito cedo para se prevê as conseqüências”, comentou, acrescentando que o governador Garotinho já está procurando um partido para se “abrigar”. “O governador já declarou isso na imprensa. Com sua saída, o PDT certamente sofrerá um grande impacto, que ainda não podemos dimensionar. Muitos prefeitos que foram eleitos no interior deverão sofrer uma grande pressão para acompanhá-lo. Temos que aguardar para ver o resultado.”
Situação
O vereador Edson Santos (PT) disse ontem que o governador Anthony Garotinho deve analisar muito bem o resultado da eleição na Região Metropolitana, que representa cerca de 75% dos eleitores do estado, onde o governador não conseguiu eleger nenhum de seus candidatos. Esse resultado, segundo ele, deve ser um motivo de grande análise para Garotinho. “O César Maia usou com muita habilidade as questões contra o estado no pleito municipal. Além disso, vinculou também com muita habilidade o prefeito Conde ao PFL e ao governo federal. Essas identificações foram pontos fundamentais para sua derrota”. Edson Santos considerou um ponto positivo a postura de César Maia em convidar os candidatos da esquerda para participar de seu governo. No entanto, frisou que o assunto deve ser tratado com muita reflexão. “Temos que analisar essa situação. Tudo vai depender das negociações políticas para ver se esse convite se torna realidade.”

Pró-salário
Trabalhadores em campanha salarial fazem manifestações e paralisações hoje, em várias cidades, reivindicando salário mínimo digno e a correção do FGTS. As mobilizações dão seqüências à série de atividades da Campanha Salarial Unificada, coordenada pela CUT e Força Sindical. No Rio haverá um ato público, às 16h, em frente à delegacia do Ministério da Fazenda, na Avenida Antônio Carlos. Em São Paulo a manifestação será em frente à sede da Federação das Indústrias de São Paulo. As atividades são uma preparação para a greve nacional das categorias em campanha salarial que a CUT e a Força Sindical estão convocando para 7 de novembro, caso as empresas não concedam reajustes acima da inflação. A campanha unificada envolve as categorias com data-base neste segundo semestre (bancários, petroleiros, funcionários dos Correios, aeronautas, aeroviários, metalúrgicos, radialistas etc.).

Alternativa
O ganhador do Prêmio Nobel da Paz José Ramos Horta, um dos principais líderes pela independência do Timor Leste, confirmou sua participação no Fórum Social Mundial 2001, que será realizado em janeiro, em Porto Alegre. Até agora, 40 conferencistas confirmaram presença no fórum, que reúne cerca de 150 organizações de várias partes do mundo e se tornou um dos principais pólos de luta contra o neoliberalismo e de formulação de alternativas ao pensamento único.

Crescimento
Para aqueles que ainda têm dúvida de quem ganhou as eleições, vão aqui algumas frases pinçadas da edição de ontem de jornais estrangeiros: “A esquerda se impõe em quase todo o Brasil” (Clarín – Argentina); “Nasce uma estrela na política sul-americana” (Corriere della Sera – Itália); “PT não assusta mais o empresariado brasileiro” (The Miami Herald – EUA). Fora isso, basta fazer as contas: a oposição pulou de sete para 12 capitais sob controle.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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