Reforma tira 13º dos aposentados do setor público

Personagem assíduo da coluna, o economista (na realidade, engenheiro com pós em Economia) que critica quem tortura os números até que eles digam o que deseja comparece novamente diante dos dados apresentados por Paulo Guedes e equipe para defender a reforma da Previdência. Números que são torturados em Guatánamo, pois ficam trancados, escondidos da sociedade até que os iluminados do Ministério da Economia os apresentem.

Guedes reafirmou na Câmara que a perda média para os trabalhadores da iniciativa privada é estimada em R$ 9,6 mil em dez anos para cada contribuinte do INSS. O impacto per capita para o funcionalismo público da União é de R$ 141 mil. Por essas contas, os privilegiados servidores civis dariam uma cota 14,7 vezes maior que o segurado do INSS.

A conta não é tão simples. O benefício médio pago pelo INSS é de R$ 1.324,55 (jan/19); do funcionário civil, a média é de R$ 9.370,00. Assim, o dinheiro a ser cortado do trabalhador da área privada equivale a 7,25 vezes seu salário médio. No caso do servidor, a conta é de 15 vezes. Ou seja, uma diferença, levando em consideração o quanto cada um ganha, de pouco mais de duas vezes, e não as 14,7 que a equipe econômica sustenta.

Em outras palavras, o servidor sofrerá corte de um mês e meio de aposentadoria por ano; seria como se perdesse o 13º e mais meio salário. Já o beneficiário do INSS sofreria a mesma tungada a cada dois anos.

Mas uma outra conta mostra que essa história de cortar privilégios é propaganda para dividir trabalhador do setor privado e do público. Dados divulgados pelo Tesouro Nacional mostram que o Regime Próprio dos Servidores Federais (RPPS) garantiu aposentadorias e pensões a 973.707 pessoas e registrou, em 2016, deficit de R$ 71,8 bilhões, ou R$ 73,7 mil por cabeça por ano.

No caso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o suposto rombo ficou em R$ 152,7 bilhões, o que dá em média R$ 5,7 mil por beneficiário naquele ano. Uma relação de 13 para 1 – muito próxima dos 14,7 vistos lá em cima. O que está sendo feito é rachar o prejuízo quase igualmente entre servidores e empregados privados. Privilegiado, só o sistema financeiro, destino do R$ 1 trilhão pretendido por Paulo Guedes.

 

Ausente

O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi eleito o próximo presidente do Conselho de Diretores do Novo Banco do Desenvolvimento (NBD), ou Banco dos Brics. Ele ficará no cargo até o final da próxima reunião anual do Conselho, que acontecerá em 2020 no Brasil.

Crítico do BNDES, pouco se pode esperar de Guedes no NBD. Na reunião que terminou dia 1º, o Banco aprovou empréstimos no valor de cerca de US$ 1,2 bilhão para cinco projetos, nenhum do Brasil. São dois na China, dois na África do Sul e um em Lesoto.

 

Custo saúde

Os custos com planos de saúde de uma grande montadora chegam a responder por R$ 1.500 do valor final de um carro. O caso foi contado pelo vice-presidente executivo de Saúde e Benefícios da Aon no Brasil, Paulo Jorge Rascão, durante o Fórum de Gestão de Saúde da ABRH-RJ.

 

Rápidas

A Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios chega a sua 22ª edição. Será de 8 a 11 de abril, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) *** Neste sábado, das 10h às 19h, além da Feira do Lavradio, que vai homenagear o Dia do Choro, a região também receberá o Circuito Lapa-Tiradentes, com atrações musicais, feira de antiguidades, literatura e gastronomia *** O Clubinho pela Estrada Afora, no Carioca Shopping, foi prorrogado até 28 de abril *** Nesta quinta, o escritório Di Blasi, Parente & Associados, em parceria com a AIPLA (American Intellectual Property Law Association) realiza o encontro “Como ter uma Carreira de Sucesso em Propriedade Intelectual?”, das 10h às 11h30, no Centro do Rio de Janeiro (Av. Presidente Wilson, 231/ 13º andar). O evento é voltado para mulheres que atuam no segmento *** O Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) é um dos patrocinadores da 1ª edição do Brazil at Silicon Valley, que acontece dias 8 e 9. O presidente do Conselho Administrativo do Idor, Jorge Moll Neto, diz que a iniciativa busca impulsionar startups para que se tornem localmente e globalmente competitivas *** Está em transição de carreira? Você já pensou em ser consultor? Onde você estará daqui a um ano? São os temas da palestra que Luiz Affonso Romano, presidente da Associação Brasileira de Consultores (ABCO), fará no CRA RJ no próximo dia 17. Informações em cra-rj.adm.br/esta-em-transicao-de-carreira/

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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