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segunda-feira, janeiro 18, 2021

Recuperação em K: só os ricaços

Muito se fala, inclusive aqui na coluna, sobre a recuperação da economia após a pandemia. Sempre lembrando que não só no Brasil, mas em quase todo o mundo, os desafios já eram gigantescos antes da Covid. Alguns falam em recuperação em V, outros em U, alguns em W, e há até previsão em I (uma queda contínua).

Robert Reich, ex-secretário (ministro) do Trabalho dos Estados Unidos, assim como alguns economistas norte-americanos teme a recuperação em forma de K – os ricaços saem melhor do que entraram, enquanto a queda prossegue para os demais 99%.

Não parece descabido. Os 651 bilionários dos Estados Unidos viram suas fortunas aumentarem 1 trilhão de dólares desde o início da pandemia. Isso significa que, se eles mandassem em chequinho de 3 mil dólares para cada norte-americano, os ricaços permaneceriam com a mesma fortuna que tinham antes das medidas de restrição.

“Enquanto isso, mais de 20 milhões de norte-americanos estão desempregados, 8 milhões caíram na pobreza, 19 milhões estão em risco de despejo e 26 milhões estão passando fome”, escreve Reich em artigo publicado neste final de semana no jornal britânico The Guardian.

Outros países não são diferentes. Levantamento mostrou que uma pessoa que investisse em todas as ações que estrearam na Bolsa de Valores (B3) neste ano teria um ganho de quase 50%. Olhando pelo lado de quem lançou essas ações, além de o acionista principal ter ficado com uma bolada para si no lançamento (depende do tipo de operação), ainda viu seus papéis subirem 50%, em média.

Na outra ponta, pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta segunda-feira mostra que mais de um terço (36%) das famílias que receberam ao menos uma parcela do auxílio emergencial têm o benefício como única fonte de renda.

Matéria da Folha de S.Paulo revela que a redução do auxílio emergencial pela metade já colocou a renda de cerca de 7 milhões de pessoas abaixo do nível de pobreza, e esse número deve subir para quase 17 milhões após a extinção do benefício, no início de 2021.

Alguns países se movimentam para criar um imposto sobre grandes fortunas. O Reino Unido estuda, Argentina e Bolívia já aprovaram. O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, rejeita a taxação. Robert Reich tem sugestões para romper o ciclo vicioso. Veremos na coluna de amanhã.

 

Você está demitido

A coluna dá às declarações tipo “cortina de fumaça” de Bolsonaro o espaço que elas merecem: nenhum. Mas como o presidente falou que os números comprovam que não há segunda onda de Covid, mas apenas “um repique”, vale registrar: em 12 de abril, com 1.223 mortos, Bolsonaro disse sobre o vírus que “parece que está indo embora”. De lá para cá, mais 185 mil brasileiros perderam a luta para o coronavírus.

Nos Estados Unidos, em 18 de abril, Donald Trump, ídolo do ocupante do Palácio do Planalto, disse ter visto sinais de que o pico da Covid tinha passado. Em 17 de dezembro, 4 dias atrás, os EUA bateram o recorde diário de mortes, com 3.656 óbitos. Um mês e 14 dias antes, em 3 de novembro, os eleitores mandaram Trump embora da presidência.

 

Olha a onda

Radicais dirão que Bolsonaro tem certa razão: não há segunda onda, porque o Brasil segue se afogando na primeira.

Leia mais:

‘Para primeiro-ministro, Eduardo Cunha…’

Dólar mantém domínio como moeda de reserva

Centrão é pior que Marcelo Antônio e Salles?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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