Rejeição a Bolsonaro atinge o valor mais alto desde início do mandato

Ciro melhora performance entre internautas; moristas não têm demonstrado força para enfrentar os ataques de lulistas e bolsonaristas.

A reprovação ao governo atingiu o valor mais alto registrado durante o mandato, pelo sistema AP Exata/Modalmais. Divulgada na última sexta-feira, o estudo aponta que 53,9% consideram a gestão de Jair Bolsonaro como ruim/péssima; 24,2%, como boa/ótima; e o percentual de pessoas que avalia a gestão como regular é de 21,9%.

Já Ciro Gomes tem surpreendido nas redes e é o candidato que apresenta a melhor média de aprovação no Twitter. Nesta sexta-feira, é o único candidato com mais aprovação do que rejeição, atingindo 53% de menções positivas. Apesar disso, Ciro ainda tem uma visibilidade pequena em relação a Bolsonaro e Lula, mas eventualmente se aproxima de Sérgio Moro. O ex-juiz tem sido mais falado por conta de ataques do que de suas propostas, o que deixa Ciro em vantagem com relação ao seu adversário mais próximo nas pesquisas. Moristas não têm demonstrado força para enfrentar o grande número de ataques de lulistas e bolsonaristas, e vêm perdendo, com frequência, as guerras narrativas nas redes.

Opositores do ex-ministro da Justiça têm tido sucesso na desconstrução do candidato anticorrupção, que é a única plataforma claramente associada a Moro. Os ataques o relacionam a comportamentos ilegais e/ou imorais, que minam a imagem projetada de seriedade e retidão.

Já a internação do presidente no primeiro dia útil do ano expôs Bolsonaro a uma forte onda de críticas e também revelou dificuldades da militância digital governista em combater o discurso desfavorável. Se em 2017 bolsonaristas dominavam a narrativa das redes, o cenário hoje é completamente diferente. Bolsonaro influencia apenas a sua bolha de apoiadores e revela uma enorme dificuldade de conquistar internautas fora da sua área de influência. A internação reforçou a ideia de que ele saiu de férias enquanto a Bahia enfrentava problemas graves de cheias. Opositores também conseguiram impor a ideia de que o presidente estaria tentando se aproveitar da internação para gerar comoção, o que foi muito rechaçado. Além disso, surgiram muitos memes dizendo que Bolsonaro teria obtido punição divina e ironizando que ele teria conseguido um atestado para não trabalhar no primeiro dia útil do ano. Houve muitas acusações de que o chefe de Estado cometeu excessos nas festas de fim de ano, resultando em problemas de saúde. A crise foi reforçada com a notícia de que ele encontrou dificuldades para digerir um camarão engolido inteiro.

A reação aos ataques de opositores foi ainda comprometida por uma guerra interna que acontece dentro da esfera do bolsonarismo. Carlos Bolsonaro acusou o deputado governista Carlos Jordy (PSL-RJ) e outros conservadores de criticarem decisões do presidente da República a troco de crédito político. Jordy acusou a família de não saber receber críticas construtivas.

O cenário econômico para 2022 é considerado pouco promissor por analistas: o crescimento marginal do PIB, de cerca de 0,5%, aliado à inflação e desemprego, pinta um quadro de retração econômica e empobrecimento das famílias. Paulo Guedes é muitas vezes visado nas críticas de opositores. O ministro também não é poupado por liberais, que o acusam de não entregar reformas e privatizações e de criar um Orçamento impossível de concretizar. Reajuste a parte dos servidores federais criou paralisações de categorias preteridas, afetando Receita Federal e Banco Central.

Notícias sobre o veto de Bolsonaro ao Refis das empresas optantes pelo Simples levaram à reação de entidades do empreendedorismo. Eles consideram “cruel” que grandes empresas tenham essa possibilidade, mas as PMEs sejam excluídas. Já Ciro está conseguindo impor uma agenda econômica na esfera dos que falam de sua eventual candidatura, ao citar um Plano Nacional de Desenvolvimento. A ideia foi bem vista entre os que citam o presidenciável. Também a possibilidade de uma chapa entre Ciro Gomes e Marina Silva, já apelidada nas redes de “Cirina”, tem causado entusiasmo entre potenciais eleitores das duas lideranças, que consideram que a união entre eles é também a associação do desenvolvimentismo com a sustentabilidade. Com o cenário favorável que vem se desenhando em torno de Ciro, é provável que o pedetista consiga mais espaço entre os eleitores que buscam uma terceira via.

De qualquer forma, a polarização entre Bolsonaro e Lula segue bastante forte e os dois pré-candidatos alcançaram, nos últimos cinco dias, uma média de 83,6% de todas as menções entre os presidenciáveis. Joao Dória, Rodrigo Pacheco, Felipe D’Ávila e Simone Tebet continuam sem conseguir se impor como lideranças de alcance nacional, ao menos nas redes.

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