Referências

Em que faculdade de economia, a presidente Dilma Rousseff aprendeu que juros altos são a única forma de combater a inflação? Certamente não foi na Unicamp.

Lições dos EUA
Em 1937, depois de os Estados Unidos acumularem déficits fiscais de 5% a 6% do Produto Interno Bruto (PIB), para enfrentar a Grande Depressão, iniciada em 1930, o presidente Franklin Roosevelt, iludido com a tênue recuperação da economia do país, cedeu às pressões para perseguir o equilíbrio orçamentário. Com isso, retardou a recuperação da economia, que emergiu numa grave depressão, da qual somente saiu com o esforço militar exigido pela entrada do país na II Guerra Mundial, que levou ao aumento exponencial de investimentos públicos, resultando em déficits da ordem de 30% do PIB. Pouco mais de 70 anos depois, posto diante de situação semelhante, o presidente Barack Obama mostra não ter aprendido com as lições da história, capitulando à pressão dos republicanos por cortes de gastos, o que deve empurrar a economia dos EUA para uma recessão ainda mais prolongada e grave do que aquela da qual o país começa a sair muito timidamente.

Lições para Dilma
A opção preferencial de Obama pelo “equilíbrio fiscal” também deveria servir de alerta para a presidente Dilma. Com a Europa estagnada graças ao mesmo modelo, o Brasil, em vez de cortar gastos públicos e retomar o aumento de juros, deveria, mirando-se sucedido nos anos 30, quando o país cresceu um Japão por ano, preparar o terreno para reduzir a dependência da exportações, fortalecer o mercado interno e incentivar o aumento da produção, com a redução de juros e elevação do poder aquisitivo da população.

Além dos números
De acordo com pesquisas do IBGE, existem 14,2 milhões de brasileiros analfabetos com mais de 15 anos de idade e 32,1 milhões de analfabetos funcionais. Além disso, segundo o Índice Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF),  apenas 25% da população é capaz de compreender, interpretar e comparar informações de diferentes textos. Ou seja, o aumento do número de crianças matriculadas na rede de ensino do país não é sinônimo de aprendizagem da língua escrita. Esse é o principal tema de Textos em contextos – Reflexões sobre o ensino da língua escrita (Summus Editorial). Organizado por Silvia Gasparian Colello, doutora em Pedagogia pela USP, o livro quer contribuir para a erradicação do analfabetismo e a superação dos baixos níveis de letramento, a partir da abordagem socioconstrutivista.

Sacrifício alheio
Durante debate numa sala de aula da PUC, a professora apoiou um aluno, que, se apresentando como empresário, reclamou dos encargos trabalhistas, defendendo a revogação da CLT, qualificada por ele como “um mimo de Getúlio Vargas”. Segunda a professora, o Brasil estaria “muito atrasado” no processo de globalizando em comparação a vizinhos como Paraguai, Venezuelana, Colômbia e Equador e criticou os trabalhadores brasileiros por serem “muito acomodados” e não fazerem revolução para defender seus direitos. Um estudante mais crítico, então, perguntou se ela gostaria de trabalhar naqueles países, abrindo mão de 13º salário, férias remuneradas, plano de saúde e outros benefícios que a faculdade oferece aos funcionários. E ironizou: “Com isso, a faculdade teria mais dinheiro, para conceder bolsas de estudo  para quem precisa.”

Eu não!
O aluno é claro, ficou sem resposta da professora, que faz sua revolução particular prestando consultorias para empresas, mas o episódio reproduz contradição frequente no debate nacional. Como regra, os defensores do capital financeiro são especialistas em pedir “sacrifícios” e “austeridade”, desde que, por óbvio, restritos aos outros.

Lei é lei
Há cerca de três semanas, durante show de Mart”nália, no Circo Voador, na Lapa, no Rio, uma espectadora acendeu um cigarro. Imediatamente, foi abordada por um segurança, que a lembrou que, pela legislação em vigor, é proibido fumar em espaços públicos fechados. Como se encontrasse cercada por outros espectadores que fumavam maconha sem serem incomodados, ela ainda tentou argumentar contra a diferença de tratamento, mas ouviu do segurança: “Contra maconha, não existe qualquer restrição legal ao fumo em espaço fechado.”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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