Refinaria processa carga com matéria-prima 100% renovável

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Colheita de soja. Imagem: divulgação

A Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR), unidade da Petrobras, processou, pela primeira vez, 100% de óleo de soja em uma unidade de refino industrial. A tecnologia, desenvolvida no Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (Cenpes) da Petrobras, permite adotar como carga uma matéria-prima 100% renovável, com inovações de processo e catalisador, gerando produtos petroquímicos integralmente renováveis.

O processamento é realizado em unidade de craqueamento catalítico fluido (FCC) é o primeiro do mundo, afirma a Petrobras. Em outubro, foi feito o primeiro teste e está programada para junho de 2024 a realização de um segundo, que será por meio do coprocessamento de carga mineral com bio-óleo (matéria-prima avançada de biomassa não alimentar), gerando propeno, gasolina e diesel, todos com conteúdo renovável.

A Petrobras está investindo em torno de R$ 45 milhões para viabilizar a conclusão do desenvolvimento de processamento de carga renovável. A petroleira esclarece que o investimento no teste foi realizado em atendimento às cláusulas de PD&I da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo a petroleira, com o sucesso do teste, a RPR está se preparando para a produção de insumos petroquímicos e combustíveis renováveis como GLP, combustíveis marítimos, propeno e bioaromáticos (BTX – benzeno, tolueno e xileno), usados nas indústrias da borracha sintética, nylon e PVC. Foi identificado, ainda, que os teores alcançados de concentração de BTX, empregando catalisadores, são capazes de atender aos níveis exigidos para formular gasolinas de elevado desempenho, praticamente isenta de enxofre.

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Para o diretor-superintendente da RPR, Felipe Jorge, com a tecnologia da Petrobras, o biorrefino chega como estratégia de transição efetiva para o futuro: “O primeiro passo foi dado. A tecnologia da Petrobras licenciada para a Riograndense vai nos permitir, já no próximo ano, produzir renováveis sem deixarmos de atender nosso atual mercado de produtos e combustíveis”.

Segundo o CEO da Braskem, Roberto Bischoff, “a transição energética passa pelo desenvolvimento de novos processos e produtos com origem em fontes renováveis. Nós estamos comprometidos em atender essa demanda do mercado e da sociedade”. De acordo com, Marcelo Araújo, diretor executivo corporativo e de participações da Ultrapar, “os

resultados do teste na Riograndense representam o enorme potencial da bioindústria no país. Estamos empenhados em fomentar o biorrefino e desenvolver combustíveis renováveis avançados”.

Testes

Os catalisadores empregados no teste são da linha ReNewFCC e foram produzidos em parceria com a Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC SA), uma joint venture entre a Petrobras e a Ketjen, que atua na produção de catalisadores e aditivos para a indústria de refino. Para o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, a transição energética é um caminho sem volta para a companhia: “Estamos fazendo derivados típicos de petróleo, a partir de óleo vegetal. É inovação e transição energética combinadas em benefício do Brasil. É a Petrobras voltando a liderar grandes processos de transformação técnica, econômica e social, com repercussão global”. Teste para o biorrefino

A realização do teste se tornou possível a partir de acordo de cooperação assinado, em maio de 2023, entre as empresas que têm participação acionária na RPR (Petrobras, Braskem e Ultra).

O acordo previa a utilização das unidades da refinaria para a realização do teste com tecnologias desenvolvidas pelo CENPES. O teste industrial teve início na última semana de outubro, quando a RPR recebeu o carregamento de duas mil toneladas de óleo de soja e realizou uma parada de manutenção para preparar a unidade de craqueamento catalítico fluido (FCC) para receber e processar a matéria-prima, conforme especificações e orientações do CENPES.

No dia 1º de novembro, iniciou, então, o processamento da carga 100% renovável, comprovando a viabilidade da operação. Projeção Com a etapa da comprovação da tecnologia concluída em escala industrial, a RPR estará capacitada a explorar as alternativas de negócio para a produção de produtos renováveis, e a Petrobras terá novas alternativas a avaliar, futuramente, em suas próprias refinarias, em adição aos projetos já em andamento relacionados ao coprocessamento para a produção de diesel renovável e unidades dedicadas para a produção de bioquerosene de aviação e diesel renovável.

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