Reis do Orçamento

Os rentistas e especuladores continuam sem motivos para criticar os fundamentos do desastre econômico produzido pelo tucanato. No primeiro semestre deste ano, pela primeira vez na história do País, os gastos consumidos com a conta de serviços e juros ultrapassaram os destinados à folha de pessoal da União, incluindo ativos, inativos, civis e militares. Entre janeiro e junho, os gastos com pessoal cresceram R$ 1,8 bilhão, na comparação com o mesmo período de 98, enquanto os gastos com juros deram um salto de R$ 10 bilhões.
Na comparação com o Orçamento de 95, os rentistas têm ainda mais motivos para comemorar. Enquanto as receitas correntes no primeiro semestre cresceram R$ 13,5 bilhões, de 95 para 99, as despesas com juros cresceram R$ 20 bilhões. Isso significa que, mesmo sem incluir as amortizações, os gastos torrados com pagamento de juros engoliram todo o crescimento das receitas e ainda abocanharam mais R$ 6,5 bilhões.
Isso fez com que as despesas com pagamentos de juros saltassem de 7,07% das receitas correntes, no primeiro semestre de 95, para 25,89%, no primeiro semestre de 99.

Sem multa
O ministro da Saúde, José Serra, conseguiu se livrar de multa de 100 mil Ufirs (R$ 97,7 mil) que fora imposta pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo no ano passado, por conta da utilização de jatinho da Cesp em campanha eleitoral, entre um e outro compromisso de Governo. Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entenderam, por unanimidade, que a multa não procede. Segundo o relator, ministro Maurício Corrêa, “a presunção não autoriza a aplicação de multa”.
Rigor
Menos compreensivos, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  rejeitaram, igualmente por unanimidade,  as contas prestadas pelo candidato do PSTU à Presidência da República, José Maria de Almeida, relativas à campanha presidencial do ano passado. O candidato declarou ter arrecadado R$ 200,00 e gasto R$ 89,77. O TSE diz que ficou pendente a comprovação de que a fabulosa sobra de R$ 110,23 foi transferida para o partido. Além disso, há dúvidas sobre a receita arrecada pelo Comitê Financeiro do PSTU, que obteve receita de R$ 19.465,45. Como nada foi esclarecido, as cotas do fundo partidário serão suspensas por um ano. Vai fazer falta. Em 1998, o partido recebeu R$ 6.671,38 e este ano já foram repassados R$ 7.685,35.

Medalhista
O deputado federal Neiva Moreira (PDT-MA) recebe nesta segunda-feira a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, na Câmara Municipal do Rio. Maranhense da cidade de Nova Iorque, sertão do Rio Parnaíba, o deputado teve o seu mandato cassado em 1964 e ficou exilado até 1979, quando retornou ao Brasil beneficiado pela Lei da Anistia. Recentemente, Neiva Moreira recebeu o Grau de Comendador do Exército Brasileiro e da Marinha e, ainda, a comenda Barão de Rio Branco, outorgada pelo Itamaraty. O deputado participa da CPI do Narcotráfico.

Replay indigesto
Responsáveis pela organização de um evento realizado no Hotel Glória se queixam de que a cozinha daquele tradicional estabelecimento lhes serviu durante três dias seguidos chuchu  com camarão. Tem comensal jurando não comer crustáceo durante pelo menos um ano.

Sublimação
Ex-assessor econômico da candidatura de Brizola à presidência, o economista Carlos Alberto Cosenza, da UFRJ,  disse achar o PT um “um partido sublimado”. “Ele é um movimento no sentido social. Não é um partido político. Acho ele muito leve para ser um partido. É uma poesia”, avalia. Para o economista, se o PT chegar ao poder, vai ter dificuldades para implementar suas propostas. Não porque elas não sejam viáveis, destacou, mas porque pelas “pressões imensas dos elementos que estão no poder, que colocaram em prática um processo de globalização irresponsável e fizeram uma abertura desnorteada”.

Saúde
Copacabana vai ganhar no início do milênio um hospital do futuro. No local onde funcionava um hotel vai ser inaugurado o Hospital Copa D”Or, com modernos equipamentos e instalações. Terá, inclusive, um pronto-socorro. Saúde, assim como educação, desponta como um dos grandes negócios do próximo século.

Boss
Principal negociador do Brasil na Organização Mundial de Comércio (OMC), o embaixador José Alfredo Graça Lima tratou de sanar qualquer dúvida que empresários e consumidores brasileiros ainda alimentavam sobre o papel a ser desempenhado pelo Itamaraty nas negociações sobre a Rodada do Milênio da OMC: “Isso (o avanço nas negociações) somente acontecerá quando houver vontade política, em especial, do sócio majoritário (EUA)”, esclareceu Lima.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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