Rei Philippe, da Bélgica adere: ‘Black lives matter’

Rei Leopoldo deixou um legado estimado em 15 milhões de assassinatos no Congo.

Empresa Cidadã / 19:16 - 7 de jul de 2020

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A Campanha “Black Lives Matter”, criada após o assassinato covarde de Eric Garner por policiais (New York, julho de 2014) e revigorada a partir do assassinato de George Floyd (Minneapolis/Minnesota) parece ter recebido mais uma adesão – a de Philippe, rei da Bélgica. É o que se depreende do pedido de desculpas por ele manifestado, há dias, pela ocupação e exploração do Congo, no período do reinado de Leopoldo II, quando, segundo ele, “foram cometidos atos de violência e crueldade, que ainda pesam na nossa memória coletiva”.

Uma das estátuas do rei Leopoldo II, que ficava em Antuérpia, foi alvejada por manifestantes belgas antirracistas e recolhida pela administração local, em junho deste ano. Leopoldo II ocupou o trono de 1865 a 1909, e pela exploração colonial de minerais, do marfim, e do látex na região conhecida como Congo Belga deixou um legado estimado em 15 milhões de assassinatos, mais um número incontável de mutilações, em adultos e crianças, e estupros. Segundo o rei Philippe, o período posterior, de 1908 a 1960, também “causou sofrimento e humilhação”.

O rei Philippe assumiu o compromisso público de “combater todas as formas de racismo”.

Descolonizar é preciso.

 

Jade

Na quinta-feira, 2 de julho, um deslocamento de terra na província de Hpakant, em Kachin (Mianmar), próximo à fronteira com a China, causou a morte, no local, de mais de 160 mineiros, que trabalhavam em uma mina de extração de jade. Em 2019, 54 trabalhadores perderam as vidas em “acidente” semelhante, na mesma província.

Mianmar é o maior produtor mundial da jadeita, uma derivação do jade, extraída das montanhas da província de Kachin, próxima à fronteira da China, seu maior comprador. Trata-se de uma indústria pouco regulamentada, controlada por traficantes, guerrilheiros mercenários e outros grupos análogos, empregando migrantes com remunerações baixíssimas, conforme denúncia da ONG Global Witness.

 

Os gafanhotos estão chegando

Uma nuvem de gafanhotos levou o governo brasileiro a declarar estado de emergência fitossanitária (em uma pandemia), nos estados do RS e SC, por um ano. A nuvem é capaz de comer o equivalente ao que 2 mil vacas comeriam em um dia. Já disse o poeta que “boi não pode voar à toa”. Então, a nuvem de gafanhotos passa a representar mais uma ameaça para a agricultura. Combatê-la também é ameaçador, por que envolve a pulverização de venenos (também chamados falsamente de agrodefensivos), em uma “escolha de Sofia” para o consumidor. A medida foi publicada no DO de 25 de junho.

Ao que parece a nuvem estacionou próximo à fronteira entre o RS e a Argentina, e a sua progressão rumo ao Brasil dependerá das condições climáticas (temperatura, ventos, chuvas etc). De acordo com o Ministério da Agricultura, a emergência fitossanitária tem prazo de um ano. Os gafanhotos são originários do Chaco (Paraguai), onde há culturas propícias à sua propagação.

 

Quem tem parceiros desse tipo...

Enquanto esta coluna era redigida, autoridades fitossanitárias argentinas afirmaram que a nuvem de gafanhotos desloca-se no sentido do rio Paraná, a uma distância estimada de até 200km de Uruguaiana (RS), mas o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) declarou que os técnicos perderam contato com a nuvem dos gafanhotos...

 

Procura-se uma nuvem de gafanhotos

A nuvem de gafanhotos foi avistada, pela última vez, em Paraje Rincón de Zara. A região, de difícil acesso, impossibilitou achar o local de assentamento deles. As buscas recomeçarão deste ponto. Apesar de não localizar os insetos, o Senasa informou ter eliminado 30% deles, com o uso de aviões de aplicação de veneno. A estimativa do Senasa é de que a nuvem tenha reunido cerca de 400 milhões de indivíduos, capazes de se deslocarem por 150km em um dia.

 

Encontrados...

(com informações divulgadas pela Agência Pública / The Intercept Brasil)

Em 2016, através de acordo, a Odebrecht aceitou pagar a maior multa por corrupção, jamais aplicada, totalizando US$ 2,6 bilhões. Os beneficiários foram Brasil, Suíça e EUA. A parcela devida às autoridades norte-americanas, no valor total de US$ 93 milhões, foi paga à vista. Hoje, a empresa encontra-se em processo de recuperação judicial.

Dois anos depois, foi a vez da Petrobras. Em 2018, a empresa aceitou pagar a maior multa jamais cobrada de uma empresa pelo Departamento de Justiça norte-americano, US$ 1,78 bilhão. Para tanto, foi decisiva a participação de agentes do FBI atuando no Brasil. O FBI, uma espécie de Polícia Federal norte-americana, mantém escritórios em embaixadas de 63 países e subescritórios em outros 27. Em 2011, o FBI empregava 289 agentes e pessoal de apoio nesses escritórios fora de suas fronteiras. Como na parceria entre a galinha e o porco na preparação do bacon com ovos (ham’egg), indispensável no desjejum das famílias norte-americanas, o Brasil participa do acordo com as entranhas...

 

Kátia, 48 anos, enfermeira

Diabética, hipertensa... foi mantida em serviço no Pronto Socorro do município de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos fluminense, morreu no final de semana passado, vítima da Covid-19. Não teve chance de presenciar todas as homenagens prestadas aos dedicados profissionais da saúde. Nem de desfrutar dos seus vencimentos, atrasados.

À Kátia, enfermeira, é dedicada esta Coluna.

 

#Fique em casa

Na paz. Bons vídeos, bons livros, boa música, boa companhia, um cafuné, boa comida e uma soneca depois.

 

Paulo Márcio de Mello é servidor público aposentado (professor da Universidade do Estado do RJ – Uerj).

paulomm@paulomm.pro.br

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