A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal, na noite desta segunda-feira, embargos de declaração para “sanar as ambiguidades, omissões, contradições e obscuridades” da decisão do STF que o condenou por tentativa de golpe de Estado.
Bolsonaro é um dos réus do Núcleo 1 da trama golpista e foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, atentado contra o Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, da qual foi apontado como líder, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Os advogados de Bolsonaro pediram a revisão da dosimetria da pena, alegando ausência de individualização adequada e violação ao princípio da proporcionalidade. Segundo eles, as circunstâncias negativas para o estabelecimento da pena não estão presentes no acórdão.
“Não se sabe, portanto, o que significou cada uma das circunstâncias consideradas, pelo Ministro Relator, como ‘amplamente desfavoráveis’. É indiscutível que a partir da existência de circunstâncias valoradas negativamente chegou-se, sem qualquer cálculo, sem qualquer demonstração, ao elevado aumento da sanção”, diz a peça da defesa.
Nos embargos de declaração, a defesa de Bolsonaro também alega que houve cerceamento de defesa durante o processo que levou à sua condenação no STF. Segundo o documento, os advogados não tiveram tempo hábil nem acesso adequado às provas produzidas na investigação.
Eles dizem que receberam 70 terabytes de dados, o que teria impossibilitado o exame do material antes do fim da instrução. A defesa também argumenta que foram negados pedidos de adiamento das audiências,
“A defesa não pôde sequer acessar a integralidade da prova antes do encerramento da instrução; não teve tempo mínimo para conhecer essa prova. E não pôde analisar a cadeia de custódia da prova. Afinal, os documentos foram entregues quando terminava a instrução e, apesar dos recursos da defesa, o processo continuou”.
Julgamentro será em plenário virtual em novembro; ação penal entrou na pauta hoje
A Primeira Turma do STF vai julgar, de modo virtual, entre os dias 7 e 14 de novembro, o recurso de Bolsonaro contra a decisão que o condenou a 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a democracia.
Na mesma sessão virtual deverão ser julgados os recursos de outros seis réus, todos antigos aliados do ex-presidente e que foram considerados o núcleo principal de uma tentativa de golpe de Estado que tentou manter Bolsonaro no poder mesmo após derrota eleitoral em 2022.
A ação penal na qual todos foram condenados entrou na pauta de julgamentos nesta terça-feira (28), um após ter se encerrado o prazo para apresentação dos recursos.
Dentre os condenados, apenas não recorreu: o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator da trama golpista. Pela sentença, ele manteve os benefícios da delação premiada, recebendo uma pena mais branda de dois anos, e por isso não deve ser preso em regime fechado.
Com informações da Agência Brasil
Leia também:
-
Unção de Flávio Bolsonaro causa pânico na Faria Lima
Flávio é indicado por Jair como candidato do PL à Presidência em 2026; dólar dispara e Bolsa de Valores desaba.
-
Gilmar diz que Lei do Impeachment ‘caducou’
Decano decidiu que só PGR pode pedir impeachment de ministro da Corte
-
Aprovada em comissão, LDO deve ser votada pelo Congresso nesta quinta
Segundo o relator, objetivo é assegurar a liberação dos recursos em ano eleitoral
-
AGU pede que Gilmar reconsidere decisão sobre impedimento de ministros
Manifestação defende legitimidade popular para denúncia contra ministros do Supremo
-
Gilmar: ‘Só PGR pode pedir impedimento de ministro do STF’
Decisão monocrática ainda deve ser confirmada pelo plenário
-
Planalto rejeita texto na Câmara que mantém escala 6×1
Ministros defendem fim da escala e redução de jornada




















