Redução da mobilidade impacta importação de petróleo árabe

Importações brasileiras de petróleo de países da região tiveram queda de 15% no primeiro semestre.

Internacional / 15:10 - 7 de ago de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O principal produto de exportação dos árabes ao Brasil, o petróleo, vem sendo duramente impactado em 2020. No primeiro semestre, os envios caíram 15% frente ao mesmo período de 2019. O setor é mais um dos que sofrem os efeitos da pandemia de Covid-19, que tem como medidas de segurança o isolamento social e a redução da mobilidade. A tentativa de impedir o avanço da doença resultou em quedas significativas nas demandas de combustíveis e nos níveis de processamento do refino nacional.

O movimento atingiu diretamente a necessidade do tipo de petróleo produzido pelos árabes.

Essa matéria-prima vinda de produtores como os sauditas é utilizada por refinarias brasileiras e alimenta a indústria automotiva. Com menos mobilidade, caiu a demanda e os volumes processados nas refinarias ocasionando um decréscimo de 18% da produção de óleos básicos lubrificantes no país em comparação a 2019.

À medida que a compra de petróleo caiu, cresceram as vendas de fertilizantes importados dos árabes. Entre janeiro e maio a importação do petróleo árabe (US$ 690 milhões) chegou a ser ultrapassada pela de fertilizantes do bloco (US$ 778 milhões).

Há, entretanto, um movimento de longo prazo que também vem contribuindo para a queda na importação de petróleo. A diminuição no uso de petróleos importados nas refinarias brasileiras tem no pré-sal um importante componente.

Enquanto globalmente os produtores enfrentaram um choque em meio à queda brusca da demanda, que chegou a ser de menos 25 a 30 milhões de barris por dia, Vitto explica que o Brasil teve queda na produção, mas não foi tão afetado.

Frente à crise mundial, a estratégia foi de fazer cortes em campos menos competitivos. A participação dos volumes importados no processamento das refinarias nacionais entre 2016 e 2019 teve oscilações, variando entre 9,2% e 11,0%. Já em 2020, essa participação foi reduzida, chegando a apenas 8,7% no primeiro semestre.

Para os próximos anos, a EPE projeta uma importação nos mesmos patamares de 2018, quando foram produzidas 944,117 milhões de barris, e 2019, quando o Brasil produziu 1,018 bilhão de barris.

 

Agência de Notícias Brasil-Árabe

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor