Quanto mais o tempo passa mais eu me convenço que o Brasil é uma crise sem fim. E me lembro que como há gente que vive uma eterna tristeza (tristeza não tem fim, felicidade sim, sim, sim) eu me pergunto: será que a crise não é um reflexo de um “inconsciente coletivo”? Ou será que a crise não é uma arma para manter o “status quo” dos poderosos?
E eu também me pergunto: como pode um ser humano transformar sua vida em um verdadeiro inferno? Como pode alguém desconhecer que tudo o que se faz produz uma reação? Colhe-se o que se planta!
Talvez o sucesso esteja na tal inteligência emocional, embora Platão já nos tenha ensinado que a felicidade consiste em ter controle sobre as paixões. De nada vale ser inteligente se não se controla as emoções: medo, ódio, inveja, alegria, tristeza, ansiedade; tudo isso concorre para nos afasta.
De fato, estar vivo é lutar contra a entropia, contra desordem, contra o caos. Viver é manter a ordem, o cosmo. Para estar vivo é preciso seguir regras, que preservam o nosso organismo e obtém a melhor eficiência.
Como em um carro, um motor pode ser destruído quando as normas básicas não forem cumpridas, como não colocar água no radiador ou acelerar acima do nominal. Mas mesmo sendo bom “motorista”, nossa vida ainda continua repleta de sofrimento.
Dê uma rosa para um otimista e ele se encanta com a beleza e com o perfume, observa os detalhes das cores, dos contornos e dos arranjos de folhas. Apresenta-se a rosa ao pessimista e, carrancudo, nos mostra quantos espinhos ela tem. E como esse batráquio (que jamais encontrará uma princesa que o transforme em príncipe) tem razão: para uma única flor, incontáveis espinhos.
Ora, daí surge a oportunidade de sermos realistas: plantarmos muitas rosas. Serão muitos os espinhos, porém teremos De que vale passar o tempo choramingando? É ter espinho, sem flor nenhuma.
O tempo não volta! Gastar ou desperdiçar. O choramingar é viver a derrota antecipada. Nascemos vencedores. O espermatozóide que gerou você teve que vencer centenas de milhões de outros. Isso sim é que é vencedor, colocar milhões no chinelo!
Domar a emoção é vencer, vencer o desânimo, a preguiça, o cansaço. Quando jovem acreditamos que tudo pode ser bom. Idealizamos a mulher (o homem), a família, o trabalho, a Igreja, o país. Ser idealista não deve ser a mesma coisa que perfeccionista pois a decepção torna-se imediata.
Assim, a frustração ocupa nossos longos e obscuros dias. Nós plantamos aquilo que colhemos, só que ninguém quer colher as tristezas que plantou. Ora, então não plante! De que forma?
Comece por sorrir, a procurar o que existe de bom em cada detalhe que o circunde: familiares, colegas, amigos, trabalho, igreja, a quem você ama de modo muito particular. Com o tempo, percebe-se que a felicidade custa pouco, bem menos que a tristeza. E a coragem vale bem mais que a fraqueza. A temperança nos fornece o melhor prazer da comida, bebida e sexo, enquanto que os exageros provocam terríveis males e doenças incuráveis.
Ser regrado e virtuoso para dominar a dor, ignorar os espinhos e aproveitar melhor todos os prazeres (bons, já que não devem ser assim considerados os alívios) que a vida oferece a qualquer mortal. Tudo se torna uma questão de visão, de paciência e perseverança: diante de tantos espinhos haverá certamente muitas flores para alegrar essa travessia que chamamos vida.
Grandes sábios nos ensinaram, só precisamos colocar em prática. Já sorriu hoje? Vamos viver o verdadeiro sentido do Natal. Aproveite e agradeça a Deus por ainda ter tanto!
Mário Eugênio Saturno
Tecnologista Sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva.
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